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Energia

Etanol e celulose estão entre os setores mais expostos ao tarifaço dos EUA

Publicado 08/06/2026 • 12:40 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Agronegócio tende a sofrer menos que a indústria com as sobretaxas propostas pelos Estados Unidos, mas alguns segmentos seguem sob maior risco.
  • Etanol, celulose e suco de laranja enfrentam maior dificuldade para redirecionar exportações devido à escala de produção e à dependência de mercados consolidados.
  • Para especialista, negociações econômicas devem prevalecer sobre disputas políticas para evitar prejuízos às empresas brasileiras.

Embora parte relevante dos produtos do agronegócio tenha ficado fora das propostas de sobretaxas apresentadas pelos Estados Unidos, setores como etanol e celulose continuam entre os mais vulneráveis caso a disputa comercial avance. A avaliação é de Rafael Chaves, professor da FGV EPGE, que defende uma negociação econômica entre os dois países para evitar prejuízos às exportações brasileiras.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta segunda-feira (8), o economista disse que o debate não começou agora e envolve interesses comerciais que vêm sendo discutidos desde 2025. Na avaliação de Chaves, há fatores econômicos relevantes por trás das medidas propostas por Washington, que acabam ganhando contornos políticos. “São negociações de empresas, tem negócios por trás e isso acaba se materializando nessa discussão de política comercial entre os países”, afirmou.

Agro mais protegido

Para o professor, o agronegócio tende a enfrentar impactos menores do que a indústria porque possui mais alternativas de mercado para parte de sua produção.

Produtos como soja e carne bovina contam com maior flexibilidade para redirecionamento das exportações, enquanto outros segmentos enfrentam desafios maiores. “O agro sofre menos do que a indústria porque já tem mercados alternativos. A soja você consegue redirecionar rapidamente e a carne bovina também ficou excepcionada”, destacou.

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Ainda assim, Chaves vê pontos de atenção importantes. O etanol aparece entre as principais preocupações devido à forte concorrência entre Brasil e Estados Unidos no mercado global de biocombustíveis. “Os Estados Unidos são o maior produtor mundial de biocombustível e o Brasil é o segundo maior. Então são duas potências quando a gente fala de biocombustíveis”, observou.

Escala dificulta reação

O economista ressaltou que alguns produtos podem enfrentar mais dificuldades para encontrar novos compradores em caso de restrições comerciais.

Celulose, etanol, suco de laranja e café operam em escalas muito elevadas, o que torna mais complexo o redirecionamento das vendas para outros mercados. “Quando você tem uma escala muito grande fica mais difícil redirecionar. Claro que sempre é possível encontrar novos parceiros, mas isso não acontece sem perdas”, afirmou.

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Segundo ele, o Brasil ocupa posição estratégica no abastecimento global de alimentos, mas mudanças bruscas nas rotas comerciais tendem a gerar custos adicionais de logística e novas negociações com importadores.

“É muito difícil redirecionar sem perdas. Você pode achar um mercado alternativo, mas paga mais frete e precisa construir novas relações comerciais”, explicou.

Relações de longo prazo

Além do agronegócio, Chaves alertou para os impactos sobre segmentos industriais que dependem de contratos consolidados com clientes americanos.

Setores como autopeças, aço e alumínio possuem relações comerciais de longo prazo e encontram maior dificuldade para substituir mercados em curto espaço de tempo. “São indústrias que se estabeleceram com relações de longo prazo e não têm para quem redirecionar rapidamente suas exportações”, afirmou.

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Para o professor, transformar uma disputa comercial em embate político pode ampliar os custos econômicos para o Brasil. “É um assunto econômico muito sério para a gente estar levando essa pauta como uma pauta política”, avaliou.

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Ganho econômico

Na avaliação de Chaves, a principal oportunidade para o Brasil está em fortalecer as conexões comerciais já existentes e buscar soluções negociadas entre empresas e governos.

O especialista citou o mercado de café como exemplo de uma cadeia construída ao longo de muitos anos, baseada em qualidade, marca e relacionamento comercial. “Os importadores americanos já demonstraram em vários momentos a importância de manter essas cadeias funcionando”, observou.

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Para ele, qualquer tentativa de transformar a disputa em ganho político tende a trazer resultados negativos para a economia. “A gente tem que tirar proveito econômico dessa situação. Se ficar tentando tirar proveito político, isso vai sair muito caro para os brasileiros”, afirmou.

Chaves defendeu que Brasil e Estados Unidos retomem uma agenda pragmática de negociações comerciais. “A gente precisa sentar à mesa e construir um ganha-ganha do comércio internacional, e não um perde-perde econômico”, concluiu.

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