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Setor de biodiesel aposta em certificação independente para reforçar confiança no mercado, diz Tiago Pereira, diretor técnico da APROBIO

Publicado 05/11/2026 • 19:14 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Tiago Pereira, diretor técnico da APROBIO, afirma que o selo SuperBio Mais estabelece critérios de qualidade e sustentabilidade mais rigorosos que os previstos na resolução 920 da ANP.
  • Onze usinas já foram certificadas, o equivalente a cerca de 19% das unidades autorizadas pela agência; outras sete demonstraram interesse.
  • Setor aposta na ampliação da mistura de biodiesel para B20 e B25, mas destaca a necessidade de segurança jurídica e previsibilidade regulatória para viabilizar investimentos.

O setor de biodiesel lançou uma nova certificação voluntária para estabelecer critérios de qualidade mais rigorosos que os exigidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O selo SuperBio Mais, iniciativa da Aliança Biodiesel, formada pela Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO) e pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), busca ampliar a transparência e a confiança no mercado.

Em entrevista, Tiago Pereira, diretor técnico da APROBIO, explicou que a certificação reúne iniciativas que antes eram conduzidas separadamente pelas duas entidades. A proposta é complementar a fiscalização da ANP, sem substituir as atribuições da agência.

O selo adota parâmetros mais restritivos que os estabelecidos pela resolução 920 da ANP e amplia o escopo das avaliações. Além das características do biodiesel, o processo considera a gestão da qualidade e da sustentabilidade, os procedimentos de produção, a verificação do produto e a expedição.

“Não olhamos somente para o biodiesel em si, mas sim para a gestão da qualidade e sustentabilidade, gestão da produção, verificação do produto, expedição. É um pacote mais completo”.

A avaliação independente é conduzida pelo Instituto da Qualidade Automotiva (IQA), escolhido pela experiência no setor automotivo. A certificação tem validade de dois anos, com acompanhamentos anuais para verificar a manutenção dos padrões exigidos.

O processo inclui coleta de amostras e inspeções presenciais nas usinas. Caso os requisitos não sejam cumpridos, a unidade pode perder o certificado. O andamento das certificações e a relação das empresas habilitadas ficam disponíveis no site oficial do SuperBio Mais.

Até o momento da entrevista, 11 usinas haviam concluído o processo, o equivalente a aproximadamente 19% do total de unidades autorizadas pela ANP. Outras sete produtoras já manifestaram interesse em aderir. A ADM foi a primeira usina a obter o selo.

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Pereira afirmou que a prioridade agora é ampliar a participação das empresas e apresentar ao mercado o significado da certificação. Ele também ressaltou que a iniciativa não pretende elevar preços nem criar barreiras de acesso ao produto.

“Queremos oferecer ao mercado uma referência adicional de qualidade, uma referência adicional à que a ANP já promove, com critérios estabelecidos e uma avaliação independente pelo IQA”.

Mistura de biodiesel e segurança regulatória

A certificação também integra um movimento mais amplo de fortalecimento da indústria brasileira de biocombustíveis. Pereira destacou que o país conduz, em parceria com o governo, o que classificou como o maior programa de testes de biodiesel do mundo, com o objetivo de viabilizar tecnicamente o aumento gradual da mistura obrigatória.

A agenda está relacionada às metas previstas na Lei do Combustível do Futuro, que contempla a elevação da mistura para B20 e B25. O diretor técnico da APROBIO afirmou que a especificação brasileira já está entre as mais rigorosas do mundo e que o novo selo busca elevar ainda mais os padrões de qualidade.

Para o setor, a ampliação do consumo depende da manutenção de um ambiente regulatório previsível. “O que a gente precisa observar é justamente a segurança jurídica para que esses investimentos aconteçam, para que isso gere uma demanda para o nosso biodiesel”.

A expectativa da indústria é que o cronograma de aumento da mistura seja cumprido, abrindo espaço para novos investimentos e ampliando a demanda por biocombustíveis no país.

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