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Entrelinhas de Mercado: CI&T aposta em inteligência artificial como apostou na internet há 30 anos
Publicado 14/07/2026 • 22:18 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 14/07/2026 • 22:18 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A inteligência artificial representa a maior transformação tecnológica já vivida pela indústria de software e talvez da própria economia. Essa é a avaliação de César Gon, fundador da CI&T, empresa brasileira que construiu uma operação global ao longo de três décadas e agora reposiciona toda a organização para um mundo movido por IA.
Em entrevista ao Entrelinhas de Mercado, do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o executivo afirma que a companhia nasceu justamente em outro momento de ruptura tecnológica: a chegada da internet comercial. E que desde então, atravessou sucessivas ondas de transformação até chegar ao atual ciclo da inteligência artificial.
Ele destaca a velocidade e o alcance da tecnologia sobre todos os setores da economia. “Estamos falando de algo absolutamente sem precedentes. Não só na história da tecnologia ou da computação, mas na história do mundo”, afirma.
Para Gon, a IA não representa apenas mais uma evolução tecnológica, mas uma plataforma capaz de transformar qualquer atividade humana. Diferentemente das revoluções anteriores, a mudança ocorre em ritmo exponencial, impulsionada por modelos que passam a evoluir utilizando a própria inteligência artificial.
Ao longo dos últimos 30 anos, a estratégia da CI&T sempre foi construir uma empresa global. Segundo o executivo, atuar desde cedo no mercado americano elevou o nível de exigência da companhia e ajudou a desenvolver uma cultura de inovação contínua.
“Nada do que a gente faz hoje vai fazer sentido muito rápido. Então a gente tem que se reinventar de ponta a ponta. O jeito que a gente trabalha e o jeito que a gente gera valor para os clientes”, explica.
Na prática, isso significa rever processos, estruturas organizacionais e até funções tradicionais da indústria de tecnologia. Para Gon, muitas atividades deixam de existir da forma como são conhecidas atualmente.
Um exemplo é o desenvolvimento de software. Segundo ele, a inteligência artificial já permite incorporar qualidade diretamente durante a programação, reduzindo drasticamente a necessidade de etapas tradicionais de testes.
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Siga o Times | CNBCNa avaliação do executivo, o maior erro das empresas é tratar a inteligência artificial apenas como um projeto de tecnologia. Para ele, a mudança exige uma transformação organizacional liderada pela alta administração e acompanhada por uma profunda reinvenção profissional.
“Não tem como a gente olhar daqui a 5 anos e achar que vai estar fazendo ou trabalhando do mesmo jeito que você trabalha hoje”, explica.
A CI&T iniciou esse movimento ainda no começo de 2023. Além de criar programas de requalificação para milhares de colaboradores, a empresa lançou uma iniciativa voltada exclusivamente para formar profissionais nativos em inteligência artificial.
A empresa pretende repetir a fórmula. Foram abertas 200 vagas de estágio que atraíram cerca de 17 mil candidatos. O objetivo foi preparar talentos para funções que ainda estão sendo construídas. “Não podemos colocar os talentos de amanhã nos empregos de ontem”, explicou.
Segundo Gon, nesse novo cenário, características como velocidade de aprendizado, capacidade de adaptação e senso crítico passam a ser mais importantes do que o domínio técnico isolado.
O executivo alerta, inclusive, para o risco de profissionais passarem a aceitar automaticamente todas as respostas produzidas pela inteligência artificial, abrindo mão da própria capacidade de julgamento.
Ao olhar para o futuro, Gon acredita que o principal diferencial competitivo continuará sendo a capacidade de adaptação. Principalmente com as vantagens que o Brasil oferece, como uma ampla base de talentos em tecnologia e uma característica cultural que facilita a atuação em mercados internacionais.
O brasileiro tem uma adaptabilidade cultural que é inata. Quando você vai para uma nova geografia, um mercado, você precisa dos especialistas locais, pessoas que entendam os segmentos, a cultura, etc. Mas você precisa levar o seu DNA. Eu acho que é uma força secreta nossa”, afirma.
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