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Entrelinhas de Mercado: Gerando Falcões usa IA para acelerar saída da pobreza, diz Edu Lyra
Publicado 02/06/2026 • 22:32 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 02/06/2026 • 22:32 | Atualizado há 1 hora
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A inteligência artificial pode acelerar a saída de famílias da pobreza ao reduzir burocracias, aumentar a produtividade de mentores sociais e direcionar melhor recursos para quem mais precisa. É o que afirmou Edu Lyra, fundador e CEO da Gerando Falcões, no Entrelinhas de Mercado, programa do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC apresentado por Junior Borneli.
Segundo Lyra, a tecnologia tem permitido ampliar o alcance da organização no acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade. Antes, um mentor conseguia cuidar de cerca de 70 famílias. Com IA, disse ele, esse número pode chegar a 200 ou 300.
“A IA consegue fazer uma parte muito burocrática do trabalho que ele fazia, desde subir informação na plataforma, preencher documento”, afirmou.
A Gerando Falcões completa 15 anos em 2026 e atua em todos os estados brasileiros, com impacto em mais de 5 mil favelas, segundo Lyra. Durante a pandemia, a organização mobilizou mais de R$ 50 milhões e ajudou a alimentar mais de 1,5 milhão de pessoas por mais de seis meses.
“A Gerando Falcões existe para liderar projetos estruturados de transformação social e fazer as pessoas atingirem a autossuficiência, fazerem as pessoas atingirem o patamar de dignidade”, disse.
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Lyra afirmou que a missão da organização é “transformar pobreza em dignidade” e defendeu que o combate à miséria precisa combinar gestão, tecnologia, inovação e escala.
“Fazer pequeno é bonito, mas grande é necessário num país que tem dilemas e desafios tão grandes”, afirmou.
O principal programa da organização é o Decolagem, plataforma de transformação social em que mentores acompanham famílias ao longo de uma jornada de até dois anos. O processo começa com o chamado dignômetro, ferramenta que mede diferentes dimensões da pobreza por meio de perguntas sobre alimentação, moradia, renda, conta bancária, reserva financeira e risco habitacional.
Segundo Lyra, esse diagnóstico permite transformar carências em metas sociais e econômicas. A partir daí, a Gerando Falcões direciona ações como empregabilidade, microcrédito, formação, apoio habitacional e acesso a serviços básicos.
“A gente começa a pegar esses gaps e transformar em metas sociais e econômicas para essa chefe familiar”, afirmou.
O fundador da Gerando Falcões disse que a organização prioriza o trabalho com mulheres chefes de família porque o impacto sobre crianças tende a ser mais rápido.
“A forma mais rápida de tirar uma criança da pobreza é botar dinheiro no bolso da mãe dela”, afirmou.
Lyra disse que a IA também ajuda a automatizar a prestação de contas a doadores e empresas apoiadoras, reduzindo custos administrativos e acelerando o acompanhamento de indicadores de impacto.
“Você consegue fazer prestação de contas de forma automatizada”, disse. “Isso cria muito mais celeridade e diminui o custo de impacto.”
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Outro uso da tecnologia está na identificação de lacunas de conhecimento e apoio emocional. Segundo Lyra, cada família tem obstáculos específicos para superar a pobreza, e a IA pode ajudar a organizar conteúdos, orientar mentores e personalizar jornadas.
“As pessoas aprendem a ser pobres. Elas podem também aprender a sair da pobreza. A IA pode acelerar isso de uma forma extraordinária”, afirmou.
Perguntado sobre o risco de a inteligência artificial ampliar desigualdades ou substituir empregos, Lyra disse que, até agora, a tecnologia tem acelerado os processos internos da Gerando Falcões. Para ele, o ponto central está nas decisões humanas sobre como a IA será usada.
“O mais importante são as decisões que os humanos vão tomar em relação à IA”, disse. “Se a gente usa IA para melhorar, eliminar as coisas que a gente não faz tão bem do ponto de vista burocrático e liberar nosso tempo para estar com as pessoas, eu acho isso absolutamente incrível.”
Lyra também afirmou que a superação da pobreza depende de acompanhamento humano. Segundo ele, a tecnologia pode organizar dados e processos, mas não substitui a presença de alguém capaz de orientar, inspirar e manter uma família dentro da jornada de transformação.
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Seguir no Google“Ela precisa de alguém não para tirá-la da pobreza, porque ela tem que aprender a sair, senão ela volta depois. Mas alguém para guiá-la, alguém para inspirá-la”, afirmou.
O fundador da Gerando Falcões defendeu que o contrário da pobreza não é riqueza, mas dignidade.
“Não dá para todo mundo ser rico no Brasil. O contrário de pobreza é dignidade”, disse. “É possível todo mundo ter uma vida digna no Brasil.”
Lyra disse que a Gerando Falcões quer tirar 1 milhão de pessoas da pobreza nos próximos anos por meio do Fundo Dignidade, criado com apoio da Fundação Lemann. Segundo ele, a meta é levantar R$ 100 milhões; para cada real mobilizado, a fundação coloca R$ 1,50, formando um fundo de R$ 250 milhões.
Ele afirmou que Jorge Paulo Lemann foi uma das principais referências na construção da visão de escala da organização.
“O Lemann me deu mais do que dinheiro. Ele me deu uma mentalidade”, disse. “Você pode cuidar da sua favela ou pode cuidar de todas as favelas do Brasil.”
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Para o futuro, Lyra disse que a Gerando Falcões quer se tornar um negócio social mais sustentável. Hoje, segundo ele, 80% da receita vem de filantropia e 20% de negócios sociais. A meta é inverter essa lógica, sem reduzir a filantropia.
“A gente quer tornar a Gerando Falcões um social business muito bem-sucedido”, afirmou.
Segundo Lyra, o objetivo é construir uma organização capaz de sobreviver à sua própria liderança e deixar um legado de dignidade na América Latina.
“Quando eu não estiver mais aqui, e esse dia vai chegar, ela continue, se perpetue e deixe um legado descomunal de dignidade na América Latina”, disse.
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