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Entrelinhas de Mercado: CEO do Mercado Livre diz que tirar foco da América Latina seria distração

Publicado 12/05/2026 • 22:24 | Atualizado há 9 minutos

KEY POINTS

  • Fernando Yunes afirma que o Mercado Livre ainda vê grande potencial de crescimento em commerce, fintech e publicidade na América Latina.
  • Segundo o CEO, o Mercado Pago já transaciona fora do ecossistema quase quatro vezes mais do que dentro do marketplace.
  • Executivo diz que logística rápida, IA e formalização de vendedores foram decisivas para ampliar a confiança na plataforma.

A América Latina ainda concentra potencial suficiente de crescimento para o Mercado Livre em comércio eletrônico, serviços financeiros e publicidade. É o que afirmou Fernando Yunes, CEO do Mercado Livre no Brasil, no Entrelinhas de Mercado, programa do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC apresentado por Junior Borneli.

Segundo Yunes, a empresa não pretende seguir, neste momento, o caminho de expansão para mercados como os Estados Unidos. Para ele, entrar em novas geografias exigiria reconstruir do zero a base de compradores, vendedores e logística.

“Seria uma distração entrar em outros países”, disse. “A gente teria que começar do zero os dois lados do ecossistema: trazer buyers, trazer sellers, construir uma logística. Isso demandaria muito recurso que a gente está priorizando alocar aqui na América Latina.”

O executivo afirmou que o Mercado Livre atua em três grandes frentes: commerce, fintech e publicidade. A tecnologia, disse ele, é uma habilitadora para entregar soluções nessas áreas, mas a companhia se define principalmente como uma empresa de produtos e soluções.

“Mercado Livre é uma empresa de produto, apesar de atuar com tecnologia. Tecnologia é um enabler para a gente entregar soluções cada vez melhores”, afirmou.

Yunes disse que o Mercado Pago nasceu para resolver uma fricção do comércio eletrônico: a insegurança entre comprador e vendedor no momento da transação. Com o tempo, o braço financeiro se expandiu para fora da plataforma.

Segundo ele, o volume transacionado pelo Mercado Pago fora do ecossistema do Mercado Livre já é quase quatro vezes maior do que o volume transacionado dentro do marketplace.

“É um negócio que é quatro vezes maior fora do que dentro do ecossistema”, disse.

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Na publicidade, Yunes afirmou que o Mercado Ads também passou por uma expansão. Inicialmente voltado à performance de vendas dentro da plataforma, o negócio avançou para formatos de display, vídeo e awareness para marcas. Agora, segundo o executivo, começa a atuar também fora do ecossistema, com parcerias como a Disney.

O CEO afirmou que a base de clientes do Mercado Livre tornou a plataforma um canal relevante para grandes marcas. Hoje, são mais de 3.500 marcas com lojas oficiais dentro do marketplace, vendendo para cerca de 80 milhões de compradores no Brasil.

“Vai desde marcas icônicas e grandes até pequenas e médias empresas”, disse.

Yunes citou o exemplo de pequenos vendedores fora dos grandes centros, que podem usar a logística do Mercado Livre para acessar consumidores em todo o país. Segundo ele, um vendedor no Piauí pode colocar produtos na plataforma e alcançar compradores em São Paulo com prazo curto de entrega.

O executivo disse que o sucesso de um vendedor dentro da plataforma depende de fatores básicos, como boa descrição do produto, preço competitivo, entrega rápida e atendimento eficiente no pós-venda.

Segundo Yunes, produtos com vídeo têm desempenho muito superior aos anúncios com apenas fotos.

“O produto, quando tem um clipe, gera cinco vezes mais visitas do que os produtos que só têm fotos”, afirmou.

A logística, disse ele, tornou-se uma das principais alavancas de expansão do comércio eletrônico. Para Yunes, entregas mais rápidas não servem apenas como ferramenta de competição, mas ampliam o tamanho do mercado acessível.

“Quanto mais rápida a logística, maior é o tamanho do mercado”, afirmou. “Se entrega no mesmo dia ou no dia seguinte, o mercado é bem maior, muito mais gente vai querer comprar.”

O executivo disse que o Mercado Livre usa inteligência artificial há mais de 15 anos, inicialmente em modelos de crédito do Mercado Pago, roteirização logística e prevenção a fraudes. Agora, afirmou, há uma aceleração no uso de IA para produtividade e atendimento direto ao cliente.

No Mercado Pago, segundo Yunes, um assistente virtual já atua em mais de 90 casos de uso. No marketplace, a companhia trabalha em agentes para conversar com consumidores, melhorar buscas e apoiar vendedores.

“Quando o vendedor publica uma foto, com inteligência artificial a gente já melhora aquela foto, coloca sugestões de ambientação”, disse.

Yunes afirmou que a empresa ainda vê grande potencial para personalizar interações com base no volume de dados do Mercado Livre e do Mercado Pago.

“Vem uma personalização cada vez maior das interações”, afirmou.

Ao falar sobre confiança, o CEO disse que a marca começou a se distanciar de outros players por volta de 2021 e 2022, período em que o Mercado Livre avançou na formalização da plataforma, no aumento de marcas oficiais e na melhoria da logística.

Segundo ele, a companhia retirou 250 mil vendedores que não eram formais da plataforma. Hoje, nenhum vendedor pode participar da logística do Mercado Livre sem ser uma empresa, e os produtos vendidos dentro da logística saem com nota fiscal.

“A gente tomou uma decisão de formalizar a plataforma”, afirmou. “Com isso, saíram 250 mil vendedores, e eram vendedores que acabavam tendo mais problema também com os clientes.”

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Yunes também citou o programa Compra Garantida e a rede de mais de 5.000 agências do Mercado Livre no Brasil como fatores que fortaleceram a confiança do consumidor. Segundo ele, o cliente pode devolver um produto por qualquer motivo e receber o dinheiro no Mercado Pago na mesma hora.

Para o executivo, o pensamento de longo prazo é um valor central da companhia. Ele afirmou que o Mercado Livre não opera com foco apenas no trimestre ou no resultado de curto prazo, porque isso poderia comprometer oportunidades futuras.

“A gente não opera a empresa pensando no trimestre, pensando no curto prazo, porque seria uma forma de abrir mão do longo prazo”, disse.

Yunes afirmou que o comércio eletrônico ainda tem baixa penetração no Brasil e na América Latina, o que sustenta a estratégia de crescimento regional. Segundo ele, o e-commerce representa cerca de 16% a 17% do varejo no Brasil, contra 25% nos Estados Unidos, 35% na China e patamares de 30% a 40% em alguns países europeus.

“O potencial de crescimento do Brasil e da América Latina é muito grande”, afirmou.

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