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Entrelinhas de Mercado: Revolut vê Brasil como prioridade em expansão global, diz CEO Glauber Mota

Publicado 09/06/2026 • 22:56 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Glauber Mota afirmou que o Brasil ganhou prioridade dentro da Revolut ao mostrar potencial de crescimento e bons indicadores operacionais.
  • CEO disse que a empresa quer competir com eficiência operacional, menor custo para o cliente e crescimento por recomendação.
  • Executivo afirmou que um IPO é o caminho natural da Revolut, mas disse que a empresa não depende da abertura de capital para crescer.

A Revolut vê o Brasil como um mercado prioritário em sua estratégia global de expansão. É o que afirmou Glauber Mota, CEO da companhia no país, em participação no Entrelinhas de Mercado, programa do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC apresentado por Junior Borneli.

Segundo Mota, a operação brasileira precisou disputar recursos e prioridade dentro da própria estrutura global da Revolut, que atua em dezenas de países. Para isso, a equipe local teve de demonstrar que o Brasil era um mercado relevante, competitivo e com potencial de crescimento.

“A minha competição real era contra os outros países da Revolut que também estavam brigando por recursos, por priorização e por espaço para lançar seus produtos mais rápido”, afirmou.

O executivo disse que a estratégia inicial passou por lançar produtos de nicho, como conta multimoedas no exterior e uma plataforma simplificada de criptoativos, para testar aceitação, unit economics e retorno operacional no país.

Segundo ele, os resultados ajudaram a convencer a matriz de que novos investimentos deveriam vir primeiro para o Brasil, antes de outros mercados.

“A gente conseguiu convencer com trabalho e com números que o Brasil é um mercado relevante para a empresa”, disse.

Mota afirmou que a Revolut entrou no Brasil em um ambiente regulatório favorável à competição, construído pelo Banco Central nos últimos anos. Segundo ele, esse cenário permitiu que estrangeiros pudessem se estabelecer no país como instituições locais reguladas, e não apenas como bancos estrangeiros operando no mercado brasileiro.

“É uma instituição brasileira com uma tecnologia e um capital global, mas não uma instituição estrangeira se estabelecendo no Brasil”, afirmou.

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O CEO disse que essa visão local foi decisiva para adaptar o produto ao comportamento do consumidor brasileiro. Um exemplo citado foi a entrada recente da Revolut como participante primário do Pix, o que permitiu à plataforma oferecer pagamentos e transferências pelo sistema aos clientes no Brasil.

Segundo Mota, o Pix rapidamente ganhou liderança entre os meios de pagamento alternativos usados pelos clientes da plataforma no Brasil, em volume e engajamento.

“Só acontece no Brasil. Não existe Pix em outro lugar”, afirmou.

A estratégia da Revolut, segundo o executivo, é combinar tecnologia global com adaptação local. Ele comparou a experiência do aplicativo a grandes plataformas digitais globais, em que o usuário encontra uma interface semelhante em diferentes países, com ajustes específicos para cada mercado.

No Brasil, por exemplo, a conta combina reais, multimoedas, Pix, pagamentos de boletos, cartão para uso local e internacional, investimentos, criptoativos e pacotes de benefícios.

Mota disse que a Revolut busca funcionar como uma plataforma financeira global, com experiência semelhante em qualquer país. Para ele, o objetivo é reduzir fricções para quem usa serviços financeiros no Brasil ou no exterior.

“O cliente brasileiro que tem a conta Revolut tem acesso à conta em reais e à conta multimoedas em várias moedas do mundo, acesso a investimentos e vai usar a solução dele no Brasil ou no exterior como se fosse local”, afirmou.

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Produto antes de propaganda

O executivo disse que a Revolut não investe de forma relevante em propaganda. A estratégia, segundo ele, é concentrar recursos no produto, oferecer menor custo e apostar na recomendação dos próprios clientes.

“A gente não investe em propaganda, pelo menos de maneira relevante, mas investe muito no produto”, afirmou.

Segundo Mota, esse modelo torna o crescimento mais lento em termos de reconhecimento de marca, mas fortalece a experiência do usuário. A aposta é que clientes satisfeitos atraiam novos clientes.

“A gente tem que continuar investindo no produto, fazê-lo tão bom que vai ser inevitável as pessoas ouvirem a Revolut”, disse.

Eficiência e escala global

O CEO afirmou que a estrutura global da companhia permite operar no Brasil com um time enxuto. Segundo ele, a Revolut tem cerca de 50 pessoas no país, apoiadas por tecnologia e equipes internacionais.

Para Mota, essa eficiência operacional é parte da vantagem competitiva da empresa. A economia gerada pelo baixo custo de servir, disse ele, pode ser repassada ao cliente em forma de taxas menores, câmbio mais competitivo e benefícios.

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“Essa é a nossa estratégia, essa é a nossa vantagem competitiva”, afirmou.

O executivo disse que a Revolut já é lucrativa globalmente e que esse resultado reflete uma mudança de estratégia no setor de fintechs após 2021. Segundo ele, o mercado passou a ter menos tolerância a empresas que crescem queimando caixa.

“A tolerância dos investidores para empresas que queimam caixa caiu”, afirmou.

Mota disse que a Revolut precisou provar que seu modelo era sustentável mesmo sem depender de novas rodadas de capital. Hoje, segundo ele, a empresa atua em 40 países e tem 53 milhões de clientes, mas ainda vê espaço relevante para expansão.

“A gente está em 40 países, tem 53 milhões de clientes, e é como se estivesse arranhando a superfície em cada uma dessas localidades”, disse.

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Caminho para IPO

O CEO também afirmou que a abertura de capital é o caminho natural da companhia, embora não seja necessária para sustentar o crescimento atual.

“A gente não depende de um IPO para continuar crescendo”, afirmou.

Segundo Mota, a empresa está se preparando para uma eventual oferta pública inicial, mas ainda não há data nem mercado definidos para a operação. Ele disse que o IPO pode trazer mais governança, credibilidade e eficiência de capital para avanços em novas frentes, como crédito.

“É um caminho natural que a empresa faça um IPO num horizonte de tempo que não deve ser tão grande assim”, afirmou.

Mota também contou que sua trajetória até a Revolut passou por bancos tradicionais, experiências internacionais e pelo contato com a própria plataforma como cliente. Segundo ele, a entrada no mundo das fintechs foi uma evolução natural de sua carreira e da transformação do mercado financeiro.

“Eu já era um cliente que gostava desse tipo de inovação”, disse.

Antes de assumir a operação brasileira, Mota trabalhou em projetos de banco digital e chegou a visitar a Revolut para entender o modelo da companhia. Anos depois, foi convidado a liderar a chegada da empresa ao Brasil.

“Eu tive a feliz oportunidade de me juntar ao meu benchmark e poder ajudar a Revolut a construir esse produto no Brasil também”, afirmou.

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