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EXCLUSIVO: fóruns na deep web negociam fintechs prontas para operar para o crime organizado por até R$ 2 milhões

Publicado 18/09/2026 • 13:00 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • Sistemas são negociados em fóruns da deep web e valores vão de R$ 50 a R$ 2 milhões.
  • Criminosos usam a estrutura de banking as a service (BaaS) para substituir os antigos laranjas para criar contras falsas.
  • Advogado afirma que Banco avanços do BC contra as chamadas "contas bolsão" são importantes, mas que existe falta de regulação na hora de abrir um CNPJ.
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A evolução tecnológica e a sofisticação do sistema financeiro brasileiro trouxeram avanços em transações em tempo real, mas também geraram o efeito colateral de impulsionar novas técnicas de fraudes digitais. Um levantamento da Apura Cyber Intelligence obtido com exclusividade pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC revela que fóruns da Deep Web e Dark Web deixaram de comercializar apenas dados vazados para oferecer fintechs inteiras prontas para operar fraudes por até R$ 2 milhões.

De acordo com levantamento, as chamadas “Crimtechs” negociadas nesses ambientes entrega aos compradores uma estrutura completa que inclui CNPJ ativo, contas bancárias, chaves Pix e acessos a sistemas prontos mediante o pagamento de uma taxa ou mensalidade.

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Da caça aos laranjas ao ‘O Banco é Nosso’

Os sistemas conhecidos como Banking as a Service (BaaS) aproveitam do Pix e do Open Finance para substituir a busca pelos famosos laranjas. O que antigamente tinha que ser feito de forma manual, hoje é oferecido em pacotes com milhares de dados. 

O COO da Apura, Nilson Oliveira, explica que isso significa um salto do quanto de dinheiro pode ser movimentado por gangues ligadas ao crime organizado. “Antes era difícil, eles tinham que aliciar os laranjas de uma forma individual. Hoje eles podem ter basicamente um bando à disposição”, contou. 

“O criminoso agora faz as contas: em vez de investir tempo em milhares de pequenos golpes contra pessoas físicas, ele prefere atingir um único alvo estrutural ou operar com escala corporativa” 

A praticidade do esquema foi registrada em vídeos nos quais fraudadores comemoram a eliminação do recrutamento tradicional: “não precisa mais se preocupar em pegar laranja, agora o banco é nosso”. 

Telas de anúncios em fóruns da deep web Foto: Apura Cyber Intelligence

Feirão de serviços: pacotes vão de R$ 50 a R$ 2 Milhões

As contas fraudulentas servem a múltiplos propósitos na engrenagem do crime, atuando como contas de passagem para pulverizar o dinheiro ou como destino final de extorsões e golpes aplicados via mensagens falsas no WhatsApp ou os famosos trotes que solitam valores a familiares. O valor cobrado por essas infraestruturas no submundo varia conforme sua capacidade operatória, longevidade e resistência aos filtros antifraude:

Estruturas simples e descartáveis: Custam cerca de R$ 50 por mês ou cobram um percentual sobre as movimentações. Como são registradas em CPFs individuais, possuem restrições operacionais rígidas, a exemplo do limite de R$ 15 mil para transações nos finais de semana.

Empresas estabelecidas e CNPJs corporativos: Comercializadas por até R$ 2 milhões. Por apresentarem históricos empresariais e CNAEs específicos que não possuem travas automáticas de recebimento, esses CNPJs são adquiridos para operacionalizar megafraudes que variam de R$ 50 milhões a R$ 300 milhões.

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O dinamismo do submundo precifica também os dados brutos roubados: lotes de cartões de crédito recém-capturados e já testados possuem valor substancialmente superior aos pacotes de dados sem verificação prévia.

Negociações acontecem em fóruns 

As negociações ocorrem principalmente em grupos privados no Telegram, Signal e em fóruns da Deep e Dark Web, que não podem ser facilmente rastreados.

O ecossistema clandestino reproduz dinâmicas de mercados formais, contando com fornecedores especializados, concorrência, divisão de tarefas e busca por reputação.

Existe inclusive o que especialistas definem como uma “ética entre os antiéticos”. Os vendedores que entregam os sistemas conforme prometido ganham credibilidade na comunidade, enquanto caloteiros internos – apelidados de “lotters” – são expostos e caçados pelos próprios pares.

O principal acelerador dessa nova engrenagem é a inteligência artificial, utilizada por cibercriminosos para varrer vulnerabilidades técnicas, automatizar etapas de ataques e criar aplicativos fraudulentos. Essa capacidade de adaptação ágil, sem necessidade de ciclos corporativos de aprovação ou orçamento, representa um dos maiores desafios para a defesa cibernética.

BC age contra o crime, mas juntas comerciais mantém “porta aberta”

Embora o Banco Central tenha fechado brechas regulatórias importantes – como a limitação de Pix e TED para instituições não autorizadas e o fim das “contas bolsão” irregulares -, a principal vulnerabilidade migrou para a origem das pessoas jurídicas: o registro comercial.

Arthur Oliveira, Diretor Jurídico APURA, aponta que algumas brechas na legislação dificultam o combate a esse tipo de crime. 

No Brasil, a abertura de uma empresa não exige a verificação presencial do beneficiário final nem o cruzamento de dados com biometria no momento da constituição na Junta Comercial. Qualquer pessoa de posse de um certificado digital consegue abrir uma empresa quase instantaneamente, permitindo a produção em escala de CNPJs de fachada.

Para agravar o cenário, a legislação recente apresentou distorções operacionais ao tentar conter o problema. A Lei Antifacção, sancionada em março, previu a suspensão por 180 dias de empresas usadas para esconder crimes, mas limitou a medida a um delito específico.

“O legislador amarrou isso a um crime específico, a receptação, e deixou de fora justamente a empresa de fachada criada para fraude eletrônica e lavagem. Criaram o remédio e erraram a bula”, explicou. 

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