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Infraestrutura

Nordeste soma 30 projetos de data centers com fartura de energia limpa, mas enfrenta gargalo de transmissão

Publicado 16/09/2026 • 11:15 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Nordeste tem demanda de 8,3 gigawatts em 30 projetos de data centers mapeados pela EPE até 2038
  • Redata zera tributos de importação de equipamentos para data centers e deve custar R$ 7,5 bilhões em três anos
  • Falta de mão de obra especializada e gargalo na rede de transmissão ameaçam ritmo dos projetos no Nordeste
Energia eólica pode deixar conta de luz mais cara? Entenda

Foto: unsplash

Energia eólica pode deixar conta de luz mais cara? Entenda

A região Nordeste soma 30 projetos de data centers em fase de estudo, atraídos pela fartura de energia limpa da região, mas o crescimento da demanda esbarra no gargalo da rede de transmissão, segundo estudo prospectivo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Os projetos mapeados pela EPE somam demanda conjunta de 8,3 gigawatts até 2038 só na região. No mesmo horizonte, a cadeia de hidrogênio, outra atividade intensiva em eletricidade, tem interesse declarado em 21 projetos e 26,7 gigawatts de potência, o que amplia a disputa por espaço na rede nordestina.

Camylla Melo, especialista do núcleo de energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, resume o apelo da região com uma comparação direta. “A gente faz um casamento perfeito aqui quando a gente pensa em energia em abundância, conectividade com os cabos submarinos que chegam à Praia do Futuro, quando a gente pensa no porto”, afirma.

Para Melo, o custo elevado da energia é o que mais pesa na conta de um data center. “O maior custo que temos hoje no data center é a energia. Então, a gente incentivar que essa energia utilizada seja renovável vai no caminho da transição energética como um todo. O Ceará tem energia eólica, solar, abundante”, diz.

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Energia do Nordeste não garante conexão automática

Nem toda essa fartura, porém, se traduz automaticamente em capacidade de atendimento, pondera Márcio Pinheiro, empresário com mais de duas décadas de atuação nos setores de energia e infraestrutura. “O Brasil possui grande potencial de geração, especialmente por fontes renováveis, mas isso não significa que toda essa energia esteja disponível no local e no momento em que um data center precisa. A conexão depende da capacidade das linhas, das subestações e da estabilidade do sistema”, afirma.

Reinaldo Garcia, diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, avalia que os projetos representam “uma grande oportunidade para o desenvolvimento econômico, a inovação e a atração de investimentos para o Brasil”, mas pondera que também impõem o desafio de “preparar o sistema elétrico para atender essas novas demandas com segurança, com eficiência e racionalidade econômica, considerando que muitos desses projetos ainda possuem elevado grau de incerteza”.

Estudos da EPE já indicam o caminho para destravar parte desse gargalo. Em São Paulo, por exemplo, foram recomendados cerca de R$ 1,6 bilhão em obras de transmissão capazes de abrir margem de conexão próxima de 4 gigawatts, com reforços em análise que podem somar outros 5 gigawatts. No Nordeste, a alternativa considerada vencedora pela EPE concentra empreendimentos no Piauí, no Ceará e no Rio Grande do Norte.

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Redata reduz custo de equipamentos

Para acelerar a instalação desses empreendimentos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (15) o Redata, programa que zera tributos cobrados na compra e na importação de equipamentos de tecnologia para data centers. A medida deve custar R$ 7,5 bilhões aos cofres públicos em três anos.

Em troca dos benefícios, as empresas terão de garantir que a energia consumida pelos projetos venha de fontes renováveis ou de baixa emissão. Frederico de Siqueira Filho, ministro das Comunicações, explica a lógica por trás do incentivo.

“Esse é um projeto construído com o setor produtivo. Era uma barreira de entrada essa questão dos custos de importação de equipamentos. O que queremos também é ampliar a indústria nacional com incentivos adicionais para que ela também possa melhorar e fazer suas inovações, para que possamos competir de igual para igual com competidores internacionais”, afirma.

A intermitência das fontes renováveis também está no radar do governo. Siqueira Filho lembra que o suprimento de energia limpa precisa ser combinado com fontes que não dependem do sol ou do vento, como a biomassa e as hidrelétricas, além do uso futuro de baterias.

“O governo está preocupado com a estabilidade energética do país. Por isso, teremos um leilão no fim do ano para baterias. Já existe tecnologia para isso”, diz.

Formação de mão de obra especializada no Nordeste

Resolvido o entrave da energia e do custo dos equipamentos, resta o gargalo da qualificação profissional, segundo Melo. A fase de construção de um data center gera grande volume de empregos, mas a operação exige um contingente reduzido e de altíssima especialização.

“Há necessidade de uma mão de obra muito qualificada, muito especializada. Então, precisamos dar oportunidade aos profissionais para que tenhamos mão de obra firme aqui no Brasil, para que não precisemos importar profissionais”, afirma.

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