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A mesma pergunta pode ter respostas até 80% diferentes no ChatGPT, mostra estudo
Publicado 20/06/2026 • 13:29 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 20/06/2026 • 13:29 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: AFP
ChatGPT chatbot atinge um bilhão de usuários mensais
Uma mesma pergunta feita ao ChatGPT pode gerar respostas com variação de até 80,2%, dependendo se a ferramenta consulta ou não informações atualizadas da internet. O dado é de um estudo da Visibility Labs, que analisou 20 mil respostas geradas pela plataforma.
A pesquisa partiu de uma pergunta feita por Rand Fishkin, fundador da SparkToro, sobre como as ferramentas de Inteligência Artificial escolhem suas respostas e o quanto as fontes citadas influenciam essa escolha. A Visibility Labs decidiu testar a hipótese analisando milhares de interações reais com o ChatGPT.
Conforme o levantamento, as mudanças mais expressivas aparecem quando a função de busca está ativada. Nesses casos, o conteúdo apresentado pela Inteligência Artificial passa a refletir fontes e páginas disponíveis on-line no momento da consulta, e não apenas o conhecimento fixado durante o treinamento do modelo.
O resultado acompanha uma mudança no comportamento de busca dos usuários. Parte do público que antes recorria diretamente a mecanismos tradicionais de pesquisa passou a usar ferramentas de Inteligência Artificial para procurar produtos, serviços, empresas e informações do cotidiano.
Felipe Cardoso, CEO da Rank Certo, explica que a diferença está na forma como o sistema constrói cada resposta. Segundo ele, quando a busca está desativada, a ferramenta responde com base apenas no que aprendeu durante o treinamento. Já quando a consulta à internet é ativada, passa a incorporar dados de notícias, artigos e páginas institucionais encontrados naquele momento.
Para Cardoso, esse mecanismo explica por que a mesma pergunta pode receber respostas distintas em momentos diferentes. Ele afirma que a Inteligência Artificial organiza e interpreta informações já existentes, e que o volume de fontes relevantes encontradas amplia os elementos disponíveis para a construção da resposta.
Os números do estudo confirmam essa variação. Com a busca ativada, o ChatGPT citou em média 5,2 produtos por resposta, contra 6,2 produtos quando a busca estava desativada. Ao repetir cada pergunta dez vezes, a ferramenta retornou em média 19 produtos únicos por prompt com busca ativada e 21,8 produtos únicos sem busca.
O achado mais contraintuitivo do levantamento envolve justamente os produtos com maior taxa de recomendação. Itens indicados em todas as repetições quando a busca estava desativada tiveram a menor sobreposição ao serem testados com busca ativada, de apenas 15,8%, percentual inferior ao observado nas demais faixas de frequência, que giraram em torno de 20%.
Apesar da popularização das ferramentas generativas, especialistas avaliam que os conteúdos publicados na internet continuam tendo papel relevante nesse processo. Cardoso afirma que o estudo reforça essa relevância, já que qualquer busca por referências externas depende diretamente da qualidade e da disponibilidade desses materiais.
Segundo o executivo, o cenário impõe um padrão mais exigente para empresas, marcas e produtores de conteúdo, que precisam manter informações claras, atualizadas e confiáveis para aparecer entre as fontes consultadas pelas plataformas de IA.
Cardoso aponta ainda que critérios como qualidade editorial, atualização constante e reconhecimento por outras fontes seguem como sinais relevantes tanto para mecanismos de busca quanto para sistemas de Inteligência Artificial. Para ele, a construção de autoridade digital ocorre de forma gradual, e informações que aparecem com frequência em fontes confiáveis tendem a ganhar mais espaço nesses ambientes.
O estudo da Visibility Labs também cruzou os dados de recomendação com a frequência em que cada produto aparecia nas fontes citadas pelo ChatGPT. Quanto mais vezes um produto era mencionado nessas fontes, maior a chance de ele ser recomendado, com correlação de 0,4 entre os dois fatores.
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Seguir no GoogleA conclusão prática para empresas e marcas é direta. Segundo a pesquisa, tentar influenciar os dados de treinamento espalhando menções de marca pela internet tem efeito limitado. O caminho mais eficaz é conseguir espaço nos artigos e páginas que já costumam ser citados pelo ChatGPT nas perguntas relacionadas ao setor de cada empresa.
A base do levantamento partiu de mil perguntas no formato “qual é o melhor”, construídas a partir de pesquisa de palavras-chave com intenção transacional na ferramenta Ahrefs.
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