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Latam lucra US$ 441 milhões no 3º trimestre, alta de 16,3%, e eleva projeção de receita para 2026

Publicado 03/11/2026 • 18:48 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • LATAM registrou lucro líquido de US$ 441 milhões no terceiro trimestre, alta de 16,3% em relação ao mesmo período de 2025.
  • Receita cresceu 18,4%, para US$ 4,57 bilhões, com avanço nos negócios de passageiros e carga.
  • Grupo elevou a projeção de receita para 2026, mesmo após o preço médio do combustível subir 52,1% no trimestre.
Avião da Latam

Ivan Alvarado/Reuters

A empresa brasileira conseguiu uma posição histórica, alcançancdo quinto lugar mundial e primeiro na América Latina.

A LATAM Airlines Group registrou lucro líquido de US$ 441 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 16,3% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita operacional chegou a US$ 4,567 bilhões, avanço de 18,4% na comparação anual.

O desempenho levou a companhia a elevar a projeção de receita para 2026, agora estimada entre US$ 17,6 bilhões e US$ 17,8 bilhões. O EBITDA ajustado é projetado entre US$ 3,9 bilhões e US$ 4,05 bilhões.

O resultado veio apesar da pressão do combustível. O preço médio pago pela LATAM subiu 52,1% em relação ao terceiro trimestre de 2025, com impacto estimado de aproximadamente US$ 520 milhões.

Segundo Ricardo Bottas, CFO do LATAM Airlines Group, o aumento considera apenas o efeito da variação do preço do combustível, sem contabilizar o maior consumo decorrente da expansão da operação.

“Estamos falando nesse terceiro trimestre de um impacto apenas pela variação do preço do combustível de US$ 520 milhões para o Grupo LATAM”, afirmou durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (3).

A companhia afirma ter compensado parte desse impacto com o crescimento das receitas. Segundo Bottas, a LATAM obteve cerca de US$ 410 milhões em receitas adicionais associadas à variação da receita unitária de passageiros, já descontado o efeito do aumento da capacidade.

Ainda assim, a margem operacional ajustada caiu de 18,1% no terceiro trimestre de 2025 para 12,5% neste ano. O resultado operacional ajustado ficou em US$ 573 milhões, enquanto o EBITDA ajustado atingiu US$ 1,095 bilhão.

Leia também: Latam recebe primeiro Embraer E195-E2 e prepara expansão para mais de 70 aeroportos em 2027

Receita com passageiros cresce 17,8%

O negócio de passageiros respondeu pela maior parcela da receita da companhia. O segmento faturou US$ 3,998 bilhões no trimestre, crescimento de 17,8% na comparação anual.

A capacidade consolidada do grupo cresceu 7,7%, enquanto a receita unitária por passageiro avançou 9,4%. A taxa de ocupação ficou em 83,7%.

A receita do segmento premium aumentou 23% ante o terceiro trimestre de 2025.

Já a operação de cargas registrou receita de US$ 483 milhões, alta de 19,5% em um ano. A companhia transportou 256 mil toneladas de carga no período.

O LATAM Pass encerrou o trimestre com 57 milhões de associados, crescimento de 9%. Segundo Bottas, clientes do programa de fidelidade já respondem por mais de dois terços da receita da operação de passageiros.

LATAM mantém US$ 4,4 bilhões em liquidez

A companhia encerrou setembro com US$ 4,446 bilhões em liquidez, equivalente a 26,4% da receita acumulada nos 12 meses anteriores.

A alavancagem líquida ajustada ficou em 1,5 vez. Durante o trimestre, o grupo também gerou cerca de US$ 880 milhões em fluxo de caixa operacional e investiu US$ 432 milhões em frota, cabines, conectividade e salas VIP.

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S&P Global Ratings e Fitch Ratings elevaram a classificação de risco da LATAM de BB para BB+, ambas com perspectiva estável. Os dois títulos de dívida garantidos do grupo passaram a ter classificação BBB-, considerada grau de investimento.

Combustível mais caro muda premissa para o fim do ano

A atualização das projeções para 2026 incorpora uma expectativa de combustível mais caro no quarto trimestre.

Na divulgação dos resultados do segundo trimestre, a LATAM trabalhava com uma premissa de US$ 130 por barril para os últimos três meses do ano. Agora, a estimativa utilizada é de US$ 180.

Bottas afirmou que, mesmo com a mudança, a companhia mantém uma projeção de EBITDA próxima à anterior.

“Essa projeção de US$ 180 por barril para o quarto trimestre vai representar no ano um custo adicional, apenas em função de preço, de US$ 2 bilhões de combustível”, afirmou. Ainda assim, a empresa projeta EBITDA ajustado próximo de US$ 4 bilhões em 2026.

CEO vê 2027 com cautela

Apesar do resultado do trimestre, Jerome Cadier, CEO da LATAM Brasil, afirmou que o cenário para 2027 exige cautela.

Entre os fatores citados estão a manutenção dos preços elevados do combustível, a volatilidade cambial e os efeitos da implementação da reforma tributária sobre as tarifas aéreas.

“Essa crise não vai embora tão cedo. Os preços vão continuar altos do petróleo e do combustível de aviação, e essa deve ser a tônica para o ano de 2027 também”, afirmou.

Cadier também destacou a exposição do setor ao dólar. Segundo ele, mais de 60% dos custos das companhias aéreas que operam no Brasil são dolarizados.

Para o executivo, a reforma tributária poderá aumentar os preços pagos pelos passageiros a partir do próximo ano e exercer pressão sobre a demanda.

“Quando a gente olha para esse conjunto, faz com que a gente olhe com cautela para 2027, ainda de forma otimista, mas sempre podendo ajustar a operação de acordo com como essas variáveis vão evoluir ao longo dos próximos meses”, disse.

Leia também: LATAM Brasil anuncia voos diretos entre São Paulo e Genebra a partir de abril de 2027

Frota chega a 390 aeronaves

A LATAM terminou setembro com uma frota de 390 aeronaves. Sete aviões foram incorporados durante o trimestre: três Airbus A320neo, três Airbus A321neo e um Boeing 787-9.

Em outubro, a operação brasileira recebeu os dois primeiros Embraer E195-E2. A companhia prevê incorporar 14 aeronaves desse modelo na fase inicial, com operações previstas a partir de 30 de novembro em 42 rotas domésticas.

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