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Negócio de US$ 44,8 bilhões com a McCromick finaliza desembarque da Unilever do setor de alimentos

Publicado 29/07/2026 • 11:30 | Atualizado há 53 minutos

KEY POINTS

  • Fusão criará nova gigante no mercado de alimentos, com valor estima em US$ 60 bilhões.
  • Unilever vem fazendo movimentos para deixar o mercado de alimentos após tirar divisão de sorvetes da empresa principal.
  • Mercado acredita que fusão fará nova gigante ter mais poder de negociação com varejistas e fornecedores.
Unilever

Reprodução

A Unilever está se desfazendo de suas operações no mercado de alimentos. A norte-americana McCormick anunciou, em março, a fusão com a Unilever Alimentos em um negócio avaliado em US$ 44,8 bilhões.

Com isso, a nova empresa reunirá marcas famosas como Hellmann’s, Knorr e Maizena. A nova gigante do setor será a quinta maior empresa de alimentos do mundo, com valor estimado em US$ 60 bilhões.

O comunicado publicado pela McCormick aponta que a empresa resultante da fusão será liderada pelo CEO e pelo CFO da McCormick, com representantes da Unilever Foods na alta administração. A expectativa é que a transação seja concretizada no primeiro semestre de 2027.

“Ao separar os alimentos, a companhia libera valor para seus acionistas por meio de uma participação majoritária na nova entidade combinada, além de um aporte significativo de caixa que viabiliza recompras de ações e redução de alavancagem”, explicou Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital.

Leia também: Unilever acelera crescimento no primeiro semestre e eleva projeção de vendas para 2026

Para o consumidor final brasileiro, a Unilever afirma que nada muda.

Empresa quer simplificar portfólio

Anunciado na última terça-feira (28), o balanço do primeiro semestre de 2026 da Unilever aponta uma receita de 6,3 bilhões de euros no setor de alimentos, o que representou 24,6% de toda a receita da companhia no período.

Esse não foi o primeiro movimento da empresa para deixar o setor. Neste ano, também foi concretizada a criação de uma empresa separada para gerir a divisão de sorvetes — a Magnum Ice Cream Company —, criada para agrupar marcas como Kibon, Magnum, Ben & Jerry’s, Cornetto e Wall’s.

O mercado acredita que o movimento faz parte de uma estratégia de simplificação do portfólio da companhia.

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“Há dez anos, as multinacionais queriam estar em todos os segmentos. Hoje elas perguntam: ‘Onde meu capital gera mais retorno?’. Parece uma mudança sutil, mas muda completamente a estratégia”, afirmou o advisor de M&A Roberto Valverde.

Poder de negociação

O mercado acredita que o conglomerado tende a focar a sua energia nos mercados de Higiene Pessoal, Cuidados com a Casa, Beleza e Bem-Estar, e que a junção das duas empresas pode fazer com que ganhem mais tração no mercado de alimentos, o que é importante na hora de negociar contratos com varejistas.

“A união reúne marcas fortes como Knorr e Hellmann’s, da Unilever, com o portfólio de especiarias, molhos e temperos da McCormick, gerando escala mundial, sinergias de custo e capacidade ampliada de inovação em uma indústria que enfrenta desafios como inflação de commodities, concorrência de marcas próprias e mudanças nos hábitos de consumo. O resultado é uma empresa mais resiliente, com perfil de crescimento superior e maior poder de negociação junto a varejistas e fornecedores em um setor cada vez mais consolidado”, apontou Uarian.

Detalhes da negociação

  • A transação cria uma gigante global focada em sabores, avaliada em cerca de US$ 60 bilhões.
  • Os acionistas da Unilever receberão ações ordinárias (com e sem direito a voto) equivalentes a 65,0% do capital total diluído da nova empresa combinada (representando cerca de US$ 29,1 bilhões com base na cotação média da McCormick).
  • A Unilever também receberá US$ 15,7 bilhões em dinheiro (sujeito a ajustes de fechamento). Esse montante será usado para absorver custos fiscais e de separação, abater a dívida líquida da empresa e financiar um programa de recompra de ações de € 6 bilhões planejado para o período entre 2026 e 2029.

  • As companhias estimam capturar US$ 600 milhões em sinergias anuais de custos ao longo de um período de três anos (dois terços até o final do segundo ano), impulsionadas por ganhos em compras, manufatura e despesas gerais e administrativas (SG&A).

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