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Moody’s rebaixa rating da CSN e mantém avaliação sob risco de nova queda

Publicado 09/06/2026 • 12:28 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • A Moody’s Local Brasil reduziu a nota de crédito corporativo da CSN para BBB.br e manteve o rating em revisão para possível novo rebaixamento.
  • Agência aponta dificuldades na gestão de dívidas, elevada alavancagem financeira e dependência da venda de ativos para reforçar a estrutura de capital.
  • Cenário de demanda fraca no mercado de aço, consumo de caixa e desafios de refinanciamento seguem entre os principais fatores de pressão sobre a companhia.

A Moody’s Local Brasil rebaixou o rating corporativo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de AA-.br para BBB.br e manteve a classificação em revisão para possível novo rebaixamento. Segundo a agência, a decisão reflete preocupações com a capacidade da empresa de administrar suas obrigações financeiras de curto e médio prazo em um ambiente de elevada aversão ao risco e pressão sobre a geração de caixa.

De acordo com o relatório divulgado nesta segunda-feira (8), a avaliação incorpora incertezas relacionadas à gestão de passivos, à estrutura de capital da companhia e à necessidade de execução do plano de venda de participações em ativos para reduzir o endividamento. A Moody’s também informou que continuará monitorando a recuperação operacional da empresa e a evolução do consumo de caixa.

Pressão sobre o refinanciamento

A agência considera que o processo de refinanciamento das dívidas da CSN se tornou mais desafiador diante de uma política financeira classificada como agressiva e de um cenário de mercado menos favorável. Segundo a Moody’s, a expectativa de queima de caixa operacional no curto prazo, somada à fraqueza da demanda no setor siderúrgico, aumenta as pressões sobre a liquidez da companhia.

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Ao fim de março de 2026, a CSN registrava caixa consolidado de R$ 12,8 bilhões, ante uma dívida de curto prazo ajustada de R$ 9,3 bilhões. A agência ressalta, porém, que parte relevante dessa liquidez está concentrada na CSN Mineração e não está totalmente disponível para a holding. Excluindo a mineradora, o caixa seria de aproximadamente R$ 4 bilhões, enquanto os vencimentos somam R$ 5,6 bilhões em 2026, R$ 6,2 bilhões em 2027 e R$ 10,7 bilhões em 2028.

Venda de ativos é peça-chave

Para a Moody’s, o plano de desinvestimentos anunciado pela CSN em janeiro é um elemento central para reduzir os riscos financeiros da companhia. A estratégia prevê a venda de participações minoritárias em ativos de infraestrutura e de uma participação majoritária no negócio de cimento, com potencial de levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões.

A agência observa que a concretização dessas operações ainda envolve riscos de cronograma e de avaliação dos ativos. Em paralelo, a companhia buscou reforçar sua liquidez por meio de uma linha de crédito contratada em abril por sua subsidiária CSN Inova Ventures, no valor de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,2 bilhões), com possibilidade de ampliação para US$ 1,4 bilhão (R$ 7,3 bilhões).

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Siderurgia segue pressionada

A Moody’s destacou que os resultados do primeiro trimestre mostraram deterioração no segmento de siderurgia, com queda de volumes, redução de preços e aumento de custos por tonelada. Embora a companhia tenha indicado melhora das condições de mercado a partir de março, a agência avalia que a demanda por aço no Brasil continua fraca, o que pode limitar a recuperação do negócio.

Já os segmentos de mineração e cimento apresentaram desempenho mais favorável. A mineração foi beneficiada por preços médios próximos de US$ 100 por tonelada (R$ 518 por tonelada) e estabilidade dos volumes vendidos, enquanto a divisão de cimento registrou margem EBITDA de 31%, sustentada por reajustes de preços.

Consumo de caixa continua

A agência também chamou atenção para a continuidade da queima de caixa da companhia. No primeiro trimestre, a CSN registrou consumo operacional de caixa de R$ 777 milhões. Somado a investimentos ajustados de R$ 1,1 bilhão, o resultado foi um fluxo de caixa livre negativo de aproximadamente R$ 2 bilhões.

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A Moody’s avalia que uma melhora nos resultados da siderurgia, aliada à manutenção dos investimentos em níveis próximos aos observados em 2025, poderá contribuir para reduzir a pressão sobre o caixa nos próximos períodos.

Endividamento elevado

O relatório aponta que a alavancagem permanece elevada, especialmente na holding. Nos 12 meses encerrados em março de 2026, a alavancagem bruta ajustada foi de 4,8 vezes, patamar semelhante ao registrado no fim de 2025. Considerando apenas a holding e excluindo a CSN Mineração, esse indicador atingiu 7,8 vezes.

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A dívida bruta ajustada totalizava R$ 51,5 bilhões ao fim do período, incluindo empréstimos e arrendamentos. Segundo a Moody’s, o valor poderia chegar a cerca de R$ 68 bilhões caso fossem considerados integralmente mecanismos de financiamento como linhas de risco sacado e contratos de pré-pagamento de minério de ferro.

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A agência informou que o rating poderá sofrer novo rebaixamento caso a companhia não consiga melhorar sua liquidez, avançar na geração de caixa ou reduzir sua alavancagem financeira.

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