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I.A como terapeuta? Por que especialistas temem a dependência emocional dos jovens
Publicado 31/07/2026 • 23:59 | Atualizado há 59 minutos
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Publicado 31/07/2026 • 23:59 | Atualizado há 59 minutos
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Foto: canva
I.A como terapeuta Por que especialistas temem a dependência emocional dos jovens
O uso de ferramentas de inteligência artificial (I.A) como apoio emocional por adolescentes tem aumentado nos Estados Unidos e despertado preocupação entre especialistas em saúde mental.
Em 2026, psicólogos e pesquisadores passaram a alertar que a busca por chatbots como “amigos digitais” ou até como substitutos de terapeutas pode criar vínculos emocionais artificiais, afetando o desenvolvimento das relações humanas e aumentando riscos de dependência psicológica.
Aplicativos e sistemas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT, Claude, Gemini, Replika e Character.AI, passaram a ser usados por jovens para conversar sobre ansiedade, problemas familiares, inseguranças e relacionamentos.
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A facilidade de acesso, a disponibilidade 24 horas por dia e a sensação de não serem julgados fazem com que muitos adolescentes recorram às máquinas em momentos de fragilidade emocional, de acordo com o El País.
O avanço desse comportamento preocupa especialistas porque, durante a adolescência, as interações reais são consideradas fundamentais para o desenvolvimento de habilidades sociais, controle emocional e construção da identidade.
Pesquisas realizadas nos Estados Unidos mostram que uma parcela significativa dos adolescentes já utiliza chatbots para buscar apoio emocional.
Um levantamento da Rand Corporation em parceria com a Universidade de Harvard apontou que cerca de um em cada oito adolescentes americanos recorre a essas ferramentas quando está triste, nervoso ou enfrentando dificuldades.
Entre jovens adultos de 18 a 22 anos, o índice é ainda maior. Estudos do Pew Research Center indicam que muitos adolescentes utilizam regularmente ferramentas de inteligência artificial, sendo que parte deles acessa esses sistemas diariamente.
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Para especialistas, o principal atrativo está na sensação de acolhimento. Diferentemente de uma conversa com familiares, amigos ou profissionais, a I.A responde imediatamente e não demonstra julgamento, característica que pode ser especialmente atraente para jovens que têm medo de expor seus sentimentos.
Embora os chatbots possam oferecer informações e conversas de apoio, psicólogos alertam que eles não substituem uma relação terapêutica feita por profissionais capacitados.
Um dos principais receios é que adolescentes passem a abandonar tratamentos convencionais por acreditarem que a inteligência artificial consegue resolver seus problemas emocionais.
Segundo especialistas, a I.A tende a manter a conversa ativa e oferecer respostas acolhedoras, mas pode acabar reforçando determinadas percepções do usuário sem avaliar profundamente a situação.
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Esse comportamento pode criar uma falsa sensação de compreensão completa, fazendo com que o jovem desenvolva uma relação de dependência com a ferramenta.
Pesquisadores chamam atenção para o chamado “substituto emocional”, quando uma tecnologia passa a ocupar o espaço de relações humanas importantes.
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Siga o Times | CNBCDurante a adolescência, conflitos, divergências e dificuldades nas relações ajudam a desenvolver habilidades como empatia, negociação e capacidade de lidar com frustrações. Quando esses desafios são evitados por meio de conversas constantes com uma I.A, parte desse aprendizado pode ser prejudicada.
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Outro ponto levantado pelos especialistas é que os chatbots costumam responder de maneira adaptada ao usuário, oferecendo validação e incentivo. Isso pode criar expectativas irreais sobre relacionamentos, já que as interações humanas envolvem discordâncias, limites e diferentes pontos de vista.
Casos envolvendo usuários que desenvolveram vínculos intensos com personagens digitais aumentaram o debate sobre os limites dessas tecnologias.
Nos Estados Unidos, famílias de jovens que cometeram atos de autolesão ou suicídio abriram processos contra empresas de inteligência artificial, alegando que determinadas interações contribuíram para esses episódios.
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Especialistas afirmam que o problema não está apenas na tecnologia, mas na forma como ela é utilizada por pessoas em situações de vulnerabilidade emocional. Para eles, sistemas de I.A ainda precisam evoluir em mecanismos de segurança, principalmente quando envolvem menores de idade.
A busca por amigos digitais acontece, principalmente, porque a I.A oferece características que muitos jovens consideram confortáveis: respostas rápidas, ausência de críticas e disponibilidade constante.
Para adolescentes que enfrentam solidão, insegurança ou dificuldades de comunicação, conversar com uma máquina pode parecer mais simples do que procurar ajuda de outra pessoa.
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No entanto, psicólogos alertam que esse conforto imediato pode trazer consequências no longo prazo. A ausência de conflitos e negativas em uma relação com uma I.A pode dificultar a adaptação às relações reais, que exigem diálogo, paciência e capacidade de lidar com diferenças.
Pesquisadores não defendem o abandono completo das ferramentas de inteligência artificial. Segundo eles, a tecnologia pode ter utilidade como fonte de informação, organização de pensamentos e apoio inicial.
A preocupação está quando o chatbot deixa de ser uma ferramenta complementar e passa a ocupar o lugar de amigos, familiares ou profissionais de saúde mental.
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Com o crescimento dos chamados amigos digitais, especialistas defendem que pais, escolas e empresas de tecnologia discutam formas mais seguras de uso, especialmente entre adolescentes. O desafio será aproveitar os benefícios da I.A sem permitir que ela substitua conexões humanas essenciais para o desenvolvimento emocional.
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