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Netflix é processada na Flórida por práticas de privacidade e publicidade
Publicado 19/09/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 19/09/2026 • 06:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Unsplash.
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A Flórida abriu um processo contra a Netflix por suposta coleta e uso indevido de dados de usuários. A ação, apresentada na quarta-feira em um tribunal estadual, acusa a gigante do streaming de reunir grandes volumes de informações sobre assinantes para alimentar seu negócio de publicidade e de adotar práticas que manteriam os usuários por mais tempo na plataforma.
O processo foi apresentado pelo procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, com base nas leis estaduais que tratam de práticas comerciais desleais e enganosas. O estado pede indenização em valor não especificado e uma ordem judicial para obrigar a Netflix a interromper a coleta e monetização dos dados, além de alterar elementos da interface do serviço.
Segundo a denúncia, a empresa teria usado estratégias para dificultar o cancelamento de assinaturas, estimular a reprodução contínua e limitar o uso de configurações destinadas à proteção da privacidade.
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A Flórida questiona principalmente a diferença entre a imagem que a Netflix teria construído ao longo dos anos e a forma como, segundo o processo, passou a explorar os dados de seus usuários.
A denúncia cita declarações da companhia sobre seu modelo sem anúncios e sobre a ausência de integração de dados com empresas como Google, Amazon e Meta. Uma carta aos acionistas de 2019, por exemplo, descrevia a ausência de publicidade como parte essencial da proposta de marca da Netflix.
Ao mesmo tempo, segundo o processo, a plataforma coletava informações detalhadas sobre o comportamento dos assinantes, incluindo pesquisas, pausas, repetições de conteúdo, navegação, rolagem e dados dos dispositivos utilizados.
A escala teria sido significativa. A Flórida afirma que a Netflix já registrava aproximadamente 550 bilhões de eventos por dia em 2016. A ação sustenta que essa infraestrutura passou a ser monetizada posteriormente, com o lançamento do negócio de publicidade da empresa em 2022.
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Siga o Times | CNBCSegundo a denúncia, anunciantes podem combinar seus próprios dados com os perfis da Netflix para melhorar a segmentação e obter informações sobre hábitos dos usuários. Entre os dados citados estão escolaridade, estado civil, renda familiar e composição da família.
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Outro ponto central do processo é o desenho da plataforma. A Flórida afirma que recursos como a reprodução automática teriam sido desenvolvidos para manter os usuários assistindo por mais tempo e, consequentemente, ampliar a quantidade de dados coletados.
O estado também acusa a Netflix de ter afirmado que não fazia publicidade comportamental direcionada a perfis infantis sem, segundo a denúncia, revelar a extensão da coleta e análise dos hábitos de visualização das crianças.
Uthmeier afirmou que a empresa teria prometido às famílias uma alternativa à vigilância das grandes empresas de tecnologia, mas, segundo ele, acabou coletando dados detalhados de crianças e famílias e utilizando essas informações para desenvolver sua operação publicitária.
A Flórida já adotou medidas contra outras empresas de tecnologia. Neste ano, Uthmeier processou TikTok e OpenAI por questões relacionadas à segurança das plataformas e decidiu não participar de um acordo multiestadual de US$ 17 bilhões (R$ 87,04 bilhões) com a Meta, que teria como foco a proteção de menores.
Em comunicado, um porta-voz da Netflix afirmou que a companhia leva a privacidade dos membros a sério e cumpre as leis de privacidade e proteção de dados nos locais onde atua.
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