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Paramount e Warner: concentração do mercado pode pressionar preços e reduzir produção
Publicado 19/08/2026 • 16:41 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 19/08/2026 • 16:41 | Atualizado há 58 minutos
KEY POINTS
A compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, avaliada em US$ 110 bilhões, enfrenta resistência nos Estados Unidos. Procuradores de 12 estados americanos recorreram à Justiça para tentar bloquear a operação, alegando riscos à livre concorrência e possibilidade de aumento dos preços de serviços de streaming e televisão por assinatura.
Para Márcio Rodrigo Ribeiro, professor do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM, a operação pode trazer ganhos de escala para a indústria, mas também amplia a concentração de um mercado que historicamente já é dominado por grandes estúdios.
Na avaliação do professor, a união das duas companhias poderia aumentar a capacidade de produção e manter o fluxo de projetos cinematográficos, embora também possa provocar redução de postos de trabalho.
Um dos efeitos discutidos está relacionado ao mercado de exibição. A Paramount teria utilizado como argumento para a aquisição a possibilidade de manter janelas maiores entre os lançamentos nos cinemas e a chegada dos filmes ao streaming.
A operação, porém, ocorre em meio a uma disputa que ultrapassa os aspectos econômicos. O professor destaca que há também componentes políticos envolvidos no processo, especialmente diante das relações entre os grupos empresariais envolvidos e diferentes correntes políticas nos Estados Unidos.
O impacto da fusão também pode ser relevante pela dimensão que o novo conglomerado alcançaria. A combinação das empresas concentraria cerca de 27% da TV a cabo básica dos EUA, enquanto os cinco maiores estúdios já respondem por aproximadamente 86% da distribuição cinematográfica no país.
“Uma concentração desse tamanho é evidentemente prejudicial ao próprio princípio de comércio dos Estados Unidos, que é o da livre concorrência”.
O professor avalia que o aumento do poder de mercado pode permitir ao novo conglomerado maior influência sobre preços de assinatura, tanto na televisão quanto no streaming.
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Siga o Times | CNBCO efeito também pode chegar às produtoras independentes e aos profissionais do audiovisual. Com menos empresas controlando grandes catálogos e plataformas, a demanda por novos filmes e séries pode diminuir, afetando produtoras que atuam como prestadoras de serviços para os grandes estúdios.
“Quando você junta essas duas empresas, pode haver uma diminuição em novos projetos de filmes e séries e, automaticamente, isso replica para o mercado de trabalho e para o mercado de produtoras”, afirmou.
A preocupação também mobilizou o sindicato norte-americano de roteiristas, o WGA, que se posicionou contra a operação. Segundo Ribeiro, o movimento reforça a dimensão do impacto que a fusão pode ter sobre a cadeia produtiva do audiovisual.
Por outro lado, o professor destaca que o catálogo da Warner é justamente um dos principais ativos que tornam a empresa estratégica para a Paramount. Com mais de um século de história, o estúdio reúne propriedades intelectuais de grande alcance global, como Harry Potter, Game of Thrones e Friends.
“O século XX para o audiovisual e para a indústria do entretenimento é o século da propriedade intelectual”.
A aquisição não necessariamente significaria o abandono de franquias consideradas menos rentáveis no curto prazo. Enquanto houver interesse do público, propriedades intelectuais relevantes podem continuar sendo exploradas ou retomadas.
Um exemplo é a própria franquia Harry Potter, que voltou a receber uma produção audiovisual anos depois do encerramento da série de filmes.
“Enquanto essa propriedade intelectual despertar o interesse do grande público, dos fãs ao redor do globo, obviamente que o estúdio estará produzindo essas franquias ou pode retomá-las em um determinado momento”.
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