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Carros elétricos transformam oficinas e criam nova geração de mecânicos, aponta Igor Lopes
Publicado 19/08/2026 • 16:03 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 19/08/2026 • 16:03 | Atualizado há 1 hora
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O avanço dos carros elétricos no Brasil está transformando o trabalho nas oficinas e abrindo espaço para uma nova geração de mecânicos, mais ligada à tecnologia e à análise de dados, segundo Igor Lopes, notável do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Para ele, o principal gargalo do pós-venda não está nas peças, mas na formação de profissionais preparados para lidar com veículos cada vez mais tecnológicos.
Na coluna Real Tech desta quarta-feira (19), Lopes destacou que 16% dos carros vendidos no Brasil no primeiro semestre foram elétricos, enquanto, no mundo, essa participação chega a 25%. “A questão principal é mão de obra. A gente está falando de um mecânico que precisa entender o novo mundo. O mecânico precisa ser muito mais tecnológico”, afirmou.
Para Lopes, a eletrificação não significa o desaparecimento do mecânico tradicional. Como os veículos a combustão ainda representam mais da metade da frota, esses profissionais continuarão tendo espaço. Ao mesmo tempo, porém, surge uma oportunidade de reciclagem e especialização para quem pretende trabalhar com as novas tecnologias.
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“Muito pelo contrário, a gente está vendo, nesse caso específico, que o carro a combustão continua. […] Esse mecânico antigo continua tendo trabalho ali para o resto da vida dele, dessa geração, pelo menos”, explicou. Segundo Lopes, a mudança abre uma nova frente profissional: “Quando a gente fala de carros elétricos, a gente fala, sim, de uma oportunidade de reciclagem desses mecânicos e uma oportunidade de ele aprender mais e talvez se especializar em algo que faça mais sentido.”
A transformação começa pela própria segurança. Antes de realizar determinados serviços, o profissional precisa desenergizar o veículo, já que uma bateria de alta tensão pode representar risco fatal. “Um choque numa bateria pode literalmente matar o mecânico. Então, você precisa ter uma outra forma de olhar para isso”, ressaltou Lopes.
Esse novo ambiente também começa a atrair profissionais mais jovens. “O mecânico hoje é mais jovem, é o mecânico que gosta de tecnologia, porque é o mecânico que vai olhar para a tela, olhar dados e falar: ‘Esse é o problema’”, disse. Segundo ele, o diagnóstico deixa de depender tanto da percepção do profissional e passa a ser orientado por dados e códigos de erro dos veículos.
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A adaptação vai além da capacitação. Ferramentas e equipamentos também precisam acompanhar as características dos veículos elétricos. Uma chave de fenda, por exemplo, precisa ser isolada, enquanto elevadores devem suportar automóveis mais pesados devido às baterias.
“O maquinário da oficina precisa mudar”, afirmou Lopes. Ele explicou ainda que a tendência é de maior especialização, porque os sistemas adotados pelas diferentes fabricantes podem variar significativamente. “O sistema de uma fabricante chinesa é completamente diferente do sistema de uma fabricante ocidental, por exemplo.”
Com isso, a localização e o perfil da frota atendida também devem pesar nas decisões de investimento. “Quais são os carros que são mais comuns aqui na minha região? Então, eu vou investir em coisas, no sistema que atenda aquela maioria de carros que tem aqui no meu mercado”, explicou. Lopes prevê o surgimento de oficinas especializadas em elétricos chineses, determinadas marcas ou serviços específicos, como desenergização e troca de baterias.
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A falta de profissionais especializados já mobiliza as próprias fabricantes. Lopes citou uma iniciativa da Ford, apresentada em um evento no Senai do Ipiranga, em São Paulo, unidade especializada no setor automotivo.
“A Ford está lançando esse projeto que é tímido, vamos falar. Ele começou tímido esse ano: 36 vagas só, 16 em São Paulo e 20 em Salvador. Ano que vem eles aumentam para mais 100 vagas, em outras três cidades também”, contou.
O programa é voltado a jovens com mais de 16 anos, que estejam cursando ou tenham concluído o ensino médio e pertençam a famílias com renda de até quatro salários mínimos. “A gente está falando também de inclusão digital, a gente está falando de formar uma nova turma de mecânicos com esse novo perfil”, destacou Lopes.
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Na avaliação do notável do Times Brasil, iniciativas desse tipo também ajudam a responder às dúvidas de jovens sobre quais profissões terão espaço diante do avanço da tecnologia. “A educação formal hoje te treina para determinadas coisas que a gente conhece, mas quais são as novas profissões, quais são as profissões de seus filhos?”, questionou.
O Brasil tem 102 mil oficinas mecânicas formalizadas, segundo o dado citado por Lopes, e a eletrificação não deverá produzir um único modelo de negócio. A tendência, na avaliação dele, é a convivência entre estabelecimentos tradicionais, especializados e oficinas maiores capazes de atender diferentes tecnologias.
“Vão ter oficinas que vão começar a se especializar em determinadas coisas. Vão ter oficinas, as maiores, que têm mais poder de investimento, que vão se tornar híbridas. Tem ali para o carro a combustão, tem para o carro híbrido, tem para o carro elétrico”, projetou. “Acredito que o futuro vai ser muito mais plural do que o que a gente já tem agora.”
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A evolução tecnológica também começa a reduzir alguns dos custos associados aos reparos. Lopes citou como exemplo as baterias, que já podem ter apenas o módulo danificado substituído em determinadas situações. “Hoje já é possível você trocar só um módulo da bateria. Você não tem que trocar mais a bateria inteira, já é uma evolução da bateria do carro elétrico e isso já faz total diferença”, concluiu.
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