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Shein x Temu: por que a gigante da moda está perdendo espaço para a rival chinesa

Publicado 27/08/2026 • 20:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Shein pode levantar até US$ 1,77 bilhão em seu IPO na Bolsa de Hong Kong.
  • Empresa chega ao mercado com crescimento mais lento e avaliação muito abaixo do pico registrado em 2022.
  • Temu ganha espaço com preços baixos e amplia a disputa pelo consumidor, justamente em um momento de maior pressão sobre a Shein.

Foto: Unsplash

A Shein chegou ao mercado de capitais em um momento diferente daquele em que se tornou uma das maiores referências do varejo de moda ultrarrápida.

Com crescimento mais lento, pressão sobre as margens e consumidores mais atentos aos preços, a empresa agora tenta recuperar espaço enquanto enfrenta uma concorrência cada vez maior da Temu, outra gigante chinesa do comércio eletrônico.

A Shein planeja levantar até 13,86 bilhões de dólares de Hong Kong (US$ 1,77 bilhão, cerca de R$ 9,2 bilhões) em sua oferta pública inicial (IPO) em Hong Kong.

A companhia colocou à venda cerca de 280 milhões de ações classe B, com preço entre HK$ 47,60 e HK$ 49,50 por ação. No topo da faixa, a Shein pode alcançar uma avaliação próxima de US$ 27 bilhões (R$ 140 bilhões).

O preço final deve ser anunciado em 31 de agosto, enquanto a negociação das ações está prevista para começar em 1º de setembro.

Leia também: De US$ 98 bilhões a US$ 27 bilhões: o que aconteceu com a Shein

Crescimento perdeu força

O IPO acontece depois de uma forte redução no valor atribuído à companhia por investidores privados. A Shein chegou a ser avaliada em US$ 98,2 bilhões (cerca de R$ 508 bilhões) em 2022. Em 2023 e abril de 2024, a avaliação caiu para US$ 64 bilhões (R$ 331 bilhões).

A desaceleração do negócio ajuda a explicar a mudança. O crescimento da receita passou de 20,7% em 2024 para 8% em 2025.

A empresa também sofreu com mudanças nas regras de importação dos Estados Unidos. A perda de uma isenção tarifária aumentou os custos para a companhia, que afirmou ter precisado repassar parte desse impacto aos consumidores por meio de preços mais altos.

No início de 2026, uma despesa contábil não recorrente também contribuiu para um prejuízo de US$ 99 milhões (R$ 512 milhões).

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Leia também: Shein estreia na Bolsa de Hong Kong mirando oferta de US$ 1,7 bilhão

Temu ganha espaço

Enquanto a Shein enfrenta esse cenário, a Temu avançou em uma estratégia baseada principalmente em preços extremamente baixos e em uma oferta ampla de produtos. A plataforma deixou de disputar apenas o consumidor interessado em moda e passou a concorrer em categorias como eletrônicos, itens para casa, acessórios e produtos de uso cotidiano.

Essa expansão aumentou a sobreposição entre as duas empresas. A Shein construiu sua força principalmente com o modelo de fast fashion, utilizando dados para identificar tendências e lançar rapidamente novos produtos. A Temu, por outro lado, ampliou o alcance do comércio eletrônico chinês ao apostar em uma espécie de marketplace de baixo custo.

A concorrência se tornou ainda mais relevante justamente quando o consumidor passou a demonstrar maior sensibilidade aos preços.

IPO acontece em meio a dúvidas

A Shein recebeu, no início de julho, aprovação da Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China para realizar a listagem em Hong Kong. Antes disso, a empresa havia enfrentado dificuldades para avançar com planos de abertura de capital em Londres e Nova York.

O interesse dos investidores também mudou. Segundo análises citadas pela CNBC, a empresa teria perdido parte do impulso que marcou sua expansão nos últimos anos.

A companhia, portanto, chega ao IPO tentando provar que ainda consegue sustentar seu crescimento em um mercado no qual preço, velocidade e variedade deixaram de ser diferenciais exclusivos.

Além da concorrência com a Temu, a Shein enfrenta questionamentos sobre as condições de trabalho em sua cadeia de fornecedores e dificuldades para manter o mesmo apelo entre consumidores mais jovens.

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