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França aprova lei contra moda ultrarrápida e impõe multas a Shein e Temu; entenda
Publicado 03/07/2026 • 06:30 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 03/07/2026 • 06:30 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
O Parlamento da França aprovou, na última segunda-feira (29), uma nova legislação voltada ao setor de moda ultrarrápida. A medida estabelece multas para empresas que colocam no mercado grandes quantidades de produtos em curtos intervalos de tempo e a preços muito baixos.
A iniciativa foi adotada em meio às preocupações com os impactos ambientais da indústria têxtil e ao avanço de plataformas asiáticas que vêm ampliando sua presença no mercado europeu.
A nova legislação cria critérios para identificar empresas classificadas como integrantes do segmento de moda ultrarrápida, de acordo com The Wall Street Journal.
As companhias enquadradas poderão receber multas de até 6 euros por produto já neste ano. O valor poderá subir para € 10 por item até 2030.
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Além das penalidades financeiras, o texto também proíbe campanhas publicitárias e ações promocionais realizadas por influenciadores digitais para marcas que se enquadrem nessa categoria.
A proposta recebeu apoio de parlamentares que defendem medidas mais rígidas para conter o crescimento de modelos de negócio baseados em lançamentos constantes de novas coleções e no estímulo ao consumo acelerado.
A discussão sobre moda ultrarrápida ganhou força na Europa devido ao aumento da preocupação com o descarte de roupas e o volume de resíduos gerados pelo setor.
Dados da Agência Europeia do Ambiente apontam que os países da União Europeia produziram quase sete milhões de toneladas de resíduos têxteis em 2022. O volume equivale a aproximadamente 16 quilos por habitante.
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Defensores da nova lei afirmam que a produção em larga escala de peças com ciclos de vida cada vez menores contribui para ampliar o desperdício de recursos e aumentar a geração de lixo têxtil.
Nos últimos anos, plataformas como Shein e Temu conquistaram espaço entre consumidores franceses ao oferecer roupas, acessórios e outros produtos com preços bastante competitivos.
A Shein contestou o enquadramento como empresa de moda ultrarrápida. A companhia afirma que utiliza um sistema baseado em pequenos lotes iniciais e reposição de estoque conforme a demanda dos consumidores.
Já a Temu destaca que atua como marketplace, conectando compradores diretamente aos fabricantes, modelo que, segundo a empresa, ajuda a reduzir custos e manter preços mais baixos.
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Siga o Times | CNBCApós a aprovação da lei, a Shein informou que ainda analisa os detalhes da legislação e voltou a citar questionamentos apresentados anteriormente pela Comissão Europeia sobre alguns pontos do projeto.
A França se tornou o primeiro país europeu a aprovar uma legislação voltada especificamente para a moda ultrarrápida.
Embora a União Europeia já tenha avançado em normas relacionadas à sustentabilidade têxtil e à responsabilidade das plataformas digitais, esta é a primeira vez que um país cria regras direcionadas diretamente ao modelo de negócios adotado por empresas desse segmento.
O movimento francês também ocorre enquanto outros governos europeus estudam medidas semelhantes.
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Na Itália, parlamentares apresentaram propostas para restringir a publicidade de empresas de moda ultrarrápida, criar classificações ambientais para roupas e cobrar taxas sobre encomendas de baixo valor importadas de fora da União Europeia.
Na Alemanha, autoridades ambientais se uniram recentemente à França e aos Países Baixos em pedidos para que a Comissão Europeia adote regras mais rígidas para o setor.
A aprovação da nova legislação acontece poucos meses após a Shein ampliar sua presença física no país. Em novembro do ano passado, a empresa inaugurou sua primeira loja permanente dentro da tradicional loja de departamentos BHV Marais, em Paris.
A abertura gerou protestos de grupos críticos ao modelo de produção da empresa, ao mesmo tempo em que atraiu consumidores interessados nos preços praticados pela marca.
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Meses depois, a parceria entre as duas empresas foi encerrada. A administração da loja francesa afirmou que a colaboração não se alinhava à estratégia do negócio.
A Shein, por sua vez, declarou que o projeto sempre teve caráter temporário e que ajudou a aumentar o fluxo de visitantes no estabelecimento.
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Com a nova legislação, a França dá um passo inédito na tentativa de limitar o avanço da moda ultrarrápida e reforçar a pressão sobre empresas que baseiam seu crescimento em ciclos cada vez mais acelerados de produção e consumo.
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