CNBC
Anthropic

CNBCReceita anualizada da Anthropic supera US$ 65 bilhões às vésperas do IPO

Empresas & Negócios

Sompo mira dobrar de tamanho e busca novas aquisições no Brasil e na América Latina

Publicado 17/08/2026 • 19:56 | Atualizado há 9 horas

KEY POINTS

  • Aquisição da Fator Seguradora reforça estratégia da Sompo de crescer em seguros corporativos e segmentos ligados ao agronegócio.
  • Aquisição da Fator Seguradora reforça estratégia da Sompo de crescer em seguros corporativos e segmentos ligados ao agronegócio.
  • Sompo pretende dobrar novamente de tamanho em cinco anos e se tornar a maior seguradora de linhas comerciais do mercado brasileiro.

A Sompo pretende dobrar novamente de tamanho nos próximos cinco anos e mantém o apetite por aquisições no Brasil e na América Latina, dentro da estratégia de concentrar sua atuação em seguros corporativos e no agronegócio, segundo Alfredo Lalia Neto, CEO da companhia. Em entrevista nesta segunda-feira (17) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o executivo disse que a compra da Fator Seguradora faz parte desse movimento e que a companhia continuará avaliando oportunidades que complementem seu negócio.

A Sompo vinha registrando crescimento orgânico próximo de 20% ao ano quando passou a avaliar alternativas para aplicar o capital disponível no país. “A gente sempre olhou como desenvolver o capital. Nosso acionista japonês tem capital para desenvolver ao redor do mundo”, relatou Lalia Neto.

Foi nesse processo que a companhia chegou à Fator. “Olhamos estrategicamente quais seriam as companhias que poderiam agregar valor à Sompo e a gente acabou encontrando a Fator. Namoramos durante dois anos e chegamos a um acordo de compra e venda”, contou.

Leia também: Parlatório Talks: Seguro pode destravar infraestrutura e reduzir obras paradas no Brasil, diz presidente da Daycoval

Apetite por aquisições continua

O acordo com a Fator não encerra a busca da Sompo por oportunidades de expansão. “A gente continua com apetite tanto aqui no Brasil quanto na América Latina”, revelou o CEO.

A condição, segundo Lalia Neto, é que eventuais negócios estejam alinhados às áreas escolhidas como prioritárias. “Sempre algo que faça sentido ao nosso core business, ao negócio que a gente decidiu atuar no Brasil, que é o seguro commercial lines, o seguro para pequenas, médias e grandes empresas, e os negócios de seguro agrícola de maneira geral”, detalhou.

O preço também será determinante. “Se tiver operações disponíveis no mercado a um preço que a gente acredita justo, a gente vai continuar desenvolvendo o nosso capital”, sinalizou.

Leia também: Porto Seguro tem lucro de R$ 888,6 milhões no segundo trimestre e revisa guidance de 2026

A estratégia representa uma mudança em relação à antiga composição dos negócios da companhia no país. Há cerca de três anos, a Sompo decidiu deixar áreas como seguros de automóveis, vida e pequenos negócios para concentrar recursos nos segmentos considerados prioritários.

A gente decidiu reposicionar a companhia. A gente tinha carteira de automóvel, de vida, de pequenos negócios e decidimos vender essa parte”, recordou Lalia Neto.

O capital obtido, entretanto, permaneceu no país. “O capital ficou aqui no Brasil. O japonês não pediu dinheiro de volta e falou: ‘Desenvolve aí o capital’”, acrescentou. Segundo o executivo, “a ideia é: a gente diminuiu em algum momento para crescer mais focado”.

Leia também:  PicPay conclui aquisição da Kovr e reforça operação de seguros

América Latina exige estratégias diferentes

A expansão regional também está nos planos, mas Lalia Neto considera um erro tratar os mercados latino-americanos como se apresentassem as mesmas características.

São muito parecidos, entre aspas. São países em desenvolvimento, mas com características de risco muito diferentes”, ponderou.

O CEO citou os terremotos como exemplo de exposição que varia de maneira relevante entre os países. “Parece que são o mesmo mercado do ponto de vista de dimensão, do tipo de risco, mas com características um pouco diferentes”, diferenciou.

Leia também: Suhai amplia atuação e entra no mercado de seguros residenciais após crescimento no setor automotivo

Para Lalia Neto, companhias estrangeiras podem acabar simplificando excessivamente essa diversidade. “Os gringos, de maneira geral, acham que a América Latina é uma coisa só e todo mundo fala a mesma língua. A gente fala outra língua e o tipo de risco é diferente”, comentou.

Por isso, a expansão exige cautela. “A gente precisa tomar um certo cuidado quando sair nessa expansão”, ressaltou.

Tecnologia muda gestão dos riscos

Entre os principais desafios dos seguros corporativos está a constante transformação dos riscos enfrentados pelos clientes. A Sompo é líder em seguro de transportes, área em que acidentes e roubos de cargas estão entre as principais ameaças.

A gente trabalha muito no gerenciamento de risco, como a gente ajuda o cliente a evitar que esses acidentes aconteçam ou que o roubo de carga aconteça”, destacou Lalia Neto.

Leia também: Allianz anuncia compra da unidade de seguros da HSBC em Singapura por US$ 2,09 bilhões

O problema é que as próprias ameaças também evoluem. “A indústria do crime evolui e a gente precisa evoluir junto e trazer soluções diferentes para o cliente”, alertou.

As mudanças climáticas acrescentam outra dimensão ao desafio, principalmente no seguro agrícola. “O risco climático é algo que também vem evoluindo no seguro agrícola. Então, a gente tem que ir desenvolvendo tecnologias para melhorar a proteção do cliente”, assinalou.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Para o executivo, a função da seguradora não deve se limitar a indenizar uma perda depois que ela ocorre. “Esse é o nosso core business, na verdade: diminuir a quantidade de ocorrências, que é bom para o cliente e é bom para a sociedade como um todo”, frisou.

Mudanças climáticas exigem prevenção

Eventos como enchentes e secas também exigem uma revisão da maneira como seguradoras e empresas administram os riscos, na avaliação de Lalia Neto. “Acho que a gente precisa trabalhar nas duas vertentes: em como desenvolver produtos mais adequados e como ajudar o cliente a evitar” consequências mais graves, indicou.

Leia também: CEO da Loovi busca preencher lacuna no setor de seguro automotivo e mira IPO

Embora não seja possível impedir um evento climático, seus impactos podem ser reduzidos. “O clima a gente não vai conseguir mudar, mas as consequências que uma enchente, as consequências que uma seca podem ter variam do nível de proteção, do nível de infraestrutura que você cria”, ponderou.

Nesse cenário, a seguradora assume também uma função preventiva. “O papel da seguradora é também ajudar o risco a se adequar à mudança climática”, reforçou.

IA e sensores entram na operação

O avanço tecnológico já está mudando a forma como os riscos são monitorados. Lalia Neto citou a internet das coisas (IoT) como uma das ferramentas que permitem detectar problemas antecipadamente e reduzir potenciais prejuízos.

Hoje você consegue com IoT monitorar o risco e um pequeno foco de incêndio pode ser visto antes e agir mais rápido com tecnologia que não é tão cara”, exemplificou.

Leia também: EXCLUSIVO: Prêmios da 180 Seguros somam R$ 273,9 milhões após salto de 919%

Segundo ele, soluções que anteriormente exigiam investimentos elevados estão se tornando mais acessíveis. “Hoje tem ferramentas diferentes. Eu acho que o papel das seguradoras é ajudar os clientes na busca da melhor ferramenta para que, acontecendo o risco, o dano seja o mínimo possível”, defendeu.

A inteligência artificial também ganhou espaço dentro da própria Sompo. Uma das aplicações está na subscrição, processo pelo qual a seguradora decide quais riscos aceitar e quanto cobrar por eles.

A gente usa no nosso core business, que é o que a gente chama de subscrição, que é basicamente que tipo de risco eu aceito e não aceito, a que preço eu devo fazer isso”, descreveu.

A companhia já combina diferentes tecnologias com profissionais humanos. “Hoje a gente trabalha com IA, trabalha com robôs, que é uma IA mais simplificada, e com ser humano”, enumerou.

Leia também: CNseg e Trillia firmam parceria para desenvolver soluções em IA no setor de seguros

Para Lalia Neto, encontrar o equilíbrio entre esses elementos será decisivo para o futuro das empresas. “Como vai ser a Sompo do futuro, com robôs inteligentes, agentes e pessoas trabalhando juntos?”, questionou. “Como chegar à equação perfeita acho que é o grande desafio das grandes empresas”, acrescentou.

DNA japonês privilegia decisões coletivas

A origem japonesa da Sompo também influencia a gestão da companhia no Brasil. Para Lalia Neto, uma das características mais marcantes dessa cultura corporativa é a prioridade dada ao grupo. “Talvez o grande ponto do japonês é que o coletivo é mais importante que o individual”, definiu.

Essa característica aparece na busca por decisões consensuais. “Colaboração é um dos principais dos nossos valores. Como a gente chega a soluções de consenso”, salientou.

O processo pode tornar a tomada de decisão mais demorada, mas, segundo o CEO, acelera a execução posteriormente. “Às vezes falam que o japonês é meio demorado para tomar a decisão, mas eles demoram para tomar a decisão e executam muito rápido, porque, depois que a decisão foi tomada, todo mundo está indo na mesma direção”, observou.

Leia também: PicPay mira expansão em seguros e formaliza compra da Kovr no Cade

Meta é dobrar novamente em cinco anos

Depois de dobrar de tamanho nos últimos quatro anos, a Sompo pretende repetir o avanço no próximo ciclo. “A gente dobrou nos últimos quatro, então a gente espera dobrar de novo”, projetou Lalia Neto.

Parte dessa expansão virá da aquisição da Fator, enquanto outra parcela dependerá da continuidade do crescimento orgânico. Segundo o executivo, a seguradora vinha avançando entre 18% e 19% ao ano.

A gente sabe que vai ser mais difícil continuar crescendo, mas, se a gente dobrar de tamanho, vai virar a maior seguradora de commercial lines do mercado, que é a nossa ambição”, declarou.

O CEO reconheceu o tamanho do desafio, mas manteve a meta. “Fácil de falar, difícil de fazer, mas a gente acredita que, com foco, disciplina e com o apoio do nosso acionista, consegue chegar lá”, concluiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Empresas & Negócios