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Teck Check: AWS aposta em IA para transformar torcedores em receita no esporte, diz executiva da AWS Brasil

Publicado 01/10/2026 • 21:19 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Parceria com o Atlético Mineiro integrou dados antes fragmentados e já gerou R$ 15 milhões em resultados, segundo a AWS Brasil.
  • Uso dos dados permite personalizar ofertas aos torcedores e elevar a ocupação da arena, com R$ 3 milhões em receitas adicionais.
  • IA agêntica, gêmeos digitais e biometria estão entre as tecnologias que devem ampliar a transformação do mercado esportivo.

A integração de dados com inteligência artificial já gerou R$ 15 milhões em resultados para o Atlético Mineiro, segundo Fernanda Spinardi, líder de soluções para clientes da AWS Brasil. A executiva aponta o projeto como exemplo de como clubes podem transformar informações sobre torcedores e operações em novas oportunidades de receita.

Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, para o programa Tech Check, Fernanda Spinardi explicou que o Atlético já reunia uma grande quantidade de informações, mas mantinha esses dados separados em diferentes sistemas. A parceria com a AWS permitiu consolidar esse material e aplicar inteligência artificial para apoiar decisões do clube.

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“O Atlético já tinha dados da catraca, da bilheteria, da lanchonete, da aquisição de ingressos, mas isso tudo estava fragmentado. A AWS possibilitou que a gente fizesse uma reunião dessa grande massa de dados e, sobre essa massa, criasse uma camada de inteligência artificial para transformar dados em inteligência para o clube”, explicou.

Dados ajudam a conhecer o torcedor

Uma das aplicações permite ao Atlético identificar perfis e hábitos de consumo de seus torcedores para direcionar campanhas e ofertas. A executiva da AWS Brasil citou como exemplo a possibilidade de uma torcedora receber uma campanha específica de uma camisa feminina do clube.

Outra frente busca aumentar a utilização da arena a partir do comportamento dos sócios-torcedores, especialmente daqueles que possuem lugar reservado, mas nem sempre comparecem às partidas. “A gente consegue aumentar essa ocupação e traduzir isso, no caso do Atlético, já em mais de R$ 3 milhões em receitas adicionadas”, destacou.

Fernanda Spinardi ressaltou, porém, que a AWS não tem acesso aos dados dos torcedores. Segundo ela, as informações permanecem sob controle do Atlético Mineiro. “A AWS não tem a menor visibilidade sobre esses dados. O controle é totalmente do Atlético Mineiro”, disse.

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Ela explicou que o modelo envolve responsabilidade compartilhada: a AWS responde pela segurança da infraestrutura, dos equipamentos e do software da nuvem, enquanto o clube é responsável pelas informações que armazena no ambiente, incluindo os dados de seus associados.

Mercado pode superar US$ 70 bilhões

Para a executiva da AWS Brasil, o potencial de expansão da tecnologia no esporte é significativo. Segundo dados apresentados pela executiva, o mercado de tecnologia esportiva foi avaliado em US$ 23 bilhões (R$ 120,29 bilhões) em 2025 e pode superar US$ 70 bilhões (R$ 366,10 bilhões) nos próximos quatro a cinco anos.

Mais do que o tamanho do mercado, ela vê potencial para modificar a experiência de diferentes participantes do setor. “É a possibilidade de a gente transformar a experiência dos vários atores que participam do mundo esportivo, desde o atleta, as equipes, os fãs e até a mídia esportiva”, avaliou.

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A adoção da inteligência artificial, entretanto, ainda esbarra principalmente em integração de dados e falta de profissionais qualificados, de acordo com uma pesquisa citada por Spinardi. Segundo ela, 36% das empresas brasileiras consultadas apontam dificuldades relacionadas aos dados e à integração das informações.

Outro entrave é a mão de obra. “48% das empresas pesquisadas entendem que existe uma escassez de talentos com conhecimento de inteligência artificial”, acrescentou.

Biometria amplia segurança nos estádios

Outra aplicação mencionada pela executiva é a biometria facial. A Impli Tecnologia, empresa brasileira parceira da AWS, oferece sistemas utilizados em arenas esportivas para agilizar o acesso do público e reforçar a segurança.

Spinardi afirmou que a tecnologia facilita a entrada em grandes eventos e atende a requisitos da Lei Geral do Esporte. Ao mesmo tempo, o sistema pode ser utilizado para identificar torcedores com histórico de comportamento violento.

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“O mesmo sistema de biometria que faz com que o torcedor entre mais rápido dentro da arena é o mesmo sistema de segurança que pode ser usado para detectar, por exemplo, torcedores que têm um histórico de comportamento violento”, explicou.

IA agêntica e gêmeos digitais

Entre as tendências para os próximos anos, destaca-se a inteligência artificial agêntica, que pode permitir ao torcedor interagir em tempo real com um comentarista virtual capaz de fornecer informações e explicar aspectos da partida.

A executiva citou a Bundesliga, na Alemanha, que já utiliza um agente chamado Captain. “Você imagina que está em casa e tem um comentarista só para você. Você pode conversar em tempo real, ele conhece todos os detalhes sobre esporte, sobre o jogo”, exemplificou.

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Outra tecnologia apontada são os gêmeos digitais de atletas, representações virtuais que reproduzem características físicas e de mobilidade. A ferramenta pode ser utilizada para testar equipamentos digitalmente antes que o esportista precise experimentá-los em sucessivas sessões de treinamento.

Segundo Fernanda Spinardi, a Comissão de Esportes da Austrália utiliza essa tecnologia com atletas paralímpicos da corrida, buscando fazer com que eles cheguem às pistas com equipamentos mais adequados às suas características.

Ao completar 15 anos de atuação no Brasil, a AWS pretende continuar ampliando o uso dessas tecnologias em diferentes setores. No esporte, Spinardi disse que o objetivo é transformar a experiência de atletas, clubes, torcedores e da própria mídia esportiva.

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