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Brasil precisa unir criatividade e disciplina para avançar em inovação, diz executivo da CI&T
Publicado 14/08/2026 • 21:46 | Atualizado há 45 minutos
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Publicado 14/08/2026 • 21:46 | Atualizado há 45 minutos
KEY POINTS
O Brasil precisa combinar sua reconhecida criatividade com mais disciplina, planejamento de longo prazo e capacidade de execução para avançar em inovação, segundo Bob Wollheim, Partner e Global CMO da CI&T, que vê oportunidades para o país ampliar sua presença no ecossistema global de tecnologia e inteligência artificial.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Wollheim afirmou que um dos primeiros passos é o país adotar uma perspectiva mais global sobre suas oportunidades, deixando de lado a percepção de que o tamanho do mercado brasileiro é suficiente para sustentar seu desenvolvimento tecnológico.
“A primeira delas talvez seja a gente ter um olhar mais global sobre o mundo, sobre as oportunidades que o Brasil representa, sair um pouco de achar que somos um país muito grande e que nos bastamos em si mesmos”, explicou.
Para Wollheim, o avanço da inteligência artificial também precisa ser encarado de maneira pragmática, com uma estratégia que ultrapasse iniciativas pontuais e estabeleça objetivos de longo prazo para o país.
O executivo defendeu investimentos, educação e planejamento empresarial como pilares desse processo. “A gente [precisa] abraçar tecnologias como a IA está acontecendo agora com um olhar mais pragmático, com um plano de longo prazo, com um plano que passa por investimento, por educação”, afirmou.
Na avaliação de Wollheim, o Brasil reúne características que podem ajudá-lo nessa disputa. “O Brasil é um país criativo, é um país imenso. Temos fartura de mão de obra. A nossa mão de obra tecnológica é muito qualificada”, ressaltou.
Como exemplo, o executivo citou a própria CI&T, empresa brasileira nascida em Campinas, que atualmente possui cerca de 8 mil profissionais e atua globalmente, prestando serviços para grandes companhias. Para Wollheim, trajetórias como essa demonstram que o país possui capacidade para ocupar uma posição relevante no setor.
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Questionado sobre os investimentos brasileiros em infraestrutura tecnológica diante da disputa entre Estados Unidos e China, Wollheim avaliou que essas iniciativas são positivas, mas ponderou que o país não precisa necessariamente disputar a liderança no desenvolvimento do núcleo das LLMs, os grandes modelos de linguagem.
“Talvez, nesse momento, seja um desafio grande demais a gente querer estar na frente do desenvolvimento, no coração ali das LLMs, da criação de ferramentas de IA”, ponderou. Isso, entretanto, não impede o Brasil de desenvolver um ecossistema promissor em torno da inteligência artificial, acrescentou.
Para Wollheim, a economia que está sendo construída em torno da IA é muito mais ampla do que os grandes modelos de linguagem. Dessa forma, mesmo sem desenvolver uma LLM nacional, o Brasil pode explorar diferentes oportunidades ligadas à aplicação da tecnologia.
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“A IA, mais do que nunca, será um enorme ecossistema, e o mundo de negócios que girará em torno – já gira hoje em torno de IA – é um enorme ecossistema”, destacou. Segundo ele, “não é só LLM”, porque existem oportunidades de negócios, transformação e desenvolvimento de novas ideias em diversas áreas relacionadas à tecnologia.
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Siga o Times | CNBCPor isso, o executivo considera que as possibilidades continuam enormes independentemente de o Brasil possuir ou não uma LLM nacional. A oportunidade, em sua avaliação, está também em criar empresas, produtos e soluções que utilizem e se beneficiem da inteligência artificial.
Ao analisar a posição do Brasil nos rankings internacionais de inovação, Wollheim apontou a dificuldade de transformar criatividade em processos organizados e escaláveis como um dos gargalos do país.
“Na minha opinião, o gargalo está que inovação é criatividade com disciplina”, definiu. Segundo o executivo, o brasileiro possui forte capacidade de resolver problemas, mas essa característica nem sempre é acompanhada pelo método necessário para transformar soluções pontuais em modelos replicáveis.
Wollheim destacou que “o brasileiro resolve problema, ele não fica preso a um cargo, a uma descrição”, característica que considera positiva. O problema aparece quando essa flexibilidade reduz a atenção dedicada à organização e à construção de processos.
“Isso às vezes faz a gente esquecer da disciplina, da organização, de escalar, de organizar, de criar um método para tudo isso poder ser replicado no próximo caso semelhante e assim por diante”, explicou.
Na CI&T, segundo Wollheim, a busca por disciplina está ligada desde a origem da companhia à proximidade com a Unicamp e à formação de engenheiros orientados por processos. Essa lógica também está sendo aplicada atualmente ao desenvolvimento de soluções envolvendo inteligência artificial.
“Tudo que a gente aprende, a gente organiza, cria métodos e permite escalar para os nossos clientes”, afirmou. Para o executivo, transformar conhecimento em processos replicáveis é justamente o que permite converter criatividade em inovação com maior impacto.
Wollheim ponderou, porém, que a deficiência brasileira em disciplina não deve ser tratada como uma característica permanente ou impossível de mudar. Na avaliação dele, o país já vem passando por transformações e aumentando sua integração com o mercado internacional.
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“O Brasil vem mudando muito, o Brasil vem crescendo muito, vem se globalizando muito mais”, ressaltou. Para Wollheim, o caminho passa por dar maior prioridade à capacidade de execução sem abandonar a criatividade que caracteriza o país.
“Temos que priorizar um pouco mais isso, equilibrar um pouquinho com a criatividade, e isso vai nos tornar muito mais inovadores e não apenas criativos”, concluiu.
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