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EUA e China elevam disputa por I.A e entram em nova guerra fria tecnológica
Publicado 19/09/2026 • 23:59 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 19/09/2026 • 23:59 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Foto: Unsplash
A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China ganhou uma nova frente: os riscos associados ao avanço da inteligência artificial (I.A).
Enquanto empresas do setor defendem medidas para reduzir a velocidade de desenvolvimento dos modelos mais avançados, o governo de Donald Trump vê a manutenção da liderança americana como uma questão estratégica diante da concorrência chinesa.
A rivalidade remete à corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria. Agora, porém, a competição se espalha por áreas como comércio, armamentos, chips, talentos e inteligência artificial.
Em 24 de setembro, Trump deverá receber o presidente chinês Xi Jinping na Casa Branca, em um encontro que ocorre em meio ao aumento das tensões sobre a tecnologia.
Trump afirmou que o país que conquistar a liderança em I.A será o vencedor e apontou a China como o único concorrente interessado em desacelerar o desenvolvimento da tecnologia. Pequim reagiu acusando Washington de recorrer novamente à retórica da Guerra Fria.
Leia também: Anthropic diz que empresas de IA não podem operar com ‘código de honra’
A discussão ganhou força após declarações de Jacob Coxon, pesquisador da Anthropic que deixou a empresa e afirmou que pessoas envolvidas na construção da I.A acreditam que a tecnologia poderia representar uma ameaça extrema à humanidade antes do fim da década.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, também defendeu a desaceleração do desenvolvimento de novos modelos e a adoção de revisores externos capazes de avaliar os sistemas antes de seu lançamento. Entre os riscos citados está a possibilidade de agentes de IA assumirem o controle de grandes partes da internet e provocarem prejuízos de centenas de bilhões de dólares.
Trump rejeitou a proposta. Para o presidente americano, reduzir o ritmo poderia permitir que a China ultrapassasse empresas dos Estados Unidos em uma área considerada estratégica.
Amodei também defendeu a manutenção das restrições americanas à venda de chips avançados para a China e afirmou que uma liderança chinesa em IA representaria um grave risco para os Estados Unidos e o mundo.
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Siga o Times | CNBCLeia também: Como a inteligência artificial está mudando a indústria de semicondutores
A concorrência chinesa ganhou destaque em janeiro de 2025, quando a DeepSeek surgiu como uma alternativa ao ChatGPT. A ferramenta chamou atenção por apresentar desempenho comparável ao de concorrentes americanos, ser gratuita e de código aberto e ter sido desenvolvida com menos recursos computacionais.
O avanço alimentou acusações de que empresas chinesas estariam copiando tecnologia americana e aumentou a preocupação de que produtos chineses mais baratos conquistem espaço no mercado global.
Agora, OpenAI, Anthropic e Google discutem a possibilidade de adotar regras próprias para lidar com os riscos dos sistemas mais avançados. Segundo o veículo especializado The Information, as três empresas conversaram sobre mecanismos de autorregulação que permitiriam continuar avançando tecnologicamente, mas com mais controles.
A disputa também guarda paralelos com o caso TikTok. Sob o argumento de segurança nacional, Washington pressionou a ByteDance, dona da plataforma, a vender sua operação americana ou deixar de atuar no país.
Trump e Xi já discutiram o futuro do aplicativo em conversas anteriores. Os dois também devem voltar ao tema das relações entre os países no encontro marcado para 24 de setembro.
Enquanto isso, Estados Unidos e China se preparam para discutir a segurança dos modelos de I.A mais potentes. A questão deixou de ser apenas quem dominará o mercado de chatbots e passou a envolver também os limites e riscos de uma tecnologia que pode influenciar a disputa geopolítica entre as duas maiores potências.
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