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Entenda por que ações de chips caem enquanto gigantes da I.A lucram
Publicado 19/09/2026 • 10:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 19/09/2026 • 10:30 | Atualizado há 1 hora
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foto: magnific
Entenda por que ações de chips caem enquanto gigantes da I.A lucram
As ações de fabricantes de chips recuaram nesta semana, em Nova York, enquanto gigantes de tecnologia como Microsoft, Alphabet e Meta avançaram, em meio à discussão sobre os riscos e o futuro do desenvolvimento da inteligência artificial (I.A).
A reação dos investidores expôs uma mudança no debate sobre a tecnologia: a possibilidade de uma desaceleração nos modelos mais avançados pode pressionar empresas que fornecem infraestrutura, mas favorecer as companhias que já construíram grandes centros de dados.
O movimento ocorreu após declarações de líderes da indústria de I.A sobre a necessidade de ampliar os padrões de segurança e avaliar o ritmo de desenvolvimento dos modelos. O temor de que a corrida por sistemas cada vez mais avançados perca velocidade levou o mercado a reavaliar os gastos bilionários com chips, servidores e data centers, de acordo com a Fortune.
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A Nvidia caiu mais de 3% na manhã de segunda-feira (14). Intel, AMD e Marvell recuaram entre 5% e 6%, movimento que levou o Índice de Semicondutores da Filadélfia, referência para o setor, a uma queda próxima de 6%.
Empresas de computação em nuvem que dependem da expansão contínua de data centers também ficaram sob pressão. O motivo é a possibilidade de uma desaceleração nos investimentos em infraestrutura caso os laboratórios de I.A reduzam o ritmo de treinamento e desenvolvimento de novos modelos.
A Nvidia está entre as companhias mais expostas a esse cenário. Seus negócios dependem da venda dos recursos computacionais utilizados pelas empresas de tecnologia para desenvolver e operar sistemas de inteligência artificial. Se os clientes diminuírem os gastos, a demanda por novos equipamentos pode perder força.
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Na direção contrária, as ações da Alphabet subiram quase 2%, enquanto a Microsoft ganhou 1,6% e a Meta avançou cerca de 1,4%. A Amazon recuou aproximadamente 1,6%, mas teve desempenho melhor do que os principais fabricantes de chips.
A diferença está na posição dessas empresas na cadeia de investimentos em I.A. Google, Microsoft, Amazon e Meta estão entre as companhias que gastam bilhões de dólares para construir a infraestrutura necessária ao avanço da tecnologia. Ao mesmo tempo, elas podem se beneficiar da capacidade que já possuem, mesmo que o ritmo de expansão diminua.
Segundo Gil Luria, chefe de pesquisa tecnológica da DA Davidson, uma desaceleração no progresso da inteligência artificial poderia atingir mais duramente as empresas que vendem infraestrutura do que as gigantes que a compram.
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A lógica é que, se os modelos continuarem evoluindo rapidamente, as empresas de tecnologia precisarão ampliar a capacidade de processamento. Mas, caso o desenvolvimento desacelere, elas poderão interromper parte dos novos investimentos e continuar utilizando os centros de dados já construídos.
Para Luria, a redução nos investimentos não significaria necessariamente uma queda imediata na receita ou nos lucros das gigantes de tecnologia. Com menos despesas de capital, o fluxo de caixa poderia aumentar.
O analista comparou o cenário ao que ocorreu com a Amazon após a pandemia. A empresa reduziu o ritmo de construção de armazéns e passou a aproveitar a capacidade que havia criado durante a expansão anterior. A diminuição dos investimentos ajudou a impulsionar o fluxo de caixa.
A mesma dinâmica pode ocorrer com os data centers. Se as empresas conseguirem atender à demanda com a infraestrutura existente, poderão gastar menos na expansão e preservar recursos para outras atividades.
O debate ganhou força no fim de semana após Dario Amodei, CEO da Anthropic, defender medidas de segurança mais rigorosas e até uma desaceleração no desenvolvimento de modelos de I.A.
A posição veio depois de demonstrações consideradas alarmantes sobre as capacidades cibernéticas desses sistemas. Sam Altman, CEO da OpenAI, e outros líderes da área apoiaram a discussão sobre a necessidade de ampliar a segurança.
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Algumas propostas chegaram a sugerir a intervenção do governo para impor uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia. A possibilidade, mesmo sem uma moratória oficial anunciada pelos laboratórios, foi suficiente para alimentar dúvidas sobre o ritmo dos investimentos.
Em entrevista exclusiva à Fortune, Altman afirmou que os padrões de segurança ainda não estão em um nível que permita ampliar muito mais as capacidades da inteligência artificial. O executivo também alertou que a possibilidade de uma I.A além do controle humano é “absolutamente” real.
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Siga o Times | CNBCAs declarações reforçaram a discussão sobre os limites do avanço dos modelos mais poderosos e os riscos associados à expansão acelerada da infraestrutura.
Nem todos os investidores acreditam que o ciclo de investimentos em I.A esteja perto de perder força. Dan Ives, analista de tecnologia, afirmou na segunda-feira, em publicação no X, que o mercado deveria olhar além do horizonte. Para ele, uma desaceleração da OpenAI e da Anthropic poderia abrir espaço para outras empresas de software, a Meta e demais desenvolvedoras de modelos reduzirem a distância tecnológica.
A avaliação é que uma eventual pausa dos principais laboratórios não necessariamente encerraria a corrida pela inteligência artificial. Outras companhias poderiam usar o período para avançar e disputar espaço no mercado.
Ives também chamou atenção para a China. Segundo a Reuters, o laboratório chinês de I.A Z.AI levantou mais US$ 5 bilhões no fim de semana por meio de uma oferta de novas ações e títulos conversíveis.
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O movimento indica que a competição internacional continua e dificulta uma desaceleração coordenada entre os principais participantes do setor.
Para Gil Luria, a desaceleração discutida pode não se concretizar. O analista afirmou que os laboratórios não anunciaram uma moratória oficial nos treinamentos e que a corrida tecnológica segue baseada em uma disputa entre empresas.
A avaliação é de que o ritmo só diminuiria de forma efetiva se todos os principais participantes concordassem em reduzir os investimentos. Caso apenas algumas empresas desacelerem, outras poderiam aproveitar a oportunidade para avançar.
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A declaração resume a dúvida central do mercado: o debate sobre segurança representa uma mudança real na estratégia dos laboratórios ou apenas uma discussão que não alterará os investimentos previstos.
A queda das ações de chips ocorreu em um ambiente de maior aversão ao risco nos mercados. O petróleo Brent subiu acima de US$ 108 por barril após a intensificação da campanha dos houthis no Oriente Médio.
O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de 10 anos atingiu 5%, enquanto a inflação mais alta e os preços do petróleo aumentaram as expectativas de outro aumento dos juros pelo Federal Reserve nesta semana.
A combinação de petróleo mais caro, inflação persistente e juros elevados aumenta a pressão sobre empresas de tecnologia, especialmente aquelas que dependem de investimentos elevados para crescer.
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Nesse contexto, o mercado passou a diferenciar as empresas que precisam continuar gastando para expandir a infraestrutura das que podem aproveitar os ativos já construídos.
A reação desta segunda-feira mostra que os investidores não estão simplesmente abandonando as ações ligadas à inteligência artificial. O movimento indica uma reavaliação de quais empresas podem ganhar ou perder caso o ritmo de desenvolvimento da tecnologia mude.
Fabricantes de chips e empresas de infraestrutura dependem da continuidade dos investimentos para sustentar a expansão dos negócios. Já as gigantes de tecnologia que controlam grandes plataformas e centros de dados podem encontrar uma oportunidade de melhorar o fluxo de caixa se reduzirem as despesas de capital.
O resultado é uma divisão entre os fornecedores de infraestrutura e os compradores dessa capacidade. Enquanto Nvidia, Intel, AMD e Marvell enfrentam dúvidas sobre a demanda futura, Microsoft, Alphabet e Meta avançam com a perspectiva de aproveitar os investimentos já realizados.
A questão que permanece para o mercado é se a I.A continuará evoluindo em velocidade suficiente para justificar a construção incessante de data centers ou se as empresas passarão a priorizar a rentabilidade da infraestrutura existente.
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