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eSIMs ganham espaço em fintechs e superapps como nova fonte de receita e fidelização

Publicado 15/06/2026 • 12:45 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Empresas com milhões de clientes, como fintechs, bancos digitais e companhias aéreas, começam a incorporar planos de celular e eSIMs aos seus aplicativos.
  • Segundo executivo da Gigs, a conectividade deixou de ser apenas um serviço de telecomunicações e passou a integrar estratégias de engajamento e receita recorrente.
  • A expectativa é que, até 2030, mais de 10 milhões de linhas móveis estejam associadas a marcas digitais, sem substituir o protagonismo das operadoras.

A oferta de planos de celular e eSIMs por fintechs, bancos digitais, companhias aéreas e superapps deve ganhar força nos próximos anos, impulsionada pela busca dos consumidores por conveniência e pela estratégia das empresas de ampliar receitas recorrentes. Na avaliação do vice-presidente de Go-To-Market da Gigs, Rafael Plantier, a conectividade está deixando de ser um produto exclusivo das operadoras para se tornar mais um serviço dentro dos ecossistemas digitais.

Segundo o executivo, a telefonia móvel ainda carrega processos que não acompanharam a digitalização observada em outros segmentos. Telefonia celular talvez seja o último serviço do consumidor que, em sua maioria, é vendido no mundo físico. “As pessoas ainda vão a uma loja física para comprar um serviço que é totalmente digital”, afirmou nesta segunda-feira (15) em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Para Plantier, a integração de planos móveis aos aplicativos de grandes marcas busca simplificar a experiência dos usuários. “Tudo isso é para gerar conveniência e engajamento com o cliente. “O plano de celular é um serviço de uso diário e pode reforçar a relação da marca com o cliente final, além de criar uma receita recorrente para essas empresas”, ressaltou.

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Perfil das empresas

Na avaliação do executivo, o modelo tende a atrair companhias que já possuem grande escala e relacionamento frequente com seus consumidores.

“Em geral, são empresas que já trabalham com dezenas de milhões ou até mais de cem milhões de clientes e que possuem um ponto de relacionamento diário com essa base”, explicou.

Segundo Plantier, fintechs, bancos digitais e companhias aéreas estão entre os segmentos mais preparados para incorporar a conectividade aos seus serviços. “São empresas que já têm experiência na distribuição de serviços digitais e conseguem adicionar telefonia móvel de forma muito simples”, afirmou.

Experiência do consumidor

O avanço dos eSIMs também está relacionado à eliminação de etapas consideradas burocráticas pelos usuários, especialmente durante viagens internacionais.

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Para o executivo, a tendência é que a ativação da conectividade ocorra de forma cada vez mais simples e imediata. “Estamos colocando um ponto final naquela experiência de chegar ao aeroporto, procurar Wi-Fi ou buscar um ponto físico para comprar um chip. Tudo está migrando para o eSIM”, destacou.

Segundo ele, o sucesso do modelo depende diretamente da qualidade da experiência oferecida ao cliente. “O ganho de carinho pela empresa que ajuda o consumidor em um momento em que ele precisa de conectividade representa uma grande oportunidade de negócio”, afirmou.

O Plantier observou que muitos dos problemas historicamente associados à telefonia não estão ligados à tecnologia em si. “O problema não tende a ser a conectividade. “O problema tende a ser a forma como os consumidores se sentem tratados por algumas organizações dessa indústria”, disse.

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Dados protegidos

Questionado sobre o potencial uso de informações de conectividade para ampliar o conhecimento sobre os hábitos dos consumidores, Plantier afirmou que a legislação impõe limites claros ao tratamento desses dados.

“Todos esses dados são protegidos da mesma forma que os dados financeiros. As leis de proteção de dados valem para telecomunicações da mesma maneira que valem para transações bancárias”, explicou.

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Segundo ele, informações de localização e operação da rede permanecem sob controle das operadoras. “Dados de rede, como a torre de celular utilizada pelo aparelho, não passam para parceiros comerciais. Essas informações são usadas exclusivamente para a gestão da própria rede”, ressaltou.

Visão para 2030

Apesar do avanço das marcas digitais no setor, Plantier acredita que as operadoras continuarão desempenhando papel central na infraestrutura de telecomunicações. “As operadoras fizeram investimentos importantíssimos na expansão do 5G e continuarão tendo um negócio de grande sucesso”, afirmou.

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Ao mesmo tempo, ele prevê uma mudança gradual na forma como parte dos consumidores acessará os serviços móveis. “Um portfólio superior a 10 milhões de linhas deve migrar do relacionamento direto com as operadoras para marcas digitais. É uma tendência que já observamos em outros mercados”, disse.

Na avaliação do executivo, o movimento pode reproduzir o que ocorreu no setor financeiro com produtos oferecidos em parceria entre instituições tradicionais e grandes plataformas digitais. “As operadoras continuarão protagonistas, mas poderão ter uma parcela importante do negócio operada em parceria com grandes marcas”, concluiu.

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