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Corrida por cérebros em IA: Big Techs oferecem milhões para contratar talentos da tecnologia

Publicado 06/09/2025 • 09:15 | Atualizado há 9 meses

KEY POINTS

  • Meta, Google e Microsoft disputam profissionais de IA com salários e bônus milionários.
  • Construir modelos de IA pode custar bilhões, pressionando a demanda por especialistas.
  • Startups e setores tradicionais perdem espaço na corrida por talentos, incapazes de competir.
Imagem de arquivo. Mark Zuckerberg, CEO da Meta, testemunha durante a audiência do Comitê Judiciário do Senado dos EUA "Big Tech e a Crise de Exploração Sexual Infantil Online" em Washington, DC, em 31 de janeiro de 2024.

Brendan SMIALOWSKI / AFP

Imagem de arquivo. Mark Zuckerberg, CEO da Meta, testemunha durante a audiência do Comitê Judiciário do Senado dos EUA "Big Tech e a Crise de Exploração Sexual Infantil Online" em Washington, DC, em 31 de janeiro de 2024.

A corrida global pela inteligência artificial (IA) esquentou de vez. Para garantir a liderança em um mercado bilionário, gigantes de tecnologia como Meta, Microsoft e Google estão oferecendo pacotes milionários para recrutar um número limitado de engenheiros e pesquisadores altamente especializados.

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, lançou uma ofensiva agressiva para fortalecer o recém-criado AI Superintelligence Labs. Entre as movimentações, a empresa investiu US$ 14 bilhões na Scale AI e chegou a oferecer bônus de contratação de até US$ 100 milhões a profissionais do topo do OpenAI, segundo relatos.

“Se vou gastar um bilhão de dólares para treinar um modelo, pagar US$ 10 milhões por um engenheiro é relativamente baixo”, disse Alexandru Voica, diretor de assuntos corporativos da Synthesia e ex-executivo da Meta.

Salários nunca vistos

O fenômeno pressiona salários a níveis inéditos. O Google atraiu Varun Mohan, fundador da Windsurf, em um acordo de US$ 2,4 bilhões, enquanto a Microsoft contratou discretamente duas dezenas de funcionários do DeepMind.

Nos EUA, a remuneração média de um engenheiro de machine learning já alcança US$ 175 mil por ano, podendo chegar a quase US$ 300 mil, segundo dados do Indeed. Zuckerberg teria oferecido US$ 250 milhões a Matt Deitke, jovem prodígio de 24 anos que deixou o doutorado em ciência da computação na Universidade de Washington.

“Há um prêmio absoluto para o melhor talento. É um mercado muito quente, com poucos pesquisadores em disputa”, afirmou Zuckerberg ao portal The Information.

Na Europa, os salários também dispararam: em Londres, engenheiros de IA seniores chegam a receber entre £140 mil e £300 mil anuais, de acordo com a consultoria Robert Walters.

Custos bilionários

O valor pago a profissionais está diretamente ligado ao custo de desenvolvimento dos modelos. Estudo da Universidade de Stanford mostrou que o GPT-4 custou US$ 79 milhões para ser treinado em 2023. Já o Gemini 1.0 Ultra, do Google, custou US$ 192 milhões, enquanto o Llama 3.1-405B da Meta chegou a US$ 170 milhões em 2024.

Dario Amodei, CEO da Anthropic, disse à Time Magazine que o custo de treinar modelos de fronteira alcançou US$ 1 bilhão em 2024.

Startups ficam para trás

O efeito colateral da guerra por talentos é a exclusão de startups e setores tradicionais, que não conseguem competir em salários.

“Indústrias como seguros, saúde e logística precisam de inovação, mas não conseguem acessar esse talento”, alertou Mark Miller, CEO da Insurevision.ai.

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Segundo Voica, enquanto profissionais podem optar pela segurança financeira das Big Techs, startups ainda oferecem maior protagonismo e impacto individual no desenvolvimento das soluções.

Até que o custo de treinar modelos caia, a tendência é de manutenção dos salários elevados. “Enquanto construir modelos custar bilhões, empresas gastarão dezenas ou centenas de milhões para contratar engenheiros”, completou Voica.

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