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Da ciência aos chatbots: por que o Google desmontou o time do AlphaFold?

Publicado 30/07/2026 • 07:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A inteligência artificial que ajudou a resolver um dos maiores desafios da biologia perdeu espaço dentro do próprio laboratório que a criou.
  • O Google DeepMind encerrou a equipe dedicada ao AlphaFold, sistema que ficou conhecido mundialmente por prever estruturas de proteínas.
  • A decisão, no entanto, não representa o fim das pesquisas científicas da companhia. O movimento indica uma mudança de prioridade dentro do Google DeepMind.
Da ciência aos chatbots: por que o Google desmontou o time do AlphaFold?

Foto: divulgação

Da ciência aos chatbots: por que o Google desmontou o time do AlphaFold?

A inteligência artificial que ajudou a resolver um dos maiores desafios da biologia perdeu espaço dentro do próprio laboratório que a criou. O Google DeepMind encerrou a equipe dedicada ao AlphaFold, sistema que ficou conhecido mundialmente por prever estruturas de proteínas e mudar a forma como cientistas estudam doenças e desenvolvem novos tratamentos.

A decisão, no entanto, não representa o fim das pesquisas científicas da companhia. O movimento indica uma mudança de prioridade dentro do Google DeepMind. Em vez de concentrar grandes equipes em projetos específicos, a empresa quer direcionar esforços para modelos de inteligência artificial capazes de atuar em diferentes áreas. A estratégia acompanha o avanço dos chamados grandes modelos de linguagem (LLMs).

Segundo a Times of India, nos últimos anos, ferramentas como o Gemini passaram a ocupar uma posição central na estratégia da empresa. A ideia agora é criar sistemas mais amplos para auxiliar pesquisadores em diferentes etapas do trabalho científico. Essas ferramentas poderão apoiar desde análises complexas até a criação de novas hipóteses.

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Google DeepMind reposiciona pesquisadores após sucesso do AlphaFold

A reorganização ocorreu após mudanças na equipe responsável pelo AlphaFold. Parte dos profissionais deixou o grupo original, enquanto outros foram direcionados para novos projetos dentro do Google. Uma parcela dos autores dos estudos que apresentaram o sistema ao mundo já não faz mais parte da empresa.

O Google DeepMind confirmou que os pesquisadores que permaneceram foram direcionados para novas frentes. Entre elas estão iniciativas envolvendo o Gemini, estudos relacionados à fusão nuclear, pesquisas em genômica e desenvolvimento de enzimas.

Além disso, parte dos especialistas passou a atuar na Isomorphic Labs, empresa criada pela Alphabet, controladora do Google, para aplicar inteligência artificial na descoberta de medicamentos.

A mudança acompanha uma transformação mais ampla no setor de tecnologia. Com a popularização dos modelos generativos, grandes empresas passaram a investir em sistemas que conseguem resolver diferentes tipos de problemas, deixando para trás uma estratégia baseada apenas em projetos altamente especializados.

Executivo afirma que estratégia do laboratório mudou

Para Pushmeet Kohli, vice-presidente de pesquisa do Google DeepMind e responsável pela área de inteligência artificial aplicada à ciência, a empresa passou por uma evolução na forma de organizar seus projetos.

Segundo o executivo, durante quase uma década o laboratório apostou em equipes dedicadas a grandes desafios individuais. Agora, porém, a companhia pretende desenvolver uma base tecnológica mais ampla, que possa ser utilizada por pesquisadores de diferentes campos.

Na prática, isso significa que o Google quer transformar seus modelos de I.A em ferramentas capazes de apoiar várias áreas científicas ao mesmo tempo. Dessa maneira, a empresa busca competir em um mercado dominado pela corrida por sistemas cada vez mais avançados, no qual rivais como OpenAI e Anthropic também disputam espaço.

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AlphaFold colocou o Google no centro da ciência com I.A

Antes da mudança de estratégia, o AlphaFold se tornou um dos maiores símbolos do avanço da inteligência artificial aplicada à ciência. Lançado em 2018, o sistema conseguiu prever como proteínas se organizam em estruturas tridimensionais, solucionando uma dificuldade que pesquisadores enfrentavam havia décadas.

O impacto da tecnologia foi tão significativo que o trabalho levou o CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, e o pesquisador John Jumper a receberem o Prêmio Nobel de Química de 2024.

A conquista colocou a empresa entre os principais nomes da pesquisa científica com inteligência artificial. Contudo, mesmo após o reconhecimento internacional, alguns dos principais responsáveis pelo projeto deixaram a companhia.

Jumper passou a integrar a equipe da Anthropic, uma das concorrentes do Google na disputa por avanços em I.A. Outros pesquisadores importantes do AlphaFold, como Jonas Adler e Alexander Pritzel, também seguiram para a empresa.

Corrida por inteligência artificial muda prioridades das gigantes de tecnologia

O caso do AlphaFold mostra como o cenário da inteligência artificial mudou rapidamente. Enquanto projetos especializados ajudaram empresas a alcançar avanços científicos importantes, atualmente a disputa está concentrada em modelos capazes de lidar com diferentes tarefas.

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Por isso, o Google DeepMind passou a apostar em uma estrutura mais integrada, na qual tecnologias desenvolvidas para áreas distintas possam fazer parte de uma mesma plataforma.

Assim, o encerramento da equipe exclusiva do AlphaFold representa menos uma despedida do projeto e mais uma mudança de estratégia. O conhecimento acumulado pelo grupo deve continuar sendo utilizado em novas iniciativas, mas dentro de um modelo no qual a inteligência artificial generativa assume o papel principal.

A decisão também revela uma nova etapa da competição tecnológica, na qual o Google e outras empresas do setor buscam avançar além de sistemas capazes de resolver problemas específicos. Agora, a disputa está voltada para a criação de inteligências artificiais que possam participar de diferentes etapas da produção científica.

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