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Redes sociais registram alta de conteúdo médico falso produzido por I.A

Publicado 29/07/2026 • 23:00 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Vídeos produzidos por essas contas acumulam milhões de visualizações no TikTok enquanto divulgam informações falsas sobre doenças, tratamentos e supostas curas.
  • Muitos desses perfis utilizam tecnologia de deepfake para reproduzir a aparência e a voz de médicos, transmitindo uma falsa impressão de credibilidade.
  • O uso de inteligência artificial para simular profissionais da saúde amplia o potencial de alcance das informações falsas.
Redes sociais registram alta de conteúdo médico falso produzido por I.ARedes sociais registram alta de conteúdo médico falso produzido por I.A

Foto: Pixabay

Redes sociais registram alta de conteúdo médico falso produzido por I.A

O avanço de perfis criados com inteligência artificial (I.A) para simular médicos e profissionais de saúde está preocupando especialistas no Reino Unido.

Uma pesquisa divulgada em julho mostrou que vídeos produzidos por essas contas acumulam milhões de visualizações no TikTok enquanto divulgam informações falsas sobre doenças, tratamentos e supostas curas.

De acordo com o The Guardian, o estudo reforça alertas de entidades médicas de que esse tipo de conteúdo pode colocar a população em risco ao estimular decisões baseadas em desinformação.

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Pesquisa aponta crescimento de perfis falsos na área da saúde

O levantamento foi realizado pela agência de marketing digital Hallam, que analisou 1.198 vídeos publicados no TikTok relacionados a temas de saúde. O estudo identificou que conteúdos produzidos ou fortemente apoiados por inteligência artificial estavam presentes em 40% dos vídeos mais populares da plataforma.

Em algumas buscas específicas, como aquelas relacionadas a dicas de saúde, a participação desse tipo de conteúdo foi ainda maior, chegando a 84% dos vídeos analisados.

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Segundo os pesquisadores, muitos desses perfis utilizam tecnologia de deepfake para reproduzir a aparência e a voz de médicos, transmitindo uma falsa impressão de credibilidade.

Alertam para riscos à saúde da população

A Associação Médica Britânica afirmou que o crescimento desses perfis representa um problema sério para a saúde pública. A vice-presidente do conselho da entidade, Dra. Emma Runswick disse que a proliferação de contas que divulgam mitos médicos e promovem supostas curas milagrosas aumenta o risco de pessoas seguirem orientações sem qualquer base científica.

Ela também defendeu que plataformas digitais adotem medidas mais rígidas para impedir a circulação desse tipo de conteúdo, alertando que a população pode sofrer consequências graves ao confiar em informações falsas.

Entre os conteúdos identificados pela pesquisa estavam vídeos que associavam o desenvolvimento de câncer ao uso de recipientes plásticos no micro-ondas, ao uso de desodorantes e até ao hábito de dormir próximo ao celular. Essas alegações já foram desmentidas por instituições especializadas em pesquisa sobre câncer.

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Os pesquisadores também encontraram recomendações de receitas caseiras sem qualquer comprovação científica, como o consumo de Coca-Cola misturada com cebola para aliviar dores.

Outro exemplo envolvia um suposto suplemento chamado “Hyalethinap Plus Pro Max”, apresentado como solução para envelhecimento, queda de cabelo, fragilidade da pele, unhas quebradiças e dores nas articulações. Segundo o levantamento, não foram encontradas evidências da existência desse produto.

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Serviço de saúde britânico demonstra preocupação

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido também manifestou preocupação com o avanço da desinformação nas redes sociais. A diretora médica nacional do NHS England, professora Frankie Swords, afirmou que médicos têm recebido um número crescente de pacientes inseguros após consumirem informações falsas publicadas na internet.

Para ela, muitos desses conteúdos são produzidos apenas para atrair visualizações, sem qualquer compromisso com a qualidade da informação.

A presidente do Royal College of GPs, professora Victoria Tzortziou Brown, também alertou que materiais enganosos produzidos com inteligência artificial representam um risco concreto de danos à saúde.

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Pesquisadores que estudam desinformação afirmam que o uso de inteligência artificial para simular profissionais da saúde amplia o potencial de alcance das informações falsas.

A pesquisadora Alex Ruani, da University College London, afirmou que o fenômeno representa uma exposição preocupante da população a conteúdos médicos enganosos e descreveu a prática como uma exploração em larga escala da confiança das pessoas.

Redes sociais já influenciam decisões sobre saúde

Uma pesquisa realizada anteriormente pela organização Healthwatch England mostrou que cerca de um em cada cinco adultos na Inglaterra utiliza redes sociais para buscar informações relacionadas à saúde.

Segundo a entidade, pessoas que não conseguem diferenciar conteúdos confiáveis de propaganda ou desinformação ficam mais vulneráveis a decisões que podem comprometer o próprio tratamento e a própria saúde.

Após a divulgação da pesquisa, o TikTok informou que o estudo não representa de forma precisa o funcionamento da plataforma.

A empresa afirmou que remove conteúdos falsos e prejudiciais relacionados à saúde, incluindo aqueles produzidos com inteligência artificial.

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Também destacou que mantém parcerias com organizações de saúde, como a Organização Mundial da Saúde e o NHS, além de investir em ferramentas de identificação de conteúdo gerado por I.A e em ações de educação digital.

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