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I.A avança mais rápido que as regras, alertam principais banqueiros centrais e reguladores da Europa
Publicado 03/07/2026 • 11:30 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 03/07/2026 • 11:30 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Foto: Magnific
A regulação financeira está tendo dificuldades para acompanhar o desenvolvimento acelerado da inteligência artificial (I.A).
A regulação financeira está tendo dificuldades para acompanhar o desenvolvimento acelerado da inteligência artificial, segundo autoridades europeias, que buscam equilibrar o incentivo à adoção da tecnologia com a contenção de riscos à integridade e à estabilidade dos mercados.
Nikhil Rathi, diretor-executivo da Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido (FCA, na sigla em inglês), afirmou que o ciclo tradicional de elaboração de normas “não funciona” em uma era marcada por mudanças tecnológicas rápidas, especialmente diante do avanço da chamada I.A agêntica.
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“A tecnologia evolui de forma incrivelmente rápida, e precisamos pensar de maneira diferente sobre algumas das inovações que estamos observando em inteligência artificial”, disse Rathi ao programa Squawk Box Europe, da CNBC, na quinta-feira.
O executivo destacou os esforços do Conselho de Estabilidade Financeira do Reino Unido voltados para a I.A de fronteira, bem como a criação do Instituto de Segurança em I.A no país, iniciativas que buscam ajudar formuladores de políticas públicas, reguladores e empresas a compreender melhor os riscos e implementar a tecnologia de forma segura.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que a inteligência artificial representa uma fonte de ganhos de produtividade. Em entrevista ao jornal francês Les Échos, porém, advertiu que a tecnologia também constitui um “grande risco”.
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“Há cerca de uma década discutimos riscos relacionados à segurança cibernética, invasões, roubo de dados e assim por diante”, afirmou Lagarde. “Mas, com a aceleração e o aprofundamento dos modelos de I.A, enfrentamos um risco muito mais sério, porque tudo acontece de maneira extremamente rápida e porque os mecanismos de defesa — e os recursos necessários para financiá-los — ainda precisam ser desenvolvidos.”
As declarações ocorreram após o impacto da inteligência artificial sobre a produtividade e a integridade dos mercados se tornar um dos principais temas do encontro anual do BCE em Sintra, Portugal — considerado a versão europeia do simpósio de Jackson Hole.
Sarah Breeden, vice-governadora do Banco da Inglaterra, alertou que a I.A agêntica pode ampliar a volatilidade em momentos de estresse nos mercados financeiros.
Em discurso realizado em Sintra na terça-feira, Breeden observou que, por enquanto, as empresas de negociação utilizam sistemas autônomos de I.A principalmente em tarefas operacionais de menor risco, como pesquisas e análises. “Mas isso pode mudar rapidamente”, disse.
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Segundo Breeden, o uso crescente da I.A agêntica nos mercados financeiros poderá exigir uma supervisão mais rigorosa, incluindo mecanismos de proteção semelhantes a “disjuntores” ou “botões de desligamento”, capazes de limitar ou interromper as negociações em larga escala caso modelos defeituosos provoquem colapsos no mercado.
Ao mesmo tempo, banqueiros centrais e reguladores reconhecem que a Europa está atrás na corrida por investimentos em inteligência artificial e no desenvolvimento de empresas de ponta responsáveis pelas principais inovações do setor.
Boris Vujčić, vice-presidente do Banco Central Europeu, afirmou que o continente precisa desenvolver suas próprias capacidades em I.A.
“A Europa está em uma situação em que precisa, evidentemente, construir competências próprias na área da inteligência artificial. Muito se tem discutido sobre soberania tecnológica nesse campo. No passado, a Europa demonstrou capacidade para adotar novas tecnologias e elevar a produtividade, mas nem sempre esteve na fronteira da inovação”, afirmou.
Para Rathi, as autoridades do mercado precisam encontrar um equilíbrio mais adequado diante de uma tecnologia que evolui em ritmo tão acelerado.
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Segundo ele, embora a inovação tecnológica represente oportunidades importantes para o Reino Unido — especialmente no enfrentamento dos desafios de produtividade e crescimento econômico —, é fundamental evitar que os mercados fiquem expostos a riscos que os reguladores ainda não conseguem monitorar plenamente.
“A realidade é que algumas dessas tecnologias evoluem em questão de semanas ou meses, e o ciclo tradicional de elaboração de regras simplesmente não acompanha esse ritmo. Precisamos de novas ferramentas e de uma forma diferente de trabalhar em colaboração com o mercado, por exemplo, no combate a crimes financeiros e na gestão dos riscos associados à I.A, para garantir a integridade dos mercados”, afirmou.
Ele acrescentou: “Não queremos impedir a adoção da tecnologia, mas precisamos ser transparentes sobre onde estão os riscos.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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