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Militares recorrem a I.A treinada com dados do Pokémon Go para orientar drones; entenda

Publicado 12/06/2026 • 16:30 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • A antiga divisão de videogames da Niantic foi vendida em 2025 para a Scopely, empresa controlada por um grupo saudita, em uma operação de US$ 3,5 bilhões.
  • A informação veio à tona após a divulgação de uma parceria entre a Niantic Spatial, empresa criada a partir da antiga desenvolvedora do jogo.
  • Os modelos de IA utilizados na parceria foram treinados utilizando esse conjunto de informações.
Pokémon Go

Foto: ´The New York Times

Militares recorrem a I.A treinada com dados do Pokémon Go para orientar drones; entenda

Uma tecnologia desenvolvida a partir de dados coletados por jogadores de Pokémon Go está chamando atenção por seu potencial uso em operações militares.

A informação veio à tona após a divulgação de uma parceria entre a Niantic Spatial, empresa criada a partir da antiga desenvolvedora do jogo, e a Vantor, especializada em sistemas de navegação para drones.

De acordo com o The Guardian, o objetivo é criar ferramentas capazes de orientar equipamentos autônomos em locais onde o GPS não funciona ou sofre interferências.

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Como os dados do Pokémon Go foram coletados

Lançado em 2016, o Pokémon Go se tornou um fenômeno global ao combinar elementos virtuais com ambientes reais. Em uma atualização realizada em 2021, a plataforma passou a permitir que usuários escaneassem locais físicos por meio da câmera do celular em troca de recompensas dentro do jogo.

A participação era voluntária e dependia da autorização dos jogadores. As imagens e informações captadas ajudaram a criar um vasto banco de dados sobre ambientes urbanos e espaços do mundo real.

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Segundo a Niantic Spatial, esse material foi utilizado para treinar modelos de inteligência artificial capazes de reconhecer estruturas, objetos e características dos ambientes físicos.

Parceria para navegação de drones

Em dezembro do ano passado, a Niantic Spatial anunciou um acordo com a Vantor para desenvolver tecnologias de percepção espacial voltadas a sistemas autônomos.

A proposta é permitir que drones e outros equipamentos consigam se localizar mesmo em situações nas quais os sinais de GPS estejam indisponíveis, bloqueados ou sofrendo interferências.

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De acordo com as empresas, a inteligência artificial treinada com os dados coletados ao longo dos anos pode ajudar as máquinas a interpretar o ambiente ao redor e determinar sua posição com maior precisão.

As companhias afirmam que as digitalizações feitas pelos usuários não foram compartilhadas diretamente com a Vantor. No entanto, confirmaram que os modelos de I.A utilizados na parceria foram treinados utilizando esse conjunto de informações.

Aplicações em cenários militares

A tecnologia tem potencial para ser empregada em operações militares, especialmente em áreas onde sistemas tradicionais de navegação podem ser comprometidos.

Especialistas do setor de defesa apontam que conflitos modernos registram cada vez mais tentativas de bloqueio ou falsificação de sinais de GPS. Nesses cenários, drones autônomos precisam recorrer a métodos alternativos para continuar operando.

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A Vantor já possui contratos ligados ao setor militar. Em fevereiro, a empresa anunciou um acordo com o Exército dos Estados Unidos que pode alcançar US$ 217 milhões para o fornecimento de softwares de treinamento.

Debate sobre privacidade

O caso reacendeu discussões sobre o uso futuro de informações coletadas por aplicativos voltados ao público em geral.

Especialistas em direitos digitais argumentam que muitos usuários não imaginam que dados fornecidos durante atividades recreativas possam, anos depois, contribuir para tecnologias com aplicações militares.

Também existe preocupação sobre a capacidade de empresas de tecnologia reaproveitarem grandes volumes de informações para finalidades distintas das originalmente percebidas pelos consumidores.

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O episódio não é considerado isolado. Especialistas lembram que plataformas baseadas em localização já geraram preocupações semelhantes no passado.

Um dos exemplos mais conhecidos envolve dados de atividades físicas registrados por aplicativos de monitoramento esportivo, que acabaram revelando a localização de instalações militares em diferentes partes do mundo.

Para pesquisadores da área de tecnologia e governança digital, o caso envolvendo o Pokémon Go mostra como bases de dados criadas para entretenimento podem ganhar novas utilidades à medida que os sistemas de inteligência artificial evoluem.

Venda da divisão de jogos

A antiga divisão de videogames da Niantic foi vendida em 2025 para a Scopely, empresa controlada por um grupo saudita, em uma operação de US$ 3,5 bilhões.

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Após a negociação, a área voltada para tecnologia espacial e inteligência artificial passou a atuar de forma independente sob o nome Niantic Spatial, concentrando esforços no desenvolvimento de sistemas de mapeamento e compreensão do mundo físico por máquinas.

Com isso, dados coletados ao longo dos anos por meio do Pokémon Go acabaram contribuindo para o treinamento de sistemas de inteligência artificial.

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