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Novo modelo de I.A da ByteDance pode virar fonte de receita e ampliar disputa com EUA, diz especialista
Publicado 11/08/2026 • 10:15 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 11/08/2026 • 10:15 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A ByteDance pode transformar o desenvolvimento de um novo modelo de inteligência artificial em uma nova fonte de receita e, ao mesmo tempo, reduzir a distância tecnológica entre a China e os Estados Unidos na corrida pela I.A de fronteira. A avaliação é de Marcel Nobre, especialista em tecnologia e inovação, em entrevista ao programa Real Time, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
A empresa, dona do TikTok, estaria desenvolvendo um modelo com capacidade de chegar a 10 trilhões de parâmetros, em um projeto que pode rivalizar em escala com alguns dos sistemas mais avançados em desenvolvimento nos Estados Unidos. Segundo informações publicadas pelo Financial Times e pela Reuters, o modelo ainda está na fase de pré-treinamento.
Para Nobre, porém, o número de parâmetros não deve ser interpretado isoladamente como uma medida de inteligência.
“Só parâmetros não resolvem. A gente precisa entender qual é o custo disso, a velocidade, o nível de eficiência, quanto gasta de energia, se isso está acessível a muita gente ou não”, afirmou.
Modelos maiores exigem uma combinação de recursos, como chips, data centers, energia, capital e profissionais especializados. Por isso, na avaliação do especialista, a capacidade de desenvolver sistemas cada vez maiores não depende apenas do número de parâmetros.
O modelo da ByteDance pode chegar a uma escala superior à de outros sistemas chineses, mas isso não significa necessariamente que terá desempenho proporcionalmente maior. A Reuters também ressalta que o número de parâmetros não permite estabelecer, sozinho, qual modelo é mais poderoso.
Para Nobre, as restrições impostas pelos Estados Unidos à venda de chips avançados para a China acabaram criando um incentivo para que empresas chinesas acelerassem o desenvolvimento de tecnologias próprias e buscassem maior eficiência.
“Essa restrição dos Estados Unidos, ao tentar impedir que a China tenha acesso a modelos e chips mais avançados, obrigou também que a China acelerasse o processo de construção de chips e aprendesse a fazer mais com menos”, disse.
A disputa ocorre em um momento de forte expansão dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. A ByteDance vem ampliando sua atuação em IA por meio de sua equipe de pesquisa Seed e de outros projetos, enquanto também desenvolve modelos voltados ao mercado consumidor e empresarial.
Na avaliação do especialista, a China reúne alguns dos elementos necessários para sustentar essa competição, como capital, engenharia, energia e capacidade de desenvolvimento tecnológico.
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Siga o Times | CNBCO cenário também ajuda a explicar por que a restrição ao acesso a determinados chips não eliminou a capacidade chinesa de avançar na área, embora o impacto das limitações sobre custos, eficiência e escala continue sendo uma questão importante.
Leia também: Investimento da ByteDance coloca Brasil na rota global da infraestrutura de IA
Além da infraestrutura tecnológica, Nobre destaca outro ativo da ByteDance: a quantidade de dados produzidos pelos usuários de suas plataformas.
O TikTok gera informações não apenas sobre o conteúdo consumido, mas também sobre o comportamento dos usuários — como o tempo de permanência em cada vídeo, os conteúdos ignorados e os momentos em que uma pessoa decide passar para o próximo conteúdo.
Esse conjunto de informações pode ajudar a empresa a aprimorar seus sistemas de recomendação e, potencialmente, seus modelos de inteligência artificial.
A lógica também pode gerar impacto financeiro. Segundo Nobre, o avanço da I.A da ByteDance pode melhorar produtos que já existem na empresa e, eventualmente, dar origem a uma nova plataforma para competir com modelos como ChatGPT, Claude, Llama, Gemini e DeepSeek.
“Isso pode se tornar um novo produto e pode ser uma nova fonte de receita para a empresa”, afirmou.
O especialista, no entanto, pondera que ainda não é possível saber como a tecnologia será monetizada. O modelo está em fase de pré-treinamento e não há, segundo ele, uma definição pública de que o sistema será lançado como um produto independente.
A possibilidade de monetização dependerá, portanto, de como a ByteDance decidir utilizar a tecnologia: para aprimorar os produtos existentes, oferecer serviços de inteligência artificial a usuários e empresas ou lançar um novo modelo no mercado.
A estratégia coloca a companhia no centro da disputa global pela chamada I.A de fronteira, em uma corrida na qual escala, eficiência, acesso a computação e dados passaram a ser tão importantes quanto o desempenho dos modelos.
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