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Temores sobre dívidas relacionadas à IA diminuem antes das atualizações da Oracle, Alphabet e Amazon

Publicado 27/10/2026 • 17:38 | Atualizado há 18 minutos

KEY POINTS

  • O fluxo de caixa livre negativo da Meta elevou seus spreads de crédito e os rendimentos de seus títulos, mas a oferta de ações anunciada na segunda-feira ajudou a acalmar os ânimos.
  • Amazon, Microsoft e Alphabet divulgam seus resultados trimestrais esta semana.
  • Os investidores estarão atentos aos planos de investimento em bens de capital e ao potencial de emissão de dívida.
Oracle prepara nova onda de demissões após cortar 21 mil empregos

Reuters

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Os temores relacionados ao endividamento do setor de inteligência artificial (IA) diminuíram após um período de volatilidade nos mercados. Ainda assim, novos testes para esse mercado de dívida estão no horizonte. A Oracle realiza seu Dia do Investidor nesta quarta-feira. Já a Alphabet, empresa de hiperescala, e a Amazon divulgarão seus resultados trimestrais após o fechamento do mercado, na quarta e na quinta-feira, respectivamente.

Os mercados de crédito estão em alerta diante de uma avalanche de dívidas relacionadas à IA, embora as preocupações tenham diminuído um pouco nas últimas semanas. Os planos da Meta Platforms para uma oferta de ações de US$ 95 bilhões (cerca de R$ 514,9 bilhões), anunciados na segunda-feira, ajudaram a reduzir os spreads de seus swaps de crédito (CDS). Esses indicadores haviam subido na semana passada, quando a empresa informou um fluxo de caixa livre negativo no terceiro trimestre. Os spreads de CDS de outras empresas também avançaram, mas recuaram desde então.

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Segundo Richard Cheng, chefe da equipe de crédito corporativo de grau de investimento da Nuveen, os investidores esperavam que a Meta realizasse uma grande emissão de títulos logo após divulgar seus resultados. O fato de isso não ter acontecido trouxe alívio ao mercado.

“A simples ausência de uma emissão de títulos é um fator direto para a redução dos spreads relacionados à IA”, afirmou.

O spread de crédito corresponde à diferença entre o rendimento de títulos corporativos e o de títulos do Tesouro com vencimentos semelhantes. Quando esse diferencial diminui, indica que os investidores estão mais confiantes na capacidade de pagamento do emissor.

Temores considerados exagerados

O comportamento recente do mercado indica que os investidores estão reconhecendo que “os temores em relação ao crédito podem ter sido exagerados”, afirmou Paul Meeks, colaborador da CNBC e chefe de pesquisa de tecnologia da Freedom Capital Markets.

“Espero que esse sentimento mais positivo — talvez não excelente, mas melhor — continue à medida que as empresas divulgarem seus resultados trimestrais nas próximas semanas.”

Apesar da melhora recente, os spreads dos CDS continuam mais elevados em relação ao início do ano, refletindo o aumento das emissões de dívida e a redução do fluxo de caixa livre no setor de IA. O spread de CDS da Meta, por exemplo, acumula alta de 177% no ano, enquanto o da Amazon avançou 129%. Os rendimentos dos títulos também permanecem elevados.

“Não se trata necessariamente de fundamentos”, disse Jordan Chalfin, analista da CreditSights. “Eu diria que, em 80% dos casos, o movimento é mais influenciado por fatores técnicos e pelo sentimento do mercado.”

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Alphabet e Amazon representam o próximo grande teste para o mercado de dívida das empresas de tecnologia, à medida que atualizam seus planos de investimento e suas projeções de fluxo de caixa livre. A Microsoft também divulgará seus resultados na quarta-feira, mas ainda não emitiu títulos para financiar seus investimentos em inteligência artificial.

Tanto a Amazon quanto a Alphabet registraram fluxo de caixa livre negativo no segundo trimestre, e os analistas esperam que essa tendência continue.

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De acordo com as estimativas de consenso da FactSet, a Alphabet deverá apresentar fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,3 bilhões (cerca de R$ 12,5 bilhões) e despesas de capital de US$ 55,2 bilhões (aproximadamente R$ 298,9 bilhões) no terceiro trimestre. Para a Amazon, a expectativa é de fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,9 bilhões (cerca de R$ 53,7 bilhões), diante de despesas de capital de US$ 58,7 bilhões (aproximadamente R$ 318 bilhões).

Em um relatório publicado em agosto, a S&P Global Ratings estimou que os provedores de serviços de hiperescala terão fluxo de caixa operacional livre negativo em 2026 e 2027. Para Cheng, o aspecto mais importante são as perspectivas futuras. “O principal foco dos investidores é a trajetória das projeções de despesas de capital das empresas de hiperescala.”

Meeks, por sua vez, considera que o aumento dos investimentos de capital reflete a forte demanda por IA. Segundo ele, as grandes empresas de tecnologia concluíram, com base em informações às quais os investidores não têm o mesmo acesso, que esses investimentos são necessários e compensam financeiramente.

Chalfin, da CreditSights, não espera que as gigantes da computação em nuvem anunciem novas emissões significativas de títulos junto com a divulgação de seus balanços. As atualizações da Oracle, no entanto, podem ter maior relevância para os mercados de crédito. A empresa já emitiu US$ 117 bilhões (cerca de R$ 634,1 bilhões) em dívida de longo prazo e possui classificação de crédito BBB-, segundo a S&P, o nível mais baixo dentro da categoria de grau de investimento.

“É o crédito de tecnologia com grau de investimento mais importante, considerando que está sob um pouco mais de pressão em comparação com os títulos com classificação A”, afirmou Chalfin. “Seus títulos estão sendo negociados mais como os de uma empresa de alto rendimento, apesar de ainda pertencerem à categoria de grau de investimento. Por isso, há tanta preocupação entre os investidores.”

Dívidas que não aparecem integralmente nos balanços

Um aspecto importante do endividamento ligado à IA é que os balanços patrimoniais não mostram toda a dimensão das obrigações assumidas pelas empresas. Segundo um relatório publicado em setembro pela S&P Global, companhias estão recorrendo a estruturas complexas de financiamento fora do balanço para viabilizar data centers e a aquisição de chips, e esses compromissos não são totalmente transparentes.

“Existem compromissos que essas empresas assumem, como contratos de arrendamento de data centers ou acordos de compra de chips, que não são necessariamente contabilizados como dívida”, explicou Mark Habib, responsável pelo setor de infraestrutura digital da S&P Global Ratings, ao programa Squawk on the Street, da CNBC, na segunda-feira.

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A S&P está tentando ampliar a visibilidade do mercado sobre essas obrigações, a fim de oferecer uma visão mais completa dos compromissos financeiros efetivamente assumidos pelas empresas, acrescentou Habib.

Com exceção da Oracle, as classificações de crédito das grandes empresas de hiperescala permanecem confortavelmente acima do nível A. Isso reflete suas fontes de receita diversificadas, a ampla capacidade de cobrir pagamentos de juros e a possibilidade de aumentar o endividamento, caso considerem necessário. Cheng, da Nuveen, não demonstra preocupação com uma possível crise de crédito. Segundo ele, embora tenha ocorrido uma reavaliação dos riscos, não há sinais de uma crise no setor.

“Essas empresas continuam apresentando perfis de crédito excepcionais e forte liquidez, com capacidade de gerar caixa”, afirmou, referindo-se aos maiores provedores de hiperescala.

“O mercado não está realmente preocupado com a qualidade do crédito neste momento”, acrescentou Cheng. “O que realmente importa é a trajetória das necessidades de investimento e a oferta de dívida para financiá-las. As duas seguem na mesma direção: para cima.”

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