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O melhor espumante italiano quer brigar pelos brindes na mesa dos brasileiros

Publicado 24/08/2026 • 08:45 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Franciacorta mira o mercado brasileiro com expectativa de maior abertura comercial após o acordo Mercosul-União Europeia.
  • Produção limitada e alto valor agregado: cerca de 18 a 20 milhões de garrafas por ano, com faturamento de até € 550 milhões.
  • Berlucchi e Ca’ del Bosco representam a evolução do espumante italiano, que aposta em qualidade, enoturismo e experiências premium.
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A apenas uma hora de Milão e a poucos passos das águas serenas do Lago de Iseo — um dos destinos turísticos mais charmosos e procurados do norte da Itália —, estende-se uma paisagem deslumbrante de colinas desenhadas por vinhedos impecáveis. É nesse cenário que nasce o Franciacorta, consagrado internacionalmente como o melhor e mais refinado espumante italiano produzido pelo método clássico (a tradicional refermentação em garrafa, idêntica à de Champagne). Frequentemente comparado aos mais prestigiados champanhes franceses em degustações às cegas ao redor do globo, o vinho italiano agora mira com ambição o mercado nacional.

Ao contrário do que a sonoridade pode sugerir, o nome Franciacorta nada tem a ver com a França. Sua origem remonta à Idade Média e deriva da expressão latina curtes francae (cortes francas) — zonas medievais isentas do pagamento de impostos. Essa regalia tributária foi instituída séculos atrás porque o solo local, marcado por alta concentração de calcário e pedras, era considerado árido e inadequado para o cultivo agrícola convencional. O que no passado parecia uma desvantagem agronômica revelou-se, eras depois, o terroir perfeito para uvas de excepcional mineralidade, frescor e equilíbrio gustativo.

Com status de Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG), a Franciacorta destaca-se pela produção de pequena escala e rigor extremo, o que torna suas garrafas disputadas nos principais polos de alta gastronomia. Para além das taças, o território consolidou-se como um polo de enoturismo singular, onde cada vinícola oferece uma vivência distinta: desde construções históricas em castelos seculares até verdadeiros templos de design e vanguarda arquitetônica.

A gênese de 1961: O pioneirismo da família Berlucchi

A história da Franciacorta como potência vinícola foi forjada a partir do zero. Até meados do século XX, a região não possuía qualquer tradição na elaboração de vinhos finos espumantes. A virada histórica começou em 1961, graças ao encontro visionário entre Guido Berlucchi, um influente proprietário de terras desejoso de aprimorar a qualidade das uvas de sua fazenda, e Franco Ziliani, um jovem e talentoso enólogo recém-formado.

Com determinação e técnica precisa, Ziliani propôs o desafio de conceber um método clássico italiano de altíssimo padrão. Naquela colheita de 1961, nasceram as primeiras 3.000 garrafas seladas do histórico Pinot di Franciacorta, fundando uma tradição que hoje é celebrada em toda a Itália. Atualmente, a vinícola Berlucchi recebe visitantes em seu imponente castelo do século XVI e em suas históricas caves subterrâneas. A empresa já se encontra na terceira geração da família Ziliani, combinando preservação do legado com inovação agronômica contínua.

Franco Ziliani e Guido Berlucchi nos primeiros anos da fundação da vinícola / Caves históricas da Berlucchi

“Hoje, ver que desde as primeiras garrafas feitas na década de 60 pelo meu pai, Franco Ziliani, transformamos uma região em grande prestígio no mundo do vinho demonstra que o apego da família à qualidade deu frutos. Hoje, não somente eu e meu irmão, mas também nossos filhos continuam esse legado, adicionando sempre inovação e um toque que cada geração quer dar ao nosso produto.”

— Cristina Ziliani, CEO da Berlucchi

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Arte sensorial e olhar estratégico para o Brasil: Ca’ del Bosco

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Se a Berlucchi representa as raízes históricas, a vinícola Ca’ del Bosco encarna a fusão refinada entre modernidade e arte contemporânea. Fundada por Maurizio Zanella, a propriedade transformou a experiência do vinho em uma jornada imersiva e estética sem paralelos no universo da enologia.

A visita à Ca’ del Bosco estrutura-se como um verdadeiro mini-museu de arte sensorial. Em meio a esculturas de artistas de prestígio internacional perfeitamente integradas à natureza e às adegas, os visitantes vivenciam uma experiência que estimula os sentidos — olfato, tato, visão e paladar —, decodificando a alma de cada rótulo e conhecendo tecnologias exclusivas da casa, como o sistema gravitacional e a consagrada técnica de ‘lavagem de uvas’.Fluente em português e frequentador assíduo do Brasil, país que visita todos os anos, Maurizio Zanella acompanha de perto a implementação e enxerga no acordo entre o Mercosul e a União Europeia uma porta de entrada estratégica para consolidar o espumante no paladar brasileiro:

“A maior abertura do mercado brasileiro me deixa muito feliz com o acordo UE-Mercosul, pois tenho uma grande ligação com o Brasil, país que visito todos os anos.”

— Maurizio Zanella, Fundador e Presidente da Ca’ del Bosco

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Escassez disputada: A balança comercial da Franciacorta

Atualmente, a denominação Franciacorta reúne cerca de 120 a 125 vinícolas produtoras, totalizando uma produção anual de aproximadamente 18 a 20 milhões de garrafas. O número reflete uma escala intencionalmente enxuta e focada em valor agregado, especialmente quando comparada aos mais de 300 milhões de garrafas anuais da região francesa de Champagne.

O faturamento global anual da região gira em torno de 500 a 550 milhões de euros. No entanto, o grande desafio para a presença da bebida fora da Europa é o seu forte consumo interno: a grande maioria da produção (cerca de 85%) permanece no mercado italiano, amplamente absorvida pela alta gastronomia e pelos apreciadores locais. Com apenas 15% destinado à exportação, a perspectiva de redução tributária trazida pelo acordo internacional abre espaço para que rótulos de prestígio ganhem protagonismo nas adegas e nos brindes dos brasileiros.

Vinícolas Produtoras (Consórcio): Aproximadamente 120 a 125 vinícolas ativas
Volume Anual Produzido: 18 a 20 milhões de garrafas (DOCG)
Faturamento Anual da Denominação: Cerca de € 500 a € 550 milhões
Distribuição do Mercado: 85% mercado doméstico (Itália) | 15% exportação mundial

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