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Itália lidera avanço no mercado brasileiro de vinhos na contramão da retração global

Publicado 05/08/2026 • 14:51 | Atualizado há 52 minutos

Com forte apetite por rótulos premium, brasileiros elevam valor gasto por litro; acordo Mercosul-União Europeia promete zerar tarifas e impulsionar vendas em até 50%.

Enquanto os principais centros consumidores de vinho no mundo enfrentam uma desaceleração histórica, o Brasil consolidou-se como um dos mercados mais promissores e atraentes para os produtores internacionais. O interesse do consumidor brasileiro não apenas resistiu à tendência de retração global, como mudou de patamar: o público nacional passou a beber com mais frequência e a migrar para garrafas de maior valor agregado.

Nesse cenário de valorização do consumo, a Itália assumiu o protagonismo absoluto no segmento premium do país. As exportações de vinhos italianos para o mercado brasileiro registraram um crescimento de 14,3% em valor no primeiro semestre de 2026.

Salto de qualidade e alta no ticket médio

Mais do que o volume total de garrafas comercializadas, o grande indicador do amadurecimento do mercado brasileiro está no preço médio por litro (FOB), que alcançou US$ 4,81 no primeiro semestre — um salto de 24,6% em relação aos US$ 3,86 registrados no início de 2023. O resultado coloca a Itália na vice-liderança em valor médio por litro exportado ao Brasil, atrás apenas da França.

Diversos fatores explicam a forte relação de compra entre o brasileiro e os rótulos italianos:

  • Sucesso dos Proseccos e Espumantes: O Prosecco virou a grande porta de entrada para o consumo, crescendo 18% em volume no último biênio graças ao seu perfil leve e refrescante, ideal para o clima tropical brasileiro.
  • Diversidade Gastronômica: A variedade de regiões como Toscana (Chianti, Brunello), Piemonte (Barolo), Vêneto (Amarone) e Apúlia (Primitivo) impulsionou a presença dos rótulos italianos na alta gastronomia.
  • Avanço do E-commerce e Clubes de Vinho: Mais de 35% das vendas premium de vinhos italianos ocorrem via canais digitais, que aproximam o consumidor da história e das regras de denominação de origem (DOC e DOCG).
  • Crescimento no Varejo Premium: Nas redes de supermercados de alto padrão e lojas especializadas, a faixa de preço entre R$ 80 e R$ 180 por garrafa teve alta de 21% em vendas, segmento no qual os vinhos italianos se destacam pelo forte custo-benefício.

“O consumidor brasileiro deixou de olhar apenas o preço e passou a buscar origem, tradição e harmonização. A Itália oferece exatamente essa combinação entre história e diversidade gastronômica.”

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Trade em ação: 5ª Edição do “I Love Italian Wines”

Aproveitando o excelente momento do mercado, a Italian Trade Agency (ITA) realiza a 5ª edição do Road Show I Love Italian Wines, o maior evento focado na promoção do vinho italiano no País. Com a apresentação de cerca de 1.000 rótulos, o evento percorre quatro capitais brasileiras com rodadas de negócios e masterclasses ministradas por renomados especialistas:

Data Cidade Local Especialista Responsável  
11/09/2026 Brasília Embaixada da Itália (Sede restaurada) Márcio Lescano
14/09/2026 Rio de Janeiro Sheraton Grand Rio Marcelo Copello
16/09/2026 São Paulo JK Iguatemi Jorge Lucki
18/09/2026 Curitiba Castelo do Batel Julio Kuntz

O divisor de águas: Acordo Mercosul – União Europeia

As perspectivas de expansão comercial para os produtores italianos ganham contornos ainda mais otimistas com os desdobramentos do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

Atualmente, o vinho europeu entra no Brasil sob uma taxa de Imposto de Importação de 27%, somada a impostos em cascata (IPI, PIS/COFINS e ICMS). O acordo prevê a eliminação gradual dessa tarifa até chegar a 0%.

  • Queda no Preço Final: Estimativas do setor indicam uma redução de 15% a 25% no preço final ao consumidor, democratizando o acesso a rótulos DOC e DOCG para milhões de brasileiros da classe média alta.
  • Salto nas Vendas: Importadores e vinícolas projetam um crescimento entre 35% e 50% no volume de vendas nos primeiros cinco anos de vigência do acordo.
  • Mais Diversidade e Vinícolas Boutique: A desburocratização e a proteção às Indicações Geográficas (IGs) abrirão caminho para pequenas vinícolas familiares de regiões como Sicília, Sardenha e Alto Adige entrarem no mercado nacional.

Com a desoneração no horizonte e um público ávido por qualidade, o Brasil firma-se como o destino prioritário para os investimentos e exportações do setor vinícola italiano na América Latina.

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