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Plano sem anúncios da Netflix chega a R$ 98 e streaming se aproxima cada vez mais da lógica da TV tradicional
Publicado 10/05/2026 • 18:20 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 10/05/2026 • 18:20 | Atualizado há 3 dias
KEY POINTS
As empresas de streaming estão descobrindo que seus clientes mais valiosos talvez não sejam os que pagam mais, mas sim os que assistem por mais tempo. A mudança vem sendo impulsionada pela transição de um modelo baseado apenas em assinaturas para outro que combina mensalidades e publicidade.
Como os anúncios são vendidos com base na audiência, quanto mais tempo um assinante passa assistindo, maior é a receita gerada por aquele usuário. Em março, a Netflix elevou os preços pela segunda vez em pouco mais de um ano e levou seu plano padrão sem anúncios para cerca de US$ 20 por mês (R$ 98,2), enquanto a opção com publicidade custa US$ 9 (R$ 44,2).
O movimento sinaliza que o tempo de consumo de conteúdo pode se tornar tão importante – ou até mais – do que o valor pago inicialmente pelo assinante. “É um pagamento duplo”, afirmou Kevin Krim, presidente e CEO da EDO, empresa que mede o impacto da publicidade em streaming e TV linear.
“Desde que o assinante do plano com anúncios esteja engajado com o conteúdo e com a publicidade, ele será tão valioso quanto – ou até mais valioso do que assinantes sem anúncios”, disse Krim.
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Depois de anos resistindo aos anúncios, a Netflix passou a investir fortemente nesse modelo e vem expandindo rapidamente seu negócio de publicidade em paralelo às assinaturas. “Estamos fazendo bons progressos, e a oportunidade à nossa frente é enorme”, afirmou o co-CEO da Netflix, Greg Peters, após o balanço mais recente da companhia.
O Hulu, da Disney, já combina há anos receitas de assinatura e publicidade, enquanto Paramount, Warner Bros. Discovery e Comcast vêm adotando estratégias semelhantes em suas plataformas.
A vantagem da Netflix, porém, está tanto na escala quanto no volume de consumo de conteúdo. Segundo a atualização aos acionistas referente ao quarto trimestre de 2025, a empresa possui mais de 325 milhões de assinantes no mundo e os usuários assistiram coletivamente a mais de 95 bilhões de horas de conteúdo apenas no primeiro semestre de 2025.
Isso oferece à companhia muito mais oportunidades do que seus concorrentes para gerar receitas publicitárias ao longo do tempo.
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Segundo Peters, reduzir a diferença de receita entre assinantes premium e usuários do plano com anúncios é uma das principais prioridades da empresa. Ele afirmou que essa “diferença está diminuindo” e que fechar essa lacuna será uma “oportunidade-chave de crescimento futuro da receita”.
Com base em análises da EDO, um assinante do plano com publicidade pagando cerca de US$ 8,99 por mês (R$ 44,1) pode gerar aproximadamente US$ 12,89 mensais (R$ 63,3) em receita total após 10 horas de consumo.
Após 20 horas assistidas, esse valor subiria para US$ 16,79 (R$ 82,4). Com cerca de 28,5 horas de visualização, o assinante passaria a gerar aproximadamente US$ 20 (R$ 98,2) mensais – valor semelhante ao plano padrão sem anúncios da Netflix.
Com aproximadamente 41 horas de consumo, esse usuário poderia render quase US$ 25 por mês (R$ 122,8), acima do atual plano premium sem publicidade.
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O modelo considera um COM – custo por mil impressões – de US$ 43 (R$ 211,1) e cerca de nove anúncios de 30 segundos por hora, segundo Krim. “Isso muda fundamentalmente a forma como as plataformas de streaming devem avaliar esse assinante”, afirmou.
O porta-voz da Netflix, Adrian Zamora, afirmou que a expansão do negócio de publicidade segue como prioridade central de monetização. Segundo ele, a receita publicitária da empresa continua no caminho para atingir US$ 3 bilhões em 2026 (R$ 14,7 bilhões), o dobro do registrado no ano anterior.
“Estamos muito mais próximos da equivalência do que as pessoas imaginam”, afirmou Paul Frampton-Calero, CEO da agência de marketing digital Goodway Group.
Segundo ele, os assinantes com publicidade estão a caminho de gerar entre 50% e 75% do valor de um usuário premium no curto prazo, com potencial de atingir – ou até superar – a equivalência no futuro.
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Isso acontece porque as plataformas de streaming conseguem combinar escala com dados detalhados sobre comportamento de audiência, permitindo que anunciantes valorizem usuários com base no engajamento real, e não apenas em dados demográficos amplos.
O avanço desse modelo também é impulsionado por consumidores cada vez mais resistentes a aumentos nos preços das assinaturas. Segundo o relatório Digital Media Trends 2026, da Deloitte, os gastos médios mensais das famílias com streaming permaneceram estáveis em cerca de US$ 69 por mês (R$ 338,8).
Ao mesmo tempo, 61% dos consumidores afirmaram que cancelariam um serviço caso os preços subissem US$ 5 (R$ 24,6). Cerca de 68% dos assinantes utilizam atualmente planos com publicidade, refletindo maior disposição em trocar anúncios por mensalidades mais baixas.
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Segundo Mary Gabrielyan, diretora de estratégia da empresa de tecnologia de mídia e marketing AI digital, os planos com publicidade deixaram de ser apenas uma alternativa barata e passaram a representar a principal porta de entrada para novos usuários nas plataformas.
Nos últimos dois anos, cerca de 71% do crescimento de novos assinantes veio de planos com anúncios, segundo o relatório State of Subscriptions, da Antenna.
A empresa, que acompanha atividades de assinatura nas principais plataformas americanas de streaming, apontou que cerca de 65% desses usuários eram totalmente novos nas plataformas, e não clientes migrando de planos premium.
Leia também: Tabaco: Netflix é condenada a multa de 250 mil euros por publicidade ilegal
Apesar do avanço dos modelos com publicidade, assinantes premium ainda geram mais receita atualmente. “O objetivo é, no fim das contas, chegar à indiferença”, afirmou Jessica Reif Ehrlich, analista sênior de mídia e entretenimento da BofA Securities.
“Assinantes premium ainda são mais valiosos, mas os usuários dos planos com anúncios estão se aproximando”, disse. “Em algum momento, o preço das assinaturas vai atingir um limite, e é aí que o crescimento virá da publicidade.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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