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Seleções europeias anunciam boicote à Copa do Mundo caso a FIFA siga com plano de privatização
Publicado 30/07/2026 • 13:40 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 30/07/2026 • 13:40 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Divulgação
O órgão dirigente do futebol europeu, a UEFA, afirmou nesta quinta-feira, 30, que boicotará a Copa do Mundo caso a FIFA leve adiante seu plano com investidores privados.
“Nenhuma seleção nacional da UEFA participará de qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem ativas, a menos que esta proposta seja abandonada em sua totalidade e sejam dadas garantias vinculativas de que a FIFA nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada”, disse a UEFA em um comunicado.
“A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Nenhuma parte dela deve ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.”
A FIFA, entidade máxima do futebol mundial, anunciou na terça-feira planos para criar uma subsidiária comercial para administrar seus maiores eventos, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes.
De acordo com a proposta, investidores privados poderiam adquirir participações na empresa, mas permaneceriam como acionistas minoritários, informou a FIFA. O órgão dirigente espera arrecadar até US$ 4,2 bilhões com base em uma avaliação de US$ 20 bilhões para a iniciativa FIFA Forward Enterprise (FFE).
Se aprovado, o projeto poderá fornecer a cada uma das 211 associações membros da FIFA um pagamento único de US$ 20 milhões no início de 2027 e aumentar sua alocação de financiamento para o ciclo de 2027-2030 de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, descreveu a iniciativa na quarta-feira como uma “oportunidade de ouro para impulsionar o desenvolvimento do esporte globalmente”.
Mas a UEFA, cujo presidente Aleksander Ceferin boicotou a final da Copa do Mundo para demonstrar seu descontentamento com a FIFA, argumentou que “este modelo não tem espaço no futebol mundial”.
“O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cujo principal dever é maximizar o retorno financeiro. Nem os interesses de associações nacionais, ligas, clubes, jogadores e torcedores podem se tornar subordinados aos retornos dos investidores. O futebol não pode hipotecar seu futuro em troca de ganhos financeiros.”
“A posição da Europa é clara. Nunca daremos legitimidade a este modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que apenas custodia para a próxima geração.”
A proposta da FIFA gerou críticas não apenas da UEFA, mas também de várias federações europeias de destaque e autoridades da União Europeia, que veem a medida como mais um passo na comercialização do esporte e expressaram preocupações sobre potenciais conflitos de interesse.
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Siga o Times | CNBCA Confederação de Futebol da América Norte, Central e do Caribe (CONCACAF) e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também manifestaram preocupação com o fato de a proposta ter sido tornada pública antes que as 211 associações membros da FIFA fossem totalmente consultadas.
A Confederação Africana de Futebol (CAF) pediu aos seus membros que analisem o plano controverso da FIFA.
A UEFA, em seu comunicado desta quinta-feira, afirmou que a Copa do Mundo é “um dos maiores legados esportivos do futebol. Ela foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores em todos os continentes”.
“É irresponsável e indefensável que uma proposta de tanta importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com aqueles encarregados de administrar o esporte”, declarou a UEFA.
“Isso não é apenas um profundo fracasso de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.”
“As associações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a captura irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências.”
“Esta não é uma ‘decisão democrática’, mas sim governança por intimidação – um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada da tutela do esporte global.”
A UEFA acrescentou: “Que ninguém tenha dúvidas: a UEFA e suas associações nacionais se oporão a esses planos com determinação absoluta.”
“Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão dispostas a aceitar, mas por aquilo que se recusam a comprometer. Este é um desses momentos.”
“Algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo da FIFA pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela nunca estará à venda.”
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