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Mercados do Japão e EUA lideram ganhos puxados por tecnologia; Brasil fecha maio com fuga do capital estrangeiro

Publicado 29/05/2026 • 21:58 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Os mercados globais foram influenciados por tensões no Oriente Médio, negociações diplomáticas e expectativas para a política monetária, favorecendo bolsas internacionais e ampliando a volatilidade dos ativos.
  • O Brasil registrou saída líquida de R$ 13 bilhões em recursos estrangeiros na Bolsa em maio, movimento que contribuiu para a queda de cerca de 7% do Ibovespa
  • Entre os ativos de maior risco, o Ethereum caiu 9,48% no mês, pressionado pelos juros elevados, pelas incertezas geopolíticas e pela migração de parte dos investidores para o Bitcoin

Kazuhiro Nogi/AFP

Homem caminha na frente do painel eletrônico que mostra o índice Nikkei, da Bolsa de Valores de Tóquio, no Japão

Os mercados financeiros encerraram maio sob influência de uma combinação de fatores geopolíticos, financeiros e monetários. As negociações diplomáticas envolvendo os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, somaram-se às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, que manteve os preços do petróleo em patamares elevados e ampliou a volatilidade nos mercados globais.

Enquanto as bolsas internacionais avançaram impulsionadas principalmente pelo setor de tecnologia, os ativos brasileiros sofreram com a redução do fluxo de capital estrangeiro, o fortalecimento da percepção de risco e as preocupações em torno do cenário fiscal doméstico.

Brasil perde fôlego com retirada de recursos estrangeiros

O mercado brasileiro enfrentou um mês desafiador. A combinação entre juros elevados nas economias desenvolvidas, incertezas globais e aumento da aversão ao risco levou investidores estrangeiros a reduzirem a exposição a mercados emergentes.

O saldo das movimentações de investidores internacionais na bolsa brasileira ficou negativo em R$ 13 bilhões em maio. Apesar disso, o acumulado de 2026 permaneceu positivo em R$ 43 bilhões graças ao forte ingresso de recursos registrado nos primeiros meses do ano.

Com menor participação do capital estrangeiro, o Ibovespa recuou cerca de 7% no mês. Ainda assim, o principal índice da Bolsa brasileira continuou acumulando valorização de aproximadamente 27% em 2026, sustentado pelo desempenho observado no primeiro bimestre.

O movimento também afetou outros indicadores ligados ao mercado local. O MSCI Brasil, referência utilizada por investidores estrangeiros para acompanhar as ações brasileiras, caiu 9,25% em maio. O desempenho refletiu a saída de recursos do país, as preocupações fiscais e a inflação acima do esperado.

Empresas com peso relevante no índice, como Nubank, Itaú e Petrobras, estiveram entre as que contribuíram para o resultado negativo.

O IDIV, indicador que reúne companhias reconhecidas pelo pagamento de dividendos, também encerrou o período em queda de 7,61%. O avanço da atratividade da renda fixa, favorecida pelos juros elevados, reduziu o interesse dos investidores por ações tradicionalmente consideradas defensivas, especialmente nos setores de energia, saneamento e utilidade pública.

Tecnologia impulsiona bolsas globais

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários encerraram maio em alta, impulsionados principalmente pelo desempenho das empresas de tecnologia e pelo entusiasmo dos investidores com os avanços relacionados à inteligência artificial.

O Nasdaq Composite avançou 8,39% no período. O índice foi beneficiado pela valorização das grandes empresas de tecnologia, pela redução dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e pela expectativa de continuidade dos investimentos em inteligência artificial.

O S&P 500 também apresentou desempenho positivo, com alta de 5,18%. Além do setor tecnológico, companhias ligadas à energia contribuíram para o avanço do índice, favorecidas pelos preços mais elevados do petróleo em meio às tensões geopolíticas.

Os investidores acompanharam ainda os desdobramentos das negociações diplomáticas entre Washington e Teerã, bem como os encontros entre Donald Trump e Xi Jinping, que ajudaram a reduzir parte das preocupações relacionadas ao comércio internacional.

Japão lidera ganhos entre os grandes mercados

O destaque positivo do mês ficou com o Nikkei 225, principal índice da Bolsa de Tóquio, que avançou 11,88%. O desempenho foi impulsionado pelo fluxo de investidores estrangeiros para o mercado japonês, pela desvalorização do iene e pelo forte desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial e à produção de semicondutores.

Entre os destaques esteve o grupo SoftBank, beneficiado pelo otimismo em torno da OpenAI e pelas perspectivas de expansão do setor de tecnologia avançada.

BDRs acompanham valorização das gigantes americanas

O BDRX, índice que reúne recibos de ações estrangeiras negociados na bolsa do Brasil, acumulou alta de 9,22% em maio.

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O resultado foi sustentado principalmente pelas chamadas big techs americanas. Nvidia, Apple e Microsoft divulgaram resultados robustos no início de 2026, reforçando a confiança dos investidores no potencial de crescimento das empresas ligadas à inteligência artificial e à transformação digital.

A Nvidia permaneceu como um dos principais destaques do mercado, impulsionada pela forte demanda por chips e infraestrutura voltados para aplicações de inteligência artificial.

Ethereum recua com migração de recursos para ativos mais defensivos

Na direção oposta, o Ethereum encerrou maio com queda de 9,48%.

A criptomoeda foi pressionada pelo ambiente de juros elevados, pela cautela dos investidores diante das tensões geopolíticas e pela saída de recursos dos fundos negociados em bolsa lastreados no ativo.

Além disso, parte do capital destinado ao mercado de criptomoedas migrou para o Bitcoin, que concentrou maior interesse dos investidores ao longo do período.

O resultado foi um aumento da volatilidade e uma redução do apetite por risco no segmento de ativos digitais.

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