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Saída de estrangeiros deixa bolsa sem sustentação doméstica, avalia Vinícius Torres Freire

Publicado 18/08/2026 • 21:30 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Vinícius Torres Freire afirma que a alta da bolsa foi impulsionada principalmente pela entrada de capital estrangeiro em busca de diversificação.
  • Com a saída desses investidores, mercado passou a depender de fundamentos domésticos que seguem fracos, na avaliação do analista.
  • Ele cita desaceleração da economia, juros altos, endividamento e incerteza eleitoral como obstáculos para uma recuperação mais consistente.

A saída do investidor estrangeiro deixou a bolsa brasileira sem um vetor doméstico forte o suficiente para sustentar uma recuperação, avaliou Vinícius Torres Freire, analista de política e economia do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ele, parte importante da valorização observada anteriormente ocorreu quando investidores internacionais decidiram reduzir a concentração em ações americanas e direcionar uma parcela dos recursos para mercados emergentes, entre eles o Brasil.

“A bolsa brasileira subiu especialmente no ano passado e um pouco mais neste porque, em algum momento, o investidor estrangeiro decidiu que estava com muito dinheiro aplicado em ação americana, que tinha se valorizado muito, e tinha uma oportunidade de negócio para diversificar”, afirmou.

Esse movimento, porém, perdeu força. Na avaliação de Torres Freire, investidores realizaram ganhos no Brasil e voltaram a direcionar recursos para os Estados Unidos, especialmente para empresas e setores ligados à inteligência artificial.

“Compraram bolsa, que estava barata, a bolsa subiu, eles saíram, venderam e foram de novo aplicar em empréstimo para empresas de tecnologia nos Estados Unidos e todo o setor que está em torno da IA”, disse.

Leia também: Ibovespa falha em reação e fecha em baixa com saída de estrangeiros e juros dos EUA

Economia doméstica não sustenta alta sozinha

Para Torres Freire, o problema é que, sem a entrada do capital estrangeiro, os fundamentos da economia brasileira ainda não oferecem suporte suficiente para uma valorização mais consistente dos ativos.

“Não tem fundamento maior para a bolsa brasileira andar sozinha”, afirmou.

Entre os fatores citados estão a desaceleração da economia, juros elevados por mais tempo, endividamento de famílias e empresas e a incerteza relacionada às eleições e à futura política econômica.

“A economia brasileira está desacelerando. As taxas de juros vão ficar muito altas por mais tempo. As famílias estão endividadas, muita empresa está endividada”, disse.

Segundo o analista, uma economia mais fraca tende a pressionar também a situação financeira de famílias e companhias.

“Quando a economia desacelera, esse problema fica maior, porque gente pode começar a ficar sem emprego e aí vira uma bolinha de neve”, afirmou.

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Bolsa barata não basta

Torres Freire afirmou que preços relativamente baixos, por si só, não são suficientes para atrair investidores de maneira duradoura.

“Não importa que a bolsa esteja barata, o crescimento daqui não vai ser grande, pelo menos até o ano que vem. E olhe lá, a não ser que tenha uma mudança muito grande de política econômica positiva”, afirmou.

Na avaliação dele, o mercado ainda precisa de sinais mais claros sobre o crescimento da economia e sobre a condução da política econômica após as eleições.

A incerteza eleitoral também tende a reduzir a disposição de investidores internacionais em manter posições no país por um período mais longo.

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Investidor local não compensa saída externa

Torres Freire afirmou que houve alguma entrada de recursos de investidores institucionais e pessoas físicas neste mês, mas o movimento ainda não é suficiente para compensar a retirada dos estrangeiros.

“Até investidor institucional, pessoa física, este mês estão botando um dinheiro. Em geral, eles estão no ano negativo, mas não está sendo suficiente para compensar a saída dos estrangeiros”, disse.

Segundo ele, o investidor externo conseguiu capturar parte da valorização anterior e passou a encontrar novamente oportunidades consideradas mais atraentes nos Estados Unidos.

“Ganharam a grana aqui, viram que não tem fundamento, que a incerteza vai aumentar porque tem eleição, e foram lá fora ganhar um dinheirinho extra”, afirmou.

Para Torres Freire, uma retomada mais firme da bolsa brasileira depende de dois fatores: melhora dos fundamentos econômicos domésticos ou uma nova decisão dos investidores estrangeiros de aumentar a exposição ao Brasil.

“Sem fundamento forte aqui e sem estrangeiro voltar a achar que pode comprar Brasil, que é melhor dar uma diversificada aqui, a bolsa não vai para frente”, afirmou.

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