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Buffett chamou a compra da Berkshire Hathaway de seu investimento mais “estúpido”; agora, conglomerado vale US$ 1,1 trilhão

Publicado 27/09/2026 • 12:17 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • Buffett pretendia lucrar com a venda das ações da Berkshire, mas uma diferença de US$ 0,12 no preço mudou seus planos.
  • O investidor assumiu o controle da empresa em 1965 e passou anos tentando sustentar o negócio têxtil, que acabou fechado em 1985.
  • A Berkshire deixou de ser uma fabricante de tecidos e se tornou um conglomerado avaliado em cerca de US$ 1,1 trilhão.

David A. Grogan | CNBC

Imagem de arquivo. Warren Buffett visita o local da Reunião Anual de Acionistas da Berkshire Hathaway em Omaha, Nebraska.

Uma negociação frustrada por apenas US$ 0,12 por ação mudou o rumo da trajetória empresarial de Warren Buffett e da própria Berkshire Hathaway. O investidor pretendia obter lucro comprando ações da então decadente fabricante de tecidos e revendendo sua participação quando surgisse uma oportunidade.

O desentendimento sobre o preço, porém, levou Buffett a abandonar a estratégia original e assumir o controle da companhia.

Décadas depois, a antiga empresa têxtil se transformou em um conglomerado com negócios em seguros, ferrovias, energia, serviços e varejo. A Berkshire chegou a ser avaliada em cerca de US$ 1,1 trilhão, embora o próprio Buffett tenha classificado a decisão que deu origem a essa trajetória como um dos piores investimentos que fez.

Leia também: Buffett virou referência ao fugir das ações “da moda” e apostar em fundamentos das empresas

Uma fabricante de tecidos em dificuldades

Buffett começou a comprar ações da Berkshire Hathaway em 1962. Naquele momento, a companhia atravessava um período de retração e vinha fechando fábricas. A estratégia inicial não era assumir o comando do negócio.

O investidor comprava os papéis quando considerava que estavam baratos e esperava que a própria empresa, ao encerrar alguma unidade, utilizasse os recursos disponíveis para recomprar ações. Com isso, ele pretendia vender sua participação por um valor maior.

A lógica funcionava como uma operação oportunista sobre uma empresa em declínio, e não como uma aposta de longo prazo na indústria têxtil. Buffett acreditava que novos fechamentos de fábricas poderiam criar outras ocasiões para negociar seus papéis.

O impasse de US$ 0,12

Segundo a Fortune, o ponto de virada ocorreu durante uma negociação com Seabury Stanton, então principal executivo da Berkshire. Buffett concordou em vender suas ações por US$ 11,50 cada.

Quando a proposta formal chegou, no entanto, o preço indicado era de US$ 11,375 por ação, aproximadamente US$ 0,12 abaixo do combinado. Irritado com a mudança, Buffett decidiu não vender.

Em vez disso, passou a comprar mais ações, o que culminou na tomada do controle da Berkshire em 1965 e na saída de Stanton da administração. Uma diferença relativamente pequena no preço de uma ação acabou, assim, por provocar uma mudança completa de estratégia.

Buffett passou anos tentando manter o negócio têxtil

Assumir a Berkshire não resolveu os problemas de sua atividade original. Buffett permaneceu por cerca de duas décadas tentando manter as fábricas de tecidos em funcionamento na região da Nova Inglaterra.

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A operação enfrentava dificuldades econômicas e acabou encerrada em 1985. Anos depois, Buffett reconheceu que direcionou uma quantidade significativa de dinheiro para um negócio que apresentava perspectivas ruins.

Na avaliação feita posteriormente pelo investidor, manter capital comprometido com a indústria têxtil teve um custo elevado porque esses recursos poderiam ter sido destinados mais cedo a atividades com melhores perspectivas.

Seguros mudaram o perfil da Berkshire

A transformação começou a ganhar força fora do setor têxtil. Em 1967, a Berkshire adquiriu a seguradora National Indemnity. A partir daí, Buffett utilizou a companhia como estrutura para realizar novas aquisições e investimentos.

Com o passar das décadas, o grupo ampliou sua presença em diferentes setores e acumulou participações em grandes empresas. Negócios ligados a seguros se tornaram uma parte central dessa expansão.

Buffett chegou a estimar que a insistência inicial na Berkshire têxtil teve um custo de oportunidade de centenas de bilhões de dólares. Segundo ele, teria sido financeiramente mais vantajoso iniciar sua estratégia diretamente com uma seguradora, sem manter durante tantos anos a operação de tecidos.

De fábrica em crise a conglomerado

A companhia que Buffett inicialmente pretendia usar em uma operação de compra e venda passou a concentrar empresas de diferentes segmentos. O portfólio da Berkshire passou a incluir seguros, ferrovias, energia, serviços públicos, indústria e varejo.

Em 2025, o conglomerado registrou receita de US$ 371,4 bilhões e encerrou o período com patrimônio líquido de US$ 717,4 bilhões.

A valorização das ações também acompanhou a mudança de perfil. Entre 1965, quando Buffett assumiu o controle, e o fim de 2024, os papéis da Berkshire acumularam alta superior a 5,5 milhões por cento.

Berkshire se tornou a principal fonte da fortuna de Buffett

A expansão do conglomerado também passou a representar a maior parte do patrimônio pessoal de Buffett. Cerca de 99,5% de sua fortuna estava associada à participação na Berkshire em 2024.

Aos 96 anos, o investidor aparecia com patrimônio estimado em US$ 145 bilhões. Ele detinha aproximadamente 37,2% das ações Classe A da companhia e uma parcela menor das ações Classe B.

Além das empresas controladas integralmente, a Berkshire construiu uma carteira de participações em companhias de capital aberto. Entre os nomes citados no material estão Coca-Cola, American Express e Dairy Queen. Os investimentos realizados em mais de 60 empresas desde 1965 proporcionaram retorno médio anual de 19,7%.

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