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Do apetite à aversão: estrangeiros tiram R$ 11,4 bi da bolsa em maio, na maior saída em quase 3 anos

Publicado 21/05/2026 • 22:38 | Atualizado há 6 horas

KEY POINTS

  • Dados da Elos Ayta mostram desaceleração mês a mês do fluxo estrangeiro em 2026: R$ 26,31 bi em janeiro; R$ 15,4 bi em fevereiro; R$ 11,66 bi em março; e R$ 3,18 bi em abril.
  • JPMorgan atribui a reversão a fatores externos, como rotação global para tecnologia, alta dos Treasuries, postura mais dura do Fed e menor apetite por emergentes.
  • Banco vê investidores “à margem” até haver normalização do risco no Estreito de Ormuz, queda do petróleo e recuo dos juros dos títulos americanos.
A alta ocorre apesar da valorização discreta dos índices de ações norte-americanos.

Bolsa de valores

Pixabay

Investidores estrangeiros já retiraram R$ 11,4 bilhões da bolsa brasileira em maio, configurando a maior saída mensal desde agosto de 2023, quando o capital externo deixou R$ 13,21 bilhões da B3 em um único mês.

Os dados, compilados pela consultoria Elos Ayta até 19 de maio, revelam que a retirada se concentra em um número reduzido de pregões e marca uma virada brusca em relação ao início do ano.

Em janeiro, o capital estrangeiro entrou na bolsa de valores em ritmo recorde — foram R$ 26,31 bilhões em um único mês, o maior valor da série da Elos Ayta, iniciada em 2022. Desde então, os aportes desaceleraram a cada mês: R$ 15,4 bilhões em fevereiro; R$ 11,66 bilhões em março; R$ 3,18 bilhões em abril. Em maio, a tendência se inverteu de vez.

Fonte: Elos Ayta Consultoria

Apesar da queda recente, o saldo acumulado de 2026 segue positivo. Até 19 de maio, a entrada líquida de recursos estrangeiros somava R$ 45,11 bilhões, sem considerar IPOs e follow-ons. O número já supera a entrada total de 2025 (R$ 25,47 bilhões), mas continua distante do recorde de 2022, quando os aportes estrangeiros superaram R$ 100 bilhões em um único ano.

Fonte: Elos Ayta Consultoria

O que está por trás da saída

Em relatório publicado em 15 de maio, com dados de fluxo até o dia 12, o JPMorgan listou cinco fatores principais para explicar a reversão. O banco avalia que as razões por trás do declínio da bolsa “são mais externas do que internas”.

O primeiro motivo é a rotação setorial global após o anúncio do cessar-fogo entre Israel e Irã. Com o alívio das tensões no Oriente Médio, investidores migraram de papéis ligados a commodities, setor de forte peso na B3, para ações de tecnologia, principal beneficiada do movimento.

Em segundo lugar, há uma saída generalizada de mercados emergentes. Cerca de 10% de todo o capital que havia entrado em emergentes durante o conflito foi resgatado no período. Mas a saída do Brasil foi proporcionalmente mais intensa: 25% do que havia ingressado no país até meados de abril já tinha saído até a data do relatório.

O terceiro fator é a postura mais hawkish do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Com inflação em alta nos Estados Unidos e dados de emprego ainda resilientes, os rendimentos dos Treasuries dispararam após o cessar-fogo. O movimento atraiu capital de volta para os EUA e drenou liquidez dos emergentes. Na terça-feira (19), o yield de 10 anos chegou a 4,687% intraday, maior patamar desde janeiro de 2025, antes de recuar parcialmente nos pregões seguintes.

O quarto ponto é a assimetria do real. Depois de uma valorização de 10% no ano frente ao dólar, chegando a R$ 4,90, o banco avalia que a moeda local passou a oferecer mais risco de queda do que potencial de alta para o investidor estrangeiro. Isso reduz o atrativo de manter posições na bolsa brasileira.

O quinto fator é o ciclo de juros doméstico. O Copom deve cortar menos do que o mercado projetava. Segundo o JPMorgan, eventuais cortes adicionais devem ficar limitados à magnitude de 25 pontos-base até o fim do ano, com risco não desprezível de pausa.

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O componente eleitoral

A esses fatores se soma um ingrediente mais recente e doméstico. O JPMorgan destacou no relatório o impacto das revelações publicadas pela Intercept em 13 de maio, que ligaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

“Os eventos políticos dos últimos dias não oferecem uma oportunidade para entrar [na bolsa]”, afirma o banco. Segundo o JPMorgan, nas seis eleições presidenciais deste século, o mercado brasileiro teve desempenho fraco nos seis meses anteriores ao pleito, em termos absolutos e relativos.

Três condições para a volta

Para o JPMorgan, o retorno do capital estrangeiro à bolsa depende da materialização de três condições: reabertura do Estreito de Ormuz, queda dos preços do petróleo e recuo nos rendimentos dos Treasuries americanos.

“Para investidores estrangeiros, o risco de queda é maior considerando que o real parece assimétrico para o lado forte”, afirmam as estrategistas Emy Shayo e Cinthya Mizuguchi no relatório. A recomendação é “ficar à margem”, embora as estrategistas reconheçam que os preços das ações brasileiras estão descontados — 17% abaixo do patamar pré-guerra e 13% abaixo da média histórica.

Apesar da intensidade da saída de maio, os dados da Elos Ayta mostram que o saldo de 2026 permanece em terreno positivo e segue superior ao ano cheio de 2025. O movimento atual contrasta também com os dois ciclos anteriores de saída expressiva — 2019 (-R$ 44,5 bi) e 2024 (-R$ 32,1 bi) — que se estenderam ao longo de todo o ano, e não apenas em janelas mensais isoladas.

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