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Caso Deolane revela como fintechs fizeram ‘explodir’ recursos do PCC

Publicado 21/05/2026 • 23:11 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Polícia Civil afirma que o uso de fintechs elevou o volume de recursos movimentados por pessoas e empresas ligadas à investigação.
  • Deolane Bezerra foi presa na Operação Vérnix, que também mira integrantes da cúpula do PCC, incluindo Marcola.
  • A apuração aponta indícios de fracionamento, circularidade de valores e uso de empresas com suspeita de atuação como fachada.
Deolane Bezerra

Foto: Instagram/ Deolane

Deolane Bezerra

A Polícia Civil de São Paulo afirma ter identificado uma mudança relevante no padrão financeiro de pessoas e empresas ligadas à advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Segundo os investigadores, o uso de fintechs ajudou a ampliar de forma expressiva a movimentação de recursos atribuída ao grupo investigado.

A conclusão aparece na representação enviada à Justiça para pedir a prisão de suspeitos na Operação Vérnix. Entre os alvos estão Deolane e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), que já cumpre pena em presídio federal de segurança máxima em Brasília.

Deolane foi presa na manhã desta quinta-feira (21), em sua residência em um condomínio no Tamboré, na Grande São Paulo. Ela havia retornado na véspera de uma viagem a Roma.

Polícia aponta salto nas movimentações

A análise da Polícia Civil compara movimentações financeiras de Deolane e de pessoas físicas e jurídicas relacionadas a ela em diferentes períodos. Segundo os investigadores, os dados mostram uma “alteração substancial” no padrão econômico-financeiro da influenciadora e de suas empresas a partir do segundo semestre de 2022.

Em relatórios anteriores, referentes ao período de 2018 a 2022, a polícia afirma que as movimentações atípicas eram mais moderadas e não ultrapassavam R$ 1 milhão.

No recorte posterior, de julho de 2022 a maio de 2024, a investigação aponta um salto no volume de recursos, com destaque para a entrada de mais de R$ 30 milhões vindos de empresas de meios de pagamento, incluindo fintechs.

Para a Polícia Civil, o avanço do uso dessas plataformas pelo crime organizado reflete a adaptação de facções ao ambiente financeiro digital e exige atuação mais coordenada e especializada dos órgãos de controle.

Leia também: Deolane Bezerra fez lavagem de “um oceano de dinheiro para o PCC”, dizem investigadores

Laudo fala em rede financeira de R$ 140 milhões

A investigação também aponta indícios de fracionamento de depósitos, pulverização de recursos e circularidade de valores. Segundo a polícia, foram identificadas transações recorrentes com empresas cuja movimentação seria incompatível com a atividade declarada.

Um laudo pericial anexado ao inquérito descreve uma “malha financeira estruturada” em torno de Deolane, envolvendo pessoas físicas e jurídicas interligadas. A movimentação global, segundo a perícia, supera R$ 140 milhões em créditos e débitos.

Entre as empresas citadas pela polícia estão PagFast Cobrança e Serviços em Tecnologia Ltda., Lucas Cosméticos Ltda. e Jarinu Anúncios do Brasil Ltda. De acordo com os investigadores, essas companhias transferiram mais de R$ 5,7 milhões para a Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda.

Endereços e empresas entram na mira

A Polícia Civil afirma ter identificado cinco empresas nas quais Deolane teria participação como sócia. Em Santo Anastácio, no interior paulista, uma empresa em nome da influenciadora funcionava em um endereço usado por outras 12 pessoas jurídicas.

Segundo os investigadores, o imóvel simples, com paredes de madeira, seria um indício de que empresas ligadas a Deolane poderiam funcionar como fachada.

Outra empresa atribuída a ela, em Martinópolis, estava registrada em um endereço que também abrigava mais 15 companhias. Em um terceiro endereço ligado ao contador Eduardo Affonso Rodrigues, a polícia encontrou o registro de outras nove empresas. O contador também passou a ser investigado.

Depósitos fracionados e bens de luxo

A polícia afirma que, entre 2018 e 2021, foram encontrados depósitos em espécie fracionados nas contas de Deolane, sempre em valores inferiores a R$ 10 mil. Somados, eles chegam a R$ 1,067 milhão.

Na representação enviada à Justiça, os investigadores destacam que nenhum dos depósitos em espécie não identificados atingiu valor igual ou superior a R$ 10 mil.

A apuração também aponta o uso de laranjas para movimentar recursos. Segundo a polícia, Deolane teria adquirido carros de luxo, incluindo duas Land Rover e um Porsche avaliado em R$ 1 milhão, além de um terreno em Tamboré.

A irmã da influenciadora, Dayanne Bezerra dos Santos, também aparece na investigação. De acordo com a polícia, ela movimentava recursos do grupo e tentou sacar R$ 1 milhão em espécie de uma agência do Itaú em 2023.

Leia também: Influenciadora Deolane Bezerra é presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC

Operação mira cúpula do PCC

A Operação Vérnix foi deflagrada nesta quinta-feira (21) para cumprir mandados de prisão contra seis alvos. Além de Deolane e Marcola, a Justiça determinou a prisão de Alejandro Herbas Camacho, irmão do líder do PCC, e de dois sobrinhos dele: Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho.

Paloma está na Espanha, e Leonardo, na Bolívia. A Justiça determinou a inclusão dos nomes dos dois na Difusão Vermelha da Interpol.

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