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Focus projeta dólar a R$ 5,40 até dezembro, mas moeda segue em queda e mercado questiona discrepância
Publicado 10/04/2026 • 22:23 | Atualizado há 1 mês
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Publicado 10/04/2026 • 22:23 | Atualizado há 1 mês
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Nota de dólar
A recente queda do dólar para níveis próximos de R$ 5 reacendeu um debate no mercado financeiro sobre a aparente discrepância entre o câmbio atual e as projeções do Boletim Focus, que apontam a moeda americana em torno de R$ 5,40 no fim do ano. A divergência, no entanto, pode ser menos um erro de previsão e mais uma questão de perspectiva.
Segundo Raissa Florence, economista e diretora executiva da Oz Câmbio, o Focus não deve ser interpretado como um retrato do momento, mas como uma leitura estrutural. “A projeção do Focus reflete menos a ‘foto do momento’ e mais um cenário de equilíbrio de riscos para o ano”, afirma.
Entre os fatores que sustentam essa visão mais depreciada do real estão as incertezas fiscais domésticas, ainda presentes apesar de indicadores econômicos positivos. “Há dúvidas sobre a trajetória da dívida, execução do arcabouço e necessidade de arrecadação, o que pode gerar enfraquecimento do real, principalmente em contexto eleitoral”, explica.
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Além disso, o cenário externo também pesa. Mesmo com o início de um ciclo de cortes, os juros americanos seguem elevados, o que fortalece o dólar globalmente. Ao mesmo tempo, há expectativa de redução da Selic ao longo do ano, o que tende a diminuir o diferencial de juros e enfraquecer o real. “Com cortes na Selic, o Brasil perde parte do carry (carrego) que sustentou o real forte recentemente”, diz.
Se o médio prazo aponta para cautela, o curto prazo conta outra história. O real tem se valorizado, sustentado por fatores conjunturais. “A Selic ainda alta favorece o carry trade, há fluxo comercial forte com exportações de commodities e indicadores domésticos positivos”, afirma Florence. Segundo ela, o real chegou a ocupar a segunda posição entre as moedas que mais se valorizaram no mundo nesta semana.
Esse movimento foi intensificado após uma mudança no cenário geopolítico. Nos últimos 40 dias, a aversão ao risco provocada por tensões no Oriente Médio levou investidores a buscar proteção no dólar. No entanto, com sinais de cessar-fogo e melhora nos indicadores locais, o real voltou a ganhar força. “Em pouco mais de uma semana, o dólar caiu mais de 20 centavos frente ao real”, destaca.
Para a economista, a diferença entre o câmbio atual e o projetado está diretamente ligada ao horizonte de análise. “O que vemos é uma diferença entre o fluxo de curto prazo, que domina agora, e os fundamentos de médio prazo, refletidos no Focus”, afirma.
A sustentação de um real mais forte, contudo, depende de avanços concretos. Florence aponta três pilares essenciais: medidas fiscais consistentes, maior eficiência trazida pela reforma tributária e redução do risco Brasil.
O comportamento do dólar até o fim do ano deve seguir condicionado a variáveis-chave, com destaque para o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e o ambiente global de risco. “Se os EUA cortarem juros e o Brasil cortar menos, o real tende a se valorizar. Se ocorrer o contrário, a moeda brasileira perde força”, explica.
Nesse cenário, a taxa de câmbio pode oscilar em faixas distintas a depender das condições. Em um ambiente mais benigno, com juros favoráveis e menor tensão geopolítica, o dólar poderia ficar entre R$ 4,90 e R$ 5,10. Já em um quadro adverso, com redução do diferencial de juros ou aumento da aversão ao risco, a moeda pode retornar ao intervalo entre R$ 5,30 e R$ 5,50.
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