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Ouro: guerra e outros fatores que causaram a alta na demanda irão continuar, diz estrategista
Publicado 11/03/2026 • 10:31 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 11/03/2026 • 10:31 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
“Os fatores que levaram a essa demanda mais elevada do ouro e que fizeram o preço subir ainda persistem. A guerra só trouxe e justificou essa demanda“, afirmou Michael Viriato, estrategista da Casa do Investidor, em entrevista ao programa Pré-Market, do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
“Vil metal”, escreveu Molière ao tratar do poder do dinheiro de despertar avareza, medo e disputa entre os homens em sua peça ‘O Avarento’, escrita em 1668. Em março de 2026 a cotação do metal registrou uma retração de 1%, a primeira após sete meses seguidos de altas. 358 anos depois, o tom sarcástico do dramaturgo francês segue atual diante de guerras, tensões globais, incertezas econômicas e imprevisibilidade política, que mantém a busca pelo ouro como reserva de valor.
Nesta quarta-feira (11), a onça-troy é cotada a US$ 5.195, o equivalente a R$ 26.870. Em 12 meses, o metal se valorizou 76%. No acumulado de 2026, a alta chega a 20%, depois de uma valorização de 46% em dólar ao longo de 2025.
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De volta à 2026, nos sete meses que antecederam março, o ouro registrou alta em todos os períodos. A menor valorização mensal foi de 2,2% e a maior superou 12%.
A retração atual, segundo Michael Viriato, ainda pode se encerrar antes do fim do mês. O estrategista alerta, porém, que quem olha apenas para o desempenho passado tende a subestimar a volatilidade do ativo no dia a dia.
“Qualquer investimento de risco não ganha imediatamente. O ouro, embora se fale ativo de proteção, ele não é bem proteção, ele é exposição”, disse.
Na avaliação de Viriato, o ouro funciona como instrumento de diversificação global para investidores que querem reduzir exposição a outras moedas e ativos que pagam juros, não como um porto seguro em momentos de crise.
O estrategista apontou ainda que, desde o início do conflito no Oriente Médio, praticamente todos os ativos recuaram: bolsas, ouro, renda fixa e commodities em geral, com exceção do petróleo.
O único ativo que se saiu bem foi o dólar americano frente às principais moedas globais, medido pelo índice DXY. “Quando tem uma guerra, quando tem uma elevação de risco, normalmente os investidores se retraem, guardam o caixa esperando para ver o que vai acontecer”, explicou.
A entrada de investidores com perfil especulativo, em busca de ganhos no curtíssimo prazo, tem ampliado as oscilações do metal. Viriato cita o crescimento da participação de investidores chineses nesse mercado como um fator que intensifica a volatilidade diária.
“À medida que mais investidores entram, essa oscilação acaba se tornando maior”, afirmou. Para quem busca o ouro como diversificação de longo prazo, o estrategista considera o ativo ainda válido, desde que o investidor esteja ciente do comportamento volátil do mercado no curto prazo.
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