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Setor imobiliário vive momento positivo mesmo com juros altos, diz head do Patria Investimentos Rodrigo Abbud
Publicado 11/08/2026 • 19:55 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 11/08/2026 • 19:55 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O setor imobiliário brasileiro atravessa um momento positivo mesmo com a taxa de juros ainda elevada, com avanço dos aluguéis e dos dividendos pagos pelos fundos, afirmou Rodrigo Abbud, sócio e head de Real Estate do Patria Investimentos.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC nesta terça-feira (11), Abbud disse que o cenário macroeconômico continua pressionando a valorização das cotas dos fundos imobiliários, mas que os fundamentos dos ativos permanecem favoráveis.
“O setor imobiliário como um todo está num momento positivo mesmo com essa taxa de juros elevada. O que isso significa? Que os aluguéis estão aumentando e os dividendos estão aumentando”, afirmou.
Segundo o executivo, esse crescimento da renda ajuda a compensar a pressão exercida pelos juros sobre o valor dos fundos negociados no mercado.
“Você acaba tendo um dividendo mensal um pouco mais elevado, o que segura e contrabalanceia essa pressão de queda nas cotas”, disse.
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O avanço do Patria no mercado imobiliário também foi destacado por Abbud. Segundo ele, a plataforma passou de aproximadamente R$ 600 milhões investidos em real estate para mais de R$ 38 bilhões em quatro anos.
“É um salto gigantesco em quatro anos. Nós estamos falando de R$ 600 milhões para quase R$ 40 bilhões”, afirmou.
O crescimento ocorreu tanto de forma orgânica quanto por meio de aquisições. Nesse período, o Patria incorporou operações e gestoras, incluindo VBI, a divisão de investimentos imobiliários do Credit Suisse, além de negócios de real estate da Genial e da RBR, segundo Abbud.
Hoje, a plataforma está presente em segmentos como logística, escritórios, shopping centers, varejo e crédito imobiliário.
“É um momento bastante interessante de expansão, de crescimento, de fortalecer a nossa vertical de real estate”, disse.
Depois da sequência de aquisições, porém, o apetite por novos negócios está mais seletivo.
“Quando a gente olha daqui para frente, o apetite para novas aquisições está muito mais seletivo, muito mais restritivo. Tem que ser uma coisa bem oportunística, porque o nosso portfólio está completo”, afirmou.
Segundo Abbud, cerca de 85% dos investimentos imobiliários da plataforma estão concentrados em fundos imobiliários, principalmente veículos listados voltados ao investidor de varejo.
O executivo afirmou que a base vinculada a esses produtos chega a aproximadamente 1,3 milhão de investidores.
Para Abbud, os fundos ampliaram o acesso do pequeno investidor ao mercado imobiliário ao permitir exposição a diferentes imóveis por meio de veículos negociados no mercado.
Ao mesmo tempo, juros elevados tornam a competição por recursos mais difícil, já que investimentos atrelados ao CDI oferecem retorno elevado com maior liquidez.
“O nosso mercado imobiliário é absolutamente e inversamente correlacionado à taxa de juros. Quanto mais alta a taxa de juros, mais difícil fica o nosso ambiente”, afirmou.
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Siga o Times | CNBCAbbud disse que a expectativa inicial era de uma queda mais intensa da curva de juros entre 2026 e os anos seguintes. Esse cenário perdeu força, reduzindo o potencial de valorização das cotas no curto prazo.
Segundo ele, depois da recuperação observada em 2025, o mercado de fundos imobiliários apresenta comportamento mais lateral em 2026.
“A gente continua num processo de tendência de baixa da curva de juros, porém menos acentuada”, afirmou.
O contraponto vem da operação dos imóveis.
Em segmentos como logística, escritórios e shopping centers, Abbud vê melhora dos fundamentos, com aluguéis maiores e reflexo positivo na distribuição de renda aos cotistas.
Para o executivo, o investidor não deve tratar a escolha entre fundos de “tijolo”, que investem diretamente em imóveis, e fundos de “papel”, concentrados em crédito imobiliário, como uma disputa entre estratégias.
“Eu sempre fui defensor de um balanceamento de carteira. Sou contra aquele Fla-Flu: você tem que ter uma e não pode ter outra”, afirmou.
Segundo Abbud, fundos de crédito podem oferecer distribuição de renda mais elevada em determinados cenários de juros, enquanto fundos de imóveis possuem maior potencial de valorização dos próprios ativos ao longo do tempo.
“Os dois caminham super bem numa carteira balanceada, numa estratégia de portfólio. Um para renda mais imediata, outro para ganho de capital um pouco mais de médio prazo”, disse.
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Abbud também vê a consolidação como uma tendência estrutural da indústria.
Segundo ele, o mercado está entrando em uma terceira etapa, marcada por fundos maiores, carteiras diversificadas e gestão ativa.
“Nós estamos entrando na fase 3.0, que é você ter uma gestão ativa”, afirmou.
Na avaliação do executivo, fundos maiores permitem diluir riscos entre mais imóveis e inquilinos e reduzir a dependência de um único ativo.
“Dentro de uma gestão bem feita, acaba sendo muito mais benéfico porque você tem uma maior estabilidade do preço da cota, uma maior estabilidade do dividendo que é distribuído”, disse.
Para Abbud, a tendência é de redução do número de fundos dentro de determinados segmentos e crescimento dos veículos de maior porte.
“Cada vez mais, a tendência é que você tenha menos fundos num determinado setor e fundos maiores”, afirmou.
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