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Veja quais ações pagam dividendos acima da Selic de 15%
Publicado 28/01/2026 • 22:13 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 28/01/2026 • 22:13 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Dividendos.
Pixabay.
Com a Selic em 15% ao ano, bater os juros continua sendo uma tarefa difícil para praticamente qualquer classe de ativo, e com ações não é diferente. Principalmente porque juros elevados aumentam o custo de dívida e pressionam os lucros das empresas.
Entre as ações do Ibovespa, principal índice da B3, só 11 superam a taxa de 15%, considerando o dividend yield (retorno em dividendos) registrado nos últimos 12 meses, que considera que o investidor comprou a ação há 1 ano atrás. É o que revela um estudo da Economatica.
Na liderança, o maior dividend yield é da construtora de baixa renda Direcional (DIRR3), com retornos de 24,26% em proventos. No entanto, o ranking muda quando observamos o dividend yield projetado para os próximos 12 meses, que considera o preço atual da ação. Nesse recorte, apenas dois papéis seguem com dividendos acima de 15%: Marcopolo (POMO4) (17,36%) e Direcional (DIRR3) (15,60%).
Confira a lista completa:
| Empresa | Código na bolsa | Dividend yield nos últimos 12 meses | Dividend yield projetado para os próximos 12 meses |
|---|---|---|---|
| Direcional | DIRR3 | 24,26% | 15,60% |
| Cury | CURY3 | 21,91% | 12,96% |
| Bradespar | BRAP4 | 20,23% | 13,21% |
| Cyrela | CYRE3 | 19,62% | 12,64% |
| Itaúsa | ITSA4 | 18,74% | 12,27% |
| Marfrig | MRFG3 | 17,64% | 14,77% |
| TIM | TIMS3 | 16,25% | 9,95% |
| Rede D’Or | RDOR3 | 15,46% | 9,72% |
| Cemig | CMIG4 | 15,31% | 14,24% |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 15,15% | 9,61% |
| Marcopolo | POMO4 | 15,13% | 17,36% |
Fonte: Economatica Brasil
Importante: o dividend yield realizado considera os proventos pagos nos últimos 12 meses. Já o dividend yield projetado leva em conta que as empresas vão manter a mesma política de distribuição do último ano e o mesmo lucro, considerando a cotação atual da ação.
Especialistas fazem uma ressalva: é possível que o dividend yield projetado não se concretize, dado que nos últimos 12 meses muitas empresas fizeram pagamentos extraordinários, diante da corrida de antecipação tributária.
No caso da Marfrig (MRFG3), o sócio da L4 Capital, Hugo Queiroz, avalia que a companhia ainda tem espaço para sustentar dividendos em patamar elevado, apoiada principalmente pela integração com a BRF, ganhos de escala e geração de caixa.
O especialista destaca ainda a sólida geração de caixa decorrente do equilíbrio e da escala das duas operações. Na avaliação dele, a operação nos Estados Unidos deve seguir com geração de caixa mais fraca no curto prazo, mas o efeito desse ciclo, combinado ao atual nível de valuation (avaliação da empresa), sustenta a perspectiva de yields em dois dígitos pelos próximos anos.
“A BRF traz uma previsibilidade. A gente tem uma ‘mini JBS’ formada. Essa costura de escala, posicionamento geográfico, exportações e câmbio deve continuar favorecendo a companhia. A escala melhora margens e geração de caixa, as geografias blindam e os processados trazem resiliência. Isso diminui o risco financeiro e naturalmente permite uma distribuição de dois dígitos, entre 15% e 16% de dividendo. Para quem busca renda, frigoríficos e empresas exportadoras continuam fazendo sentido na carteira”, avalia. Importante, contudo, o investidor entender que se tratam de setores cíclicos, com forte volatilidade de receita que podem comprometer os proventos nas oscilações.
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Já o Itaú, segundo Queiroz, deve continuar entregando uma rentabilidade elevada, com retorno sobre o patrimônio (ROE) na faixa de 22% a 23%, podendo ficar levemente acima, apoiado por fatores como reversão de provisões de risco, melhora na marcação da tesouraria em um cenário de Selic mais baixa e efeitos tributários e do FGC.
Ele avalia que a atividade de crédito segue forte, assim como a geração de receitas com tarifas e operações estruturadas, o que mantém o crescimento de dois dígitos em praticamente todos os segmentos, sustentado por boa gestão operacional e de risco.
Ainda assim, ele pondera que o valuation elevado limita o potencial de dividendos para novos investidores. “Com uma distribuição entre 40% e 50% do lucro como dividendo, o yield até buscaria algo próximo da Selic, mas o valuation hoje está muito esticado. Para quem entra agora, o retorno tende a ficar bem abaixo da Selic, algo na faixa de 4% a 6%”, afirma. Apesar disso, o especialista reforça que o banco segue bem posicionado, bem gerido e com perfil de risco adequado, devendo continuar performando de forma consistente nos próximos anos, ainda que com retorno inferior ao patamar dos juros básicos.
Na contramão, o analista da VG Research, Milton Rabelo tem uma perspectiva mais otimista para o Itaú e acredita que o banco podem entregar um dividend yield de 8% em 2026. Embora a remuneração seja menor do que o registrado em 2025, o patamar ainda é interessante e acima da média de dividend yield da bolsa brasileira de 6%.
“O ano de 2025 foi excepcional por conta da antecipação parcial de dividendos feita pelas empresas. As mudanças tributárias recentemente aprovadas impulsionaram o dividend yield do Itaú de uma maneira atípica”, comenta Rabelo.
O analista destaca que o Itaú já opera com capital acima do mínimo regulatório e a gestão não gosta de manter excesso de capital no balanço, o que deve favorecer a remuneração atrativa. “Como não existem grandes oportunidades de investimentos disponíveis, o banco tem optado por distribuir um grande volume de proventos”, reforça o analista da VG.
Vale lembrar que o Itaú é favorito de outros analistas para dividendos no setor bancário, conhecido como o relógio suíço da bolsa, pela sua forte previsibilidade. O banco trabalha com uma remuneração que inclui juros sobre capital próprio (JCP) mensais, dividendos trimestrais e um pagamento robusto adicional de proventos que deve acontecer só no começo de 2027.
Um recorte adicional, elaborado por Einar Rivero, CEO da Elos Ayta Consultoria, mostra como o resultado muda quando o foco deixa de ser apenas o dividend yield de 12 meses e passa a considerar a mediana do indicador ao longo de três anos. Olhar para este indicador é importante porque traz uma visão mais realista de como as empresas realmente remuneram os seus acionistas.
No estudo, foram selecionadas ações das carteiras dos índices Ibovespa, Small Caps e IDIV (Índice de Dividendos) cuja mediana de dividend yield nos últimos 3 anos ficou acima de 15%. Nesse filtro, aparecem varejistas como Grendene (GRND3) e Vulcabras (VULC3), com medianas de proventos acima de 20%. Nomes mais tradicionais de mercado, como Petrobras (PETR4 e PETR3) e Direcional (DIRR3) também figuram na lista. Veja abaixo:

O levantamento também evidencia a volatilidade do indicador: a Petrobras, por exemplo, sai de dividend yields acima de 18%–19% em 2025 para patamar abaixo de 9% em 2026, enquanto GRND3 e VULC3 oscilam fortemente ano a ano. Todas as ações da lista integram setores cíclicos.
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