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Corte de gastos pode revelar crise financeira antes da inadimplência; entenda
Publicado 25/08/2026 • 06:30 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 25/08/2026 • 06:30 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Unsplash
Corte de gastos pode revelar crise financeira antes da inadimplência; entenda
A crise financeira das famílias brasileiras pode começar a dar sinais antes mesmo de aparecer nos indicadores de inadimplência. Um estudo do IBEVAR, em parceria com a FIA Business School, identificou que mudanças no comportamento de consumo, principalmente o corte de gastos, surgem antes da busca por crédito emergencial.
A análise considerou 272 semanas de dados do Google Trends e, a partir desse período, acompanhou buscas relacionadas a quatro frentes: redução de despesas, procura por renda extra, manifestações de dificuldade financeira e crédito ou renegociação de dívidas.
Com isso, os pesquisadores conseguiram observar uma sequência de comportamentos que ajuda a explicar como as famílias reagem quando o orçamento começa a ficar comprometido.
Em vez de recorrer imediatamente a um empréstimo, o consumidor tende primeiro a tentar reorganizar as próprias despesas. O estudo identificou aumento nas buscas relacionadas ao cancelamento de assinaturas, planos e mensalidades, incluindo serviços como academia, internet e streaming.
Nesse contexto, esse movimento tem peso relevante na explicação da aflição financeira. Além disso, segundo o modelo estatístico utilizado na pesquisa, o corte de gastos responde isoladamente por 39,4% do que o estudo consegue explicar sobre esse comportamento.
Na decomposição de Shapley, metodologia utilizada para separar a contribuição dos fatores analisados, o corte de despesas representa 21,2% da explicação isolada. A renda extra aparece com 17,8%, enquanto o crédito emergencial corresponde a 14,7%. Outros 46,3% ficam fora da capacidade de explicação do modelo.
Depois desse primeiro ajuste, outra reação ganha força: a procura por novas fontes de renda. Nesse sentido, termos como “renda extra” e “abrir MEI” aparecem associados ao aumento das buscas por corte de gastos.
Além disso, a correlação entre os dois comportamentos chega a 0,97 e permanece elevada por até seis semanas. Por isso, para os pesquisadores, essa é a relação mais forte encontrada na cadeia analisada.
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Siga o Times | CNBCAlém disso, a procura por renda adicional mantém relação com a manifestação mais direta da dificuldade financeira. O coeficiente fica próximo de 0,70, indicando que esse movimento costuma anteceder o momento em que o consumidor passa a expressar abertamente a falta de dinheiro.
Com o avanço do aperto, aumentam as buscas por expressões como “como sair das dívidas”, “orçamento apertado” e “não tenho dinheiro para”. Nesse estágio, a família já demonstra que as alternativas utilizadas para equilibrar o orçamento não foram suficientes.
É justamente essa evolução que ajuda a responder ao título: o corte de gastos pode funcionar como um sinal antecipado de crise financeira porque aparece antes das manifestações mais explícitas de dificuldade e da procura por crédito.
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O levantamento também contraria a ideia de que o crédito seria o primeiro recurso utilizado diante de um orçamento comprometido. Buscas por empréstimos, antecipação do FGTS e renegociação de dívidas aparecem posteriormente.
Na semana do pico de aflição financeira, a associação entre a dificuldade e a busca por crédito chega a 0,66. Seis semanas depois, o coeficiente sobe para 1,14, mostrando que a procura por dinheiro emprestado se intensifica com o passar do tempo.
Para Claudio Felisoni de Angelo, presidente do IBEVAR – FIA Business School, os dados apontam para um consumidor que tenta ajustar despesas e aumentar a renda antes de recorrer à dívida.
Assim, para políticas de prevenção ao endividamento, o estudo indica que esperar a procura por empréstimos pode significar agir tarde demais. O acompanhamento de mudanças no orçamento doméstico, especialmente o corte de gastos, pode oferecer um alerta anterior sobre o agravamento da crise financeira das famílias.
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