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Acordo entre EUA e Irã pode aliviar mercados, mas normalização do Estreito de Ormuz deve ser gradual
Publicado 11/06/2026 • 21:39 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 11/06/2026 • 21:39 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
As negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram nas últimas horas, mas um eventual acordo para encerrar o conflito ainda enfrenta obstáculos importantes e dificilmente produzirá uma normalização imediata do comércio global de petróleo. A avaliação é de Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da consultoria Eurasia Group.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Garman afirmou que os ataques realizados pelos Estados Unidos contra alvos iranianos não foram interpretados pela consultoria como uma tentativa de ampliar a guerra, mas sim como uma estratégia para aumentar a pressão sobre Teerã durante as negociações.
“Quando vimos a investida americana, nossa interpretação não era de uma escalada do conflito. Vimos muito mais como uma estratégia para aumentar o poder de barganha e forçar os iranianos a ampliar as concessões que estavam dispostos a fazer nas negociações”, afirmou.
Segundo ele, mesmo durante a troca de ataques, os canais diplomáticos permaneceram abertos. Por isso, o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que suspenderia novos bombardeios e avançaria para um memorando de entendimento foi recebido como um sinal positivo.
“É um sinal de que as negociações estão andando. Achamos que um acordo capaz de levar à reabertura do Estreito de Ormuz deve acontecer, mas ainda não estamos convencidos de que isso ocorrerá tão rapidamente”, disse.
Garman explicou que permanecem divergências relevantes entre as partes. Entre os principais pontos estão o desbloqueio de recursos iranianos congelados no exterior, estimados por Teerã em cerca de US$ 24 bilhões, além das discussões sobre o programa nuclear iraniano e as condições para a retomada plena da navegação na região.
“Ainda existem negociações difíceis sobre os recursos congelados, sobre o urânio enriquecido e também sobre os termos da abertura das rotas marítimas”, afirmou.
Na avaliação da Eurasia Group, um acordo definitivo tem mais chances de ser concluído em julho do que ainda neste mês.
Caso as negociações avancem, os reflexos para a economia global seriam imediatos. Segundo Garman, os mercados já começaram a reagir à perspectiva de redução das tensões no Oriente Médio.
“Certamente teremos uma reação dos preços dos ativos, como já vimos hoje. As bolsas se recuperaram e o preço do petróleo caiu. Isso gera um alívio para os mercados globais”, disse.
Mesmo assim, a retomada das operações no Estreito de Ormuz deve ocorrer de forma gradual. A consultoria estima que, um mês após a assinatura de um acordo, o fluxo de embarcações poderá atingir entre 30% e 50% dos níveis observados antes do início da guerra.
“Não será uma normalização total e rápida. Os preços do petróleo devem permanecer mais elevados por algum tempo, embora a pressão inflacionária global diminua”, explicou.
O diretor da Eurasia também alertou que qualquer entendimento entre Washington e Teerã continuará sujeito a riscos. Segundo ele, mesmo com um memorando assinado, questões centrais ainda permanecerão em negociação.
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Seguir no Google“Será um acordo relativamente frágil. Existe uma probabilidade razoável de que ele possa ser desfeito no futuro, porque nem todas as questões relacionadas ao programa nuclear serão resolvidas imediatamente”, afirmou.
Sobre os preços do petróleo, Garman acredita que uma eventual pacificação poderia levar o barril para a faixa de US$ 80, mas não aos níveis observados antes do conflito.
“O mercado já precifica parte dessa melhora. Há fatores que amortecem os impactos, como a demanda mais fraca da China, o uso de oleodutos alternativos e os estoques globais existentes”, explicou.
Para ele, mesmo com a reabertura parcial do Estreito de Ormuz, a região continuará sendo um gargalo relevante para o abastecimento global de energia, o que deve impedir uma queda mais acentuada dos preços da commodity no curto prazo.
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