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Acusação dos EUA contra o Pix tem base econômica fraca e motivação política, avalia ex-economista do Fed
Publicado 02/06/2026 • 16:40 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 02/06/2026 • 16:40 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
A tentativa de associar o Pix a práticas comerciais desleais possui fundamentos econômicos frágeis e revela uma discussão mais política do que técnica, afirmou Benjamim Mandel, head de Research da Jubarte Capital e ex-economista do Federal Reserve (Fed). Segundo ele, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos trouxe benefícios amplos para a economia sem favorecer empresas nacionais em detrimento de concorrentes estrangeiros.
Durante entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta terça-feira (1), Mandel destacou que o Pix se consolidou como uma referência global em pagamentos digitais e ocupa posição de destaque no cenário internacional. “Todo brasileiro conhece o Pix e conhece que o Pix é um líder global de pagamentos digitais”, afirmou.
Segundo o economista, o sistema brasileiro registra atualmente entre 7,5 bilhões e 8 bilhões de transações por mês, movimenta trilhões de reais e conta com cerca de 1 bilhão de chaves cadastradas, números que continuam crescendo mesmo após anos de expansão acelerada.
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Mandel ressaltou que não existe um modelo único de pagamentos digitais no mundo. Segundo ele, cada país desenvolveu estruturas próprias para atender às características de seu sistema financeiro.
O especialista citou a Índia como um dos exemplos mais próximos do Brasil em termos de centralização e adoção em larga escala. Já a China construiu um mercado dominado por plataformas privadas, como Alipay e WeChat Pay.
No caso dos Estados Unidos, o cenário é bastante diferente. “Os Estados Unidos ficam no final da distribuição dos países em relação ao desenvolvimento dos modos de pagamentos digitais”, afirmou.
Segundo ele, o mercado americano permanece fragmentado, com múltiplas soluções privadas convivendo simultaneamente.
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Mandel explicou que o FedNow, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Federal Reserve, entrou em operação muito depois de iniciativas semelhantes adotadas em outros países.
Embora ofereça funcionalidades comparáveis do ponto de vista tecnológico, sua presença ainda é limitada. “O Fed entrou muito tarde nesse jogo”, afirmou.
Segundo o economista, o FedNow é utilizado principalmente em transações entre empresas e ocupa um espaço reduzido dentro do ecossistema financeiro americano. “Continua superpequeno”, observou.
Na avaliação dele, a principal diferença entre Brasil e Estados Unidos não está na tecnologia empregada, mas no nível de adoção e na estrutura do mercado.
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Ao comentar as críticas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Mandel reconheceu que a obrigatoriedade de adesão ao Pix por grandes instituições financeiras reduziu parte da concorrência entre sistemas de pagamento.
Ainda assim, ele considera que os ganhos econômicos obtidos compensam amplamente esse efeito. “Os benefícios são bem maiores do que os custos de concorrência”, afirmou.
Segundo ele, o Pix eliminou diversas barreiras operacionais que dificultavam pagamentos e transferências, contribuindo para aumentar a eficiência da economia. “O fato simples de que é mais fácil fazer pagamentos e é de graça fazer pagamentos está tirando fricções econômicas e financeiras da economia real”, destacou.
Para Mandel, o principal problema da argumentação americana é a ausência de provas de que o Pix gera discriminação contra empresas estrangeiras.
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Ele lembrou que investigações baseadas na Seção 301 exigem demonstrações de que determinada política beneficia produtores locais em prejuízo de competidores internacionais.
No caso brasileiro, segundo ele, isso não ocorre. “Pix está ajudando todo mundo em relação a todas as transações, não tem algum grau de discriminação entre empresas internacionais e locais”, afirmou.
O economista acrescentou que não há evidências de que o sistema esteja produzindo distorções significativas no funcionamento do mercado.
Na avaliação de Mandel, a presença do Pix entre os argumentos utilizados na investigação comercial reforça a percepção de que fatores políticos exercem influência importante sobre o processo.
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Segundo ele, a tese de que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos configura uma prática comercial injusta encontra dificuldades para se sustentar sob análise econômica. “Isso mostra que essa investigação é mais dirigida por motivos políticos do que econômicos”, afirmou.
Para o ex-economista do Fed, o caso evidencia como temas ligados à inovação financeira, tecnologia e infraestrutura digital passaram a ocupar espaço crescente nas disputas comerciais internacionais, mesmo quando os impactos econômicos apontados permanecem limitados.
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