Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Acusação dos EUA contra o Pix tem base econômica fraca e motivação política, avalia ex-economista do Fed
Publicado 02/06/2026 • 16:40 | Atualizado há 50 minutos
Bitcoin cai abaixo de R$ 352 mil e ações da Strategy ampliam perdas
Trump assina decreto sobre inteligência artificial que exige que empresas concedam ao governo acesso antecipado
Abertura de vagas de emprego nos EUA sobe para 7,6 milhões em abril, maior nível em quase dois anos
Blackstone conclui captação de maior fundo de private equity da Ásia
Ações da Marvell disparam 20% após Huang, da Nvidia, falar que empresa vai entrar no “clube do trilhão”
Publicado 02/06/2026 • 16:40 | Atualizado há 50 minutos
KEY POINTS
A tentativa de associar o Pix a práticas comerciais desleais possui fundamentos econômicos frágeis e revela uma discussão mais política do que técnica, afirmou Benjamim Mandel, head de Research da Jubarte Capital e ex-economista do Federal Reserve (Fed). Segundo ele, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos trouxe benefícios amplos para a economia sem favorecer empresas nacionais em detrimento de concorrentes estrangeiros.
Durante entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC nesta terça-feira (1), Mandel destacou que o Pix se consolidou como uma referência global em pagamentos digitais e ocupa posição de destaque no cenário internacional. “Todo brasileiro conhece o Pix e conhece que o Pix é um líder global de pagamentos digitais”, afirmou.
Segundo o economista, o sistema brasileiro registra atualmente entre 7,5 bilhões e 8 bilhões de transações por mês, movimenta trilhões de reais e conta com cerca de 1 bilhão de chaves cadastradas, números que continuam crescendo mesmo após anos de expansão acelerada.
Leia também: Pix, etanol e corrupção aparecem entre críticas dos EUA no novo tarifaço ao Brasil
Mandel ressaltou que não existe um modelo único de pagamentos digitais no mundo. Segundo ele, cada país desenvolveu estruturas próprias para atender às características de seu sistema financeiro.
O especialista citou a Índia como um dos exemplos mais próximos do Brasil em termos de centralização e adoção em larga escala. Já a China construiu um mercado dominado por plataformas privadas, como Alipay e WeChat Pay.
No caso dos Estados Unidos, o cenário é bastante diferente. “Os Estados Unidos ficam no final da distribuição dos países em relação ao desenvolvimento dos modos de pagamentos digitais”, afirmou.
Segundo ele, o mercado americano permanece fragmentado, com múltiplas soluções privadas convivendo simultaneamente.
Leia também: Durigan vai aos EUA em defesa do Pix após classificação de facções como organizações terroristas
Mandel explicou que o FedNow, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Federal Reserve, entrou em operação muito depois de iniciativas semelhantes adotadas em outros países.
Embora ofereça funcionalidades comparáveis do ponto de vista tecnológico, sua presença ainda é limitada. “O Fed entrou muito tarde nesse jogo”, afirmou.
Segundo o economista, o FedNow é utilizado principalmente em transações entre empresas e ocupa um espaço reduzido dentro do ecossistema financeiro americano. “Continua superpequeno”, observou.
Na avaliação dele, a principal diferença entre Brasil e Estados Unidos não está na tecnologia empregada, mas no nível de adoção e na estrutura do mercado.
Leia também: Pix, vistos, agro e big techs: os possíveis impactos da classificação do PCC e CV como organizações terroristas
Ao comentar as críticas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Mandel reconheceu que a obrigatoriedade de adesão ao Pix por grandes instituições financeiras reduziu parte da concorrência entre sistemas de pagamento.
Ainda assim, ele considera que os ganhos econômicos obtidos compensam amplamente esse efeito. “Os benefícios são bem maiores do que os custos de concorrência”, afirmou.
Segundo ele, o Pix eliminou diversas barreiras operacionais que dificultavam pagamentos e transferências, contribuindo para aumentar a eficiência da economia. “O fato simples de que é mais fácil fazer pagamentos e é de graça fazer pagamentos está tirando fricções econômicas e financeiras da economia real”, destacou.
Para Mandel, o principal problema da argumentação americana é a ausência de provas de que o Pix gera discriminação contra empresas estrangeiras.
Siga o Times Brasil no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Seguir no GoogleLeia também: Reunião emergencial no Planalto conclui que classificação de PCC e CV como terroristas coloca PIX em risco
Ele lembrou que investigações baseadas na Seção 301 exigem demonstrações de que determinada política beneficia produtores locais em prejuízo de competidores internacionais.
No caso brasileiro, segundo ele, isso não ocorre. “Pix está ajudando todo mundo em relação a todas as transações, não tem algum grau de discriminação entre empresas internacionais e locais”, afirmou.
O economista acrescentou que não há evidências de que o sistema esteja produzindo distorções significativas no funcionamento do mercado.
Na avaliação de Mandel, a presença do Pix entre os argumentos utilizados na investigação comercial reforça a percepção de que fatores políticos exercem influência importante sobre o processo.
Leia também: Pix, bancos e fintechs: por que o sistema financeiro brasileiro entrou no radar da Justiça americana?
Segundo ele, a tese de que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos configura uma prática comercial injusta encontra dificuldades para se sustentar sob análise econômica. “Isso mostra que essa investigação é mais dirigida por motivos políticos do que econômicos”, afirmou.
Para o ex-economista do Fed, o caso evidencia como temas ligados à inovação financeira, tecnologia e infraestrutura digital passaram a ocupar espaço crescente nas disputas comerciais internacionais, mesmo quando os impactos econômicos apontados permanecem limitados.
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
JHSF inaugura shopping de luxo no interior de São Paulo
2
Mercedes-Benz pode ficar fora do mercado dos EUA por projeto de lei voltado à participação chinesa em montadoras
3
EXCLUSIVO: Galapagos perde concessão bilionária por erro primário em due diligence e mercado questiona gestora
4
Cosan nega venda da Rumo, mas reafirma foco em desalavancagem
5
Banana ‘de milhões’ desaparece de parede em museu na França