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Por André Amadeus
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Publicado 29/05/2026 • 11:45 | Atualizado há 1 uma semana
KEY POINTS
Foto: Agência Brasil
Pix, bancos e fintechs por que o sistema financeiro brasileiro entrou no radar da Justiça americana
A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) colocou o sistema financeiro brasileiro em alerta. Embora especialistas avaliem que a mudança deve alterar pouco a atuação das facções, o impacto sobre bancos, fintechs, corretoras e empresas com operações em dólar pode ser imediato.
A nova classificação passa a valer em 5 de junho. Até lá, os grupos já aparecem como “Terrorista Global Especialmente Designado” (SDTG), movimento que restringe operações financeiras e amplia o alcance das autoridades americanas sobre transações ligadas ao dólar.
Leia também: Mancha reputacional: decisão sobre classificar PCC e CV como terroristas ameaça turismo e investimentos no Brasil
O principal ponto de atenção envolve transações em dólar. Isso porque operações nessa moeda normalmente passam por bancos correspondentes nos Estados Unidos, o que pode atrair a jurisdição americana.
Na prática, empresas brasileiras podem enfrentar investigações, bloqueio de ativos, auditorias e pedidos de cooperação internacional caso alguma operação apresente ligação direta ou indireta com pessoas, empresas ou ativos associados ao PCC ou ao CV.
Especialistas afirmam que o risco aumenta principalmente para bancos, fintechs, gestoras, empresas de câmbio, corretoras, seguradoras e companhias ligadas ao sistema Swift usado em pagamentos internacionais.
Em entrevista ao Times Brasil – Licenciada Exclusiva CNBC, Beny Fard, sócio da B8 Partners e especialista em investimentos e negócios internacionais, afirmou que os setores mais expostos são aqueles historicamente usados para lavagem de dinheiro.
A lista inclui fintechs, postos de combustíveis, construtoras, fundos imobiliários, concessionárias, empresas de logística e operações com criptoativos.
Em agosto de 2025, a Polícia Federal realizou a maior operação de busca e apreensão da história do Brasil após identificar supostos fluxos financeiros do PCC em postos de gasolina, fundos de investimento e construtoras.
Além disso, autoridades internacionais monitoram rotas comerciais em portos como Antuérpia, Roterdã e Hamburgo, apontados como pontos relevantes para o tráfico internacional de drogas.
Um caso internacional ajuda a mostrar o tamanho do risco para empresas que possuem ligação indireta com organizações classificadas como terroristas.
Em 2022, uma fabricante francesa de materiais de construção concordou em pagar US$ 777,7 milhões em multas e confiscos nos Estados Unidos após manter operações na Síria com pagamentos ligados a grupos terroristas. No período, a companhia havia registrado cerca de US$ 70 milhões em receitas.
Especialistas afirmam que o Pix não entra diretamente na jurisdição americana porque funciona dentro do sistema brasileiro. Entretanto, bancos, fintechs e instituições que operam pagamentos digitais podem enfrentar pressão maior para reforçar monitoramento, rastreamento de clientes e prevenção à lavagem de dinheiro.
Além disso, muitas fintechs que atuam com Pix também possuem operações internacionais, serviços em dólar ou conexão com plataformas financeiras globais, o que amplia o nível de fiscalização.
Leia também: Enquadramento de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA pode afetar PIB e dólar no Brasil
Especialistas afirmam que a nova classificação deve provocar pouco impacto operacional imediato sobre PCC e CV, já que os grupos já atuam fora da lei.
Por outro lado, o efeito sobre o Brasil pode ser maior. O mercado teme um desgaste reputacional e maior pressão internacional por rastreabilidade financeira.
O Banco Central e autoridades brasileiras também devem ampliar a cooperação com órgãos americanos nos próximos meses para evitar problemas ao sistema financeiro brasileiro, enquanto empresas revisam bases de clientes, políticas de compliance e monitoramento de transações suspeitas.
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