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Além de Ormuz, conflito no estreito de Bab el-Mandeb ameaça rota de 12% do petróleo mundial
Publicado 31/03/2026 • 20:53 | Atualizado há 7 meses
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KEY POINTS
A expansão das hostilidades para o Estreito de Bab el-Mandeb coloca em xeque uma rota responsável por 12% do petróleo mundial, gerando um risco de estrangulamento logístico sem precedentes, disse Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC Minas, em entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
O especialista alertou para a vulnerabilidade geográfica da região e a capacidade ofensiva dos rebeldes: “O Estreito de Bab el-Mandeb é um ponto de estrangulamento de apenas 22 km em algumas áreas. Como os Houthis possuem mísseis balísticos que alcançam Israel, atingir navios com torpedos ou drones suicidas é uma tarefa muito fácil. Se isso se acumula, o impacto para a distribuição de energia e fertilizantes será um desastre”, afirmou.
O fechamento da via forçaria navios a contornarem a África, elevando drasticamente os custos operacionais: “Uma viagem da Holanda para a China passaria de 10 mil para 14 mil milhas náuticas, adicionando oito dias de navegação. Isso impacta o preço do frete, do seguro e a distribuição do petróleo da Arábia Saudita, trazendo um custo altíssimo para a economia mundial”, explicou.
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Siga o Times | CNBCNo setor de gás liquefeito, o impacto seria ainda mais severo para o abastecimento global: “O Catar é o maior exportador de gás do mundo e uma conexão com o Reino Unido passaria de 19 para 34 dias pelo Cabo da Boa Esperança. É um cheque-mate geopolítico que sufoca a distribuição de energia, ureia e fosfato para o mundo inteiro”, ressaltou.
Sobre as recentes sinalizações de paz, o acadêmico demonstrou ceticismo devido à quebra de confiança entre as potências: “O maior dilema hoje é que o Irã não possui confiança na palavra dos americanos e de Israel. O histórico de negociações interrompidas por novos conflitos emperra qualquer tentativa clara, e essa saída só virá com garantias de que o Irã não continuará sendo atacado”.
Por fim, o professor pontuou que o tempo favorece a resiliência iraniana diante da pressão inflacionária no Ocidente: “A continuidade da guerra joga a favor do Irã porque o mundo inteiro pressiona os EUA e Israel devido ao preço exorbitante do galão de gasolina e do gás. Não vejo um caminho para o cessar-fogo agora, talvez na próxima semana, com a mediação de países como Rússia e China”.
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