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Andy Burnham pode ser candidato único para assumir como primeiro-ministro do Reino Unido
Publicado 23/06/2026 • 12:06 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 23/06/2026 • 12:06 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Montagem
Keir Starmer e Andy Burnham, atual primeiro-ministro do Reino Unido e atual prefeito de Manchester, cotado para ser o próximo PM
Andy Burnham, o mais novo parlamentar britânico e provável próximo primeiro-ministro, reuniu-se com colegas do Partido Trabalhista nesta terça-feira, 23, e se prepara para a disputa pela liderança, na qual poderá ser o único candidato.
Burnham é o grande favorito para substituir o primeiro-ministro Keir Starmer, que anunciou que deixará o cargo em algumas semanas, após dois anos no poder marcados por erros e decisões equivocadas que corroeram sua popularidade dentro do partido e perante o público.
As chances de Burnham morar em 10 Downing Street receberam um grande impulso nesta segunda-feira, quando o ex-secretário de Saúde, Wes Streeting, considerado seu principal rival, anunciou seu apoio.
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🔎 O sistema parlamentar do Reino Unido permite que os partidos governantes troquem de líderes – e, consequentemente, de primeiros-ministros – sem a necessidade de uma eleição nacional. As próximas eleições gerais não precisam ser realizadas antes de 2029.
As nomeações para a liderança do Partido Trabalhista serão abertas em 9 de julho e encerradas uma semana depois. Se Burnham for o único candidato, ele poderá se tornar primeiro-ministro em 17 de julho. Caso haja uma disputa, o vencedor deverá assumir o cargo até o retorno do Parlamento do recesso parlamentar, em 1º de setembro.
Burnham foi um prefeito popular da Grande Manchester, supervisionando um período de crescimento da cidade no norte da Inglaterra, berço da Revolução Industrial. Ele prometeu replicar seu estilo característico de “Manchesterismo” em escala nacional.
Muitos membros do Partido Trabalhista esperam que as habilidades interpessoais e o seu carisma consigam se conectar com o público mais do que Starmer, com perfil mais rígido e administrativo.
Mas as políticas de Burnham em muitas áreas são desconhecidas e não foram testadas. Alguns parlamentares trabalhistas gostariam de ver uma disputa interna no partido, na qual ele enfrentaria debate e escrutínio público.
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Espera-se que Burnham faça um discurso na próxima semana, delineando alguns de seus planos econômicos. O ex-ministro das Forças Armadas, Al Carns, que renunciou este mês em protesto contra o que considerava gastos insuficientes com a defesa, afirmou que “precisamos ter uma discussão clara e concisa sobre o que este país quer ser”.
Ele sugeriu que poderia se candidatar à liderança, mas disse à emissora ITV que não está pronto para tomar uma decisão sobre a candidatura. Uma ala trabalhista sugeriu que Darren Jones, um ministro sênior do Gabinete e aliado de Starmer, deveria se candidatar, embora ele ainda não tenha se pronunciado.
Os potenciais candidatos precisam do apoio de pelo menos 81 parlamentares trabalhistas, um quinto do grupo parlamentar, para concorrer. Muitos argumentam que uma disputa pela liderança apenas concentrará a atenção nas divisões internas do partido e prolongará um período de incerteza política.
Starmer disse na reunião semanal de seu Gabinete, na terça-feira, que tentará tornar a transição para seu sucessor o mais tranquila possível. Ele disse aos ministros que deseja uma “transição ordenada” e que quem o substituir tenha sucesso, segundo seu gabinete.
Após o anúncio, Starmer não está autorizado a fazer novos anúncios importantes de políticas públicas ou compromissos de gastos durante o restante de seu mandato.
Starmer renunciou na segunda-feira, após um fim de semana refletindo sobre seu futuro, reconhecendo que o Partido Trabalhista não acredita mais que “eu seja a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições gerais”.
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Siga o Times | CNBCEle foi o sexto primeiro-ministro em uma década a se posicionar em frente ao número 10 de Downing Street e anunciar sua saída. Isso ocorre enquanto o Reino Unido comemora o 10º aniversário de sua votação para deixar a União Europeia, uma decisão que ainda impacta a economia e a política do país.
Após semanas insistindo que lutaria para manter seu cargo, Starmer cedeu à crescente pressão para entregar um novo líder que possa tentar reanimar a situação do governo. Ele liderou o Partido Trabalhista a uma vitória esmagadora nas eleições de julho de 2024, mas sua popularidade e a do partido despencaram desde então.
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O plano de Starmer era entregar o crescimento econômico prometido, reparar os serviços públicos deteriorados e aliviar o custo de vida. Mas seus planos foram prejudicados por repetidos erros, incluindo sua decisão de nomear Peter Mandelson, um amigo de Jeffrey Epstein envolvido em escândalos, como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos.
O Partido Trabalhista está perdendo eleitores liberais para o crescente Partido Verde e enfrentando a ascensão do Reform UK, o partido anti-imigração liderado por Nigel Farage, que consistentemente lidera as pesquisas de opinião em todo o país.
Aos 56 anos, Burnham cultiva a imagem de um homem comum do norte da Inglaterra. Tem fala direta e estilo informal. Costuma aparecer mais à vontade em camisetas do que em terno e gravata. Também é conhecido por hábitos como jogar futebol e participar de batalhas de DJs com músicas dos anos 1990.
Ele nasceu e cresceu no noroeste da Inglaterra, entre Liverpool e Manchester. É filho de um técnico da British Telecom e de uma recepcionista. Filiou-se ao Partido Trabalhista ainda na adolescência. Estudou na Universidade de Cambridge e foi eleito deputado pela primeira vez em 2001.
No Parlamento, permaneceu por cerca de 15 anos. Atuou nos governos de Tony Blair e Gordon Brown e ocupou pastas como Cultura e Saúde.
Ele tentou chegar à liderança do Partido Trabalhista em 2010 e 2015, mas foi derrotado nas duas ocasiões. Em 2017, deixou Westminster para assumir a prefeitura da Grande Manchester.
À frente da região, ganhou projeção nacional e passou a ser conhecido como o “rei do Norte”. O apelido se consolidou durante a pandemia da covid-19, quando criticou a condução do governo conservador de Boris Johnson e a resposta de Londres à crise sanitária.
Como prefeito, liderou a transformação urbana e econômica de Manchester. Ampliou o controle público do sistema de transportes rebatizado como Bee Network, e reforçou sua imagem de defensor das regiões fora da capital britânica.
Ele também ganhou destaque por sua atuação no caso do desastre de Hillsborough, em que 97 torcedores morreram em 1989. Burnham pressionou por novas investigações e se tornou uma das principais vozes políticas ligadas ao caso.
Sua vitória recente em Makerfield, em uma eleição especial, foi interpretada como um sinal de fortalecimento político e o reposicionou como favorito na disputa interna trabalhista.
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Aliados o descrevem como um dos melhores comunicadores do Partido Trabalhista, capaz de dialogar diretamente com o eleitorado e traduzir mensagens políticas de forma simples. Críticos, porém, afirmam que suas propostas ainda são vagas e questionam se sua experiência regional é suficiente para governar em escala nacional.
Burnham defende políticas para reduzir o custo de vida, ampliar investimentos em educação e gerar empregos para jovens. Também critica o modelo econômico baseado na chamada “teoria do gotejamento”, que, segundo ele, falhou em regiões industriais do país.
Apesar das dúvidas sobre sua capacidade de transição para o cenário nacional, ele surge como o principal nome na disputa pela liderança trabalhista e pelo futuro do governo britânico após a renúncia de Starmer, em meio a pressões políticas e desgaste acumulado no cargo.
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